Análise: Texans enfrentam Chargers sob pressão sobre a diretoria
Kenneth Levy analisa por que o duelo com os Chargers é decisivo para os Texans e para o futuro da diretoria liderada por Nick Caserio.
O Houston Texans enfrenta neste domingo o Los Angeles Chargers, único time ainda sem vitória na NFL. As duas equipes esperavam mais do que ocupar as últimas posições da AFC nesta temporada.
Para Kenneth Levy, da SB Nation, a temporada dos Chargers está comprometida, enquanto Houston ainda tem uma pequena esperança, por já ter se recuperado de situações difíceis e porque a AFC South segue aberta.
Os Texans perderam os últimos três jogos por uma diferença combinada de 12 pontos. Os Chargers passaram dos 20 pontos apenas uma vez na temporada e registraram placares de seis, nove e 14 pontos em duas ocasiões cada.
Na avaliação de Levy, uma vitória recolocaria Houston na disputa e abriria a possibilidade de uma última tentativa de salvar a temporada. O autor considera o resultado obrigatório para a comissão técnica e a diretoria e avalia que uma derrota para os Chargers, então com campanha de 0-7, encerraria a era do gerente geral Nick Caserio.
Uma campanha de 2-6, sem escolha no início da segunda rodada e com uma longa lista de escolhas do segundo dia que não se desenvolveram, seria difícil de ignorar para os proprietários, argumenta Levy. Segundo ele, Houston comprometeu o futuro sem retorno imediato: tem um déficit de US$ 33,8 milhões projetado para o próximo ano, antes mesmo de uma extensão com C.J. Stroud, e pode perder Davis Mills, Tank Dell, Tommy Togiai e Trent Brown.
Problemas dos dois lados
Levy também aponta Frank Edgerly, diretor sênior de pesquisa de futebol americano e gestão de jogo. Ele está no time desde 2023 e trabalhou com Caserio em New England. Na opinião do autor, adversários estudaram e encontraram respostas para o esquema defensivo dos Texans na offseason, sem que a equipe corrigisse os problemas por meio de uma autoavaliação. Levy também critica decisões no fim do quarto período, quando considera que Houston foi superado repetidamente.
Do lado dos Chargers, o autor atribui as dificuldades à linha ofensiva, à incapacidade de correr com a bola e à queda de rendimento do quarterback Justin Herbert. Ele lançou cinco touchdowns e dez interceptações. Quando enfrentou Houston na rodada de wild card da AFC, referente à temporada de 2024, havia lançado apenas três interceptações em toda a temporada regular. Herbert sofreu 23 sacks e está a caminho de superar o recorde pessoal de 54 do ano anterior. Para Levy, Houston precisa aumentar os totais de interceptações e sacks do quarterback para vencer.
Na defesa, os Chargers tiveram dificuldades para pressionar o passe durante a temporada. Os defensive ends Tuli Tuipulotu e Khalil Mack lideram a equipe com três sacks cada. Assim como Houston, Los Angeles carece de um jogador capaz de pressionar pelo interior e desorganizar o pocket. Segundo o autor, isso favorece os Texans, que têm sofrido com a pressão interna. Com proteção, Stroud deve conseguir encontrar seus principais alvos.
O caminho adiante
Mesmo que Houston vença, Levy acredita que a pressão continuará. O adversário seguinte será o Cleveland Browns, que tinha campanha de 5-3 e era liderado por Deshaun Watson. Os Browns informaram em 4 de novembro que o quarterback entrou no protocolo de concussão após apresentar sintomas, deixando incerta sua disponibilidade.
Caserio comandou a troca que enviou Watson a Cleveland em março de 2022, depois de assumir o cargo em janeiro de 2021. Houston recebeu três escolhas de primeira rodada, duas de quarta e uma de terceira. A negociação também enviou aos Browns uma escolha de sexta rodada de 2024; uma escolha de quinta rodada naquele ano havia sido inicialmente citada antes do ajuste relatado por Adam Schefter.
Na avaliação de Levy, sem o grande capital de escolhas que permitiu a Caserio fazer movimentações no Draft, o gerente geral teve dificuldades nas decisões iniciais. O autor considera que ele antecipou escolhas para preencher necessidades, criando mais problemas em posições importantes, como linha ofensiva e defensive tackle. Para Levy, as classes de 2025 e 2026 incluem escolhas altas com rendimento abaixo do esperado, e Caserio será avaliado pelos resultados contra Chargers e Browns. Os dois jogos serão fora de casa.
Ainda assim, o autor enxerga uma perspectiva melhor se Houston reagir nas próximas duas semanas. Depois, o time enfrentará os Colts, que ele considera em reconstrução, os Ravens sem Lamar Jackson, os Steelers, em um duelo que considera vencível, e os Commanders, em confronto equilibrado.
Se sair dessa sequência de seis jogos com campanha de 7-6, Houston estará na briga por outra vaga de wild card em uma AFC concorrida, argumenta Levy. Para ele, é obrigatório vencer cinco desses seis jogos; caso contrário, a equipe terá de encerrar as expectativas para a temporada e rever a situação de vários dirigentes.