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Dolphins x Bengals: três motivos para esperança e três pontos de preocupação

Chris Early avalia as chances de Miami buscar sua primeira vitória, com atenção ao jogo terrestre, às lesões dos receivers de Cincinnati e a Malik Willis.

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Jogadores dos Dolphins reunidos em campo.
Jogadores dos Dolphins reunidos em campo.Crédito: David Berding/Getty Images

Os Dolphins tiveram oportunidades de conquistar a primeira vitória na semana 4, mas não conseguiram aproveitá-las. Antes da folga na semana 6, recebem os Bengals, derrotados por 22 a 17 pelos Jaguars.

Será a primeira vez na temporada que Miami enfrentará uma equipe que já perdeu um jogo. Chris Early vê uma possibilidade de vitória dentro de um calendário difícil, embora o desafio continue grande. Sua análise reúne três motivos para esperança e três preocupações.

Motivos para esperança

1. A volta para casa e o calor de Miami

Os Dolphins disputarão três dos próximos quatro jogos no Hard Rock Stadium, lembrado pelo autor também como Joe Robbie Stadium. Para Early, que associa sua origem no sul dos Estados Unidos e nos Apalaches ao conforto de uma refeição caseira, a volta para casa pode ajudar.

O ataque dos Vikings não tem bons números, mas os três primeiros adversários de Miami estão entre os oito melhores em pontos. Os Chiefs são sextos, com 29,5 por jogo, e marcaram pelo menos 30 em três das quatro partidas. A exceção foi justamente em Miami.

Os Dolphins limitaram Kansas City a 24 pontos, sete deles nos minutos finais, e mantiveram competitivo um confronto com um candidato de 4-0 comandado por um quarterback de alto nível. Essa foi sua única partida em casa até aqui.

A previsão citada pelo autor coloca a temperatura na faixa superior dos 80 graus Fahrenheit. O sol e o calor na lateral dos visitantes podem favorecer um plano baseado em corridas de Ollie Gordon para desgastar Cincinnati.

Assim como Miami, os Bengals terão seu terceiro jogo fora em cinco semanas e entrarão na folga logo depois.

2. Oportunidades para o ataque

Na semana anterior, Miami enfrentou a defesa dos Vikings, líder em pontos cedidos, pressões e sacks, além de usar blitz mais do que qualquer outra equipe. Cincinnati também pressiona bem, mas apresenta outras vulnerabilidades.

Os Bengals permitiram o sétimo maior total de jardas de passe e estão em 20º no passer rating cedido. São oitavos em jardas terrestres permitidas, mas apenas 23º na média por corrida, com 4,5.

Gordon vem de uma atuação de destaque. Pelo Next Gen Stats, é quinto em eficiência de trajetória, com 3,16, pouco atrás de Bijan Robinson, quarto com 3,14. Nesse indicador, quanto menor o valor, mais direta é a trajetória do corredor.

Cincinnati já perdeu 29 tackles, um dos piores totais da liga. Um corredor físico, contra essa defesa e sob o calor de Miami, pode ajudar a sustentar campanhas. Os Dolphins têm média terrestre de 4,3 jardas por tentativa.

No passe, os Bengals permitem só 63,8% de conclusões, mas cedem 7,7 jardas por tentativa, 21º índice. Estão empatados em 31º na taxa de interceptações, com 0,7% e apenas uma bola interceptada. Também são últimos em jardas permitidas após a recepção, com 603.

Early vê espaço para Miami produzir se conseguir explorar essas falhas.

3. Oportunidades para a defesa

Cincinnati tem o quinto melhor ataque aéreo, um problema para a defesa de passe dos Dolphins. Ainda assim, a secundária começa a se ajustar, com o novato Chris Johnson ganhando destaque. Chiefs e Vikings evitaram lançar em sua direção na maior parte do tempo.

Ja'Marr Chase e Tee Higgins formam uma dupla perigosa, mas podem ficar fora. Chase está no protocolo de concussão, e Higgins enfrenta uma lesão no adutor do quadril. Mesmo que joguem, talvez não estejam a 100%.

Sem os dois, as principais alternativas entre os receivers seriam o novato Dohnte Meyers, com 16 alvos; Mitchell Tinsley, com sete; Andrei Iosivas, com quatro; e o novato Colbie Young, com dois. Early não os subestima, mas considera esse grupo um desafio menor do que Chase e Higgins.

Chase Brown é terceiro no time em alvos, com 24, e o ex-Dolphins Mike Gesicki tem 15. Miami sofreu contra T.J. Hockenson no jogo anterior e precisará ajustar a cobertura dos tight ends. Gesicki, porém, não é conhecido pela agilidade em campo aberto nem por grandes ganhos após a recepção.

O percentual de sacks sofridos por Cincinnati é intermediário. Miami começa a aumentar a pressão: Chop Robinson produziu dez pressões contra os Vikings, e a equipe conseguiu quatro sacks. Joe Burrow tem sido pressionado em aproximadamente um de cada quatro dropbacks.

A linha dos Bengals melhorou, oferecendo um teste ao pass rush dos Dolphins. Com seus dois principais receivers lesionados, Cincinnati pode preferir passes curtos e rápidos.

Miami soma 14 tackles perdidos, empatado na quinta posição do indicador citado pelo autor. O ataque terrestre dos Bengals, por sua vez, está entre os piores: 297 jardas, 31º total, e média de 3,6, superior à de apenas quatro equipes.

Os Dolphins sofreram contra Aaron Jones, mas foram bem diante da corrida dos 49ers e limitaram Kenneth Walker III a 70 jardas e menos de quatro por tentativa. Walker lidera a liga em jardas e média, com 6,2 por corrida e 134,3 por jogo.

Os running backs de Cincinnati tiveram somente 71 tentativas para 249 jardas, média de 3,5, enquanto Burrow lança mais de 39 vezes por partida. Sem uma mudança importante de plano, Early espera mais passes do que corridas.

A possível volta de Kenneth Grant pode fortalecer o meio da defesa. Há confrontos favoráveis para Miami conseguir paradas e sair de campo.

Motivos de preocupação

1. A evolução de Malik Willis

Early lembra que acompanha discussões sobre os quarterbacks de Miami há 16 anos, de Chad Henne e Ryan Tannehill a Tua Tagovailoa. Para ele, duas coisas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo: Willis está produzindo abaixo do necessário e não recebe apoio suficiente.

Seu percentual de passes completos está entre os piores, perto do de Jordan Love. A média de 6,9 jardas por tentativa é baixa, empatada com Justin Herbert e acima da de Love. A taxa de interceptações de 1,9% é razoável, mas apenas um touchdown lançado resulta em uma taxa de touchdowns muito fraca.

Esses números precisam melhorar, embora Early considere prematuro descartar Willis após quatro jogos com a equipe. Ele trabalha em um ataque novo, com novo coordenador, e recebedores que têm dificuldade para se separar. Três são novatos; um perdeu tempo de jogo e outro volta de uma lesão importante sofrida em novembro.

Os quatro adversários anteriores têm campanha conjunta de 15-1 e defesas aéreas classificadas em sétimo, oitavo, 11º e 18º. Em dois jogos, Willis esteve sem suas principais armas ofensivas, Achane e Douglas. Todos os rivais estão na metade superior em taxa de pressões, incluindo os dois primeiros.

O contexto dificulta a produção até de um bom quarterback, mas Willis também não tem convencido visualmente: perde leituras e parece desconfortável e sem confiança.

Early ressalta que não se deve esperar o mesmo estilo de Tua, especialmente sua capacidade de lançar antecipando o ponto de chegada do receiver. Willis provavelmente não fará o mesmo, e isso pode funcionar se o ataque não depender desse tipo de passe.

O autor considera que Willis tenta fazer demais e se apressa. Defende que Slowik ofereça conclusões simples: cruzamentos rápidos e rotas para fora que ganhem quatro a seis jardas e mantenham o ataque em boas situações.

Na única campanha de Willis na pré-temporada, as duas primeiras jogadas foram um passe rápido à esquerda para quatro jardas e uma saída do pocket com passe à direita para sete e um first down. Eram conceitos básicos, disponíveis em qualquer ataque da NFL, mas deixaram de aparecer com frequência na temporada regular.

Para Early, recuperá-los pode ajudar a mover as correntes e, principalmente, reconstruir ritmo e confiança.

2. A pressão de Cincinnati

Os Vikings, comandados defensivamente por Brian Flores, lideram a liga em pressão e têm 16 sacks. Agora Miami enfrenta a sétima melhor defesa em taxa de pressões, com 27,6%.

Cincinnati está empatado em terceiro com 14 sacks e taxa de sacks de 9,9%. Ao mesmo tempo, usa blitz em apenas 16% das jogadas, frequência maior somente do que a dos Eagles e muito abaixo dos 66,9% usados por Minnesota contra Miami.

Isso significa que os Bengals conseguem pressionar principalmente com sua linha defensiva. Metade dos 14 sacks veio do interior, justamente a parte da linha ofensiva dos Dolphins que tem sido mais forte.

Mas Early questiona quanto dessa melhora resulta da qualidade dos adversários. Kansas City tem Chris Jones, porém os outros três rivais não apresentaram uma dupla de interior com o perfil de Dexter Lawrence e Jonathan Allen.

Kadyn Proctor parece firme como novato, Savaiinaea melhorou e Aaron Brewer continua bom, ainda que não atue em nível de All-Pro. O trio enfrentará um teste mais exigente.

Austin Jackson, que regrediu bastante, terá de lidar com combinações de Boye Mafe, Myles Murphy, Cedric Johnson e Shemar Stewart. O grupo produziu 6,5 dos sete sacks restantes da defesa. Patrick Paul teve um dia difícil com faltas, algumas questionáveis na visão do autor, mas segue como um protetor sólido.

Slowik precisará chamar passes rápidos para evitar que Willis fique exposto no pocket. Contra a corrida, os Bengals cedem uma média alta e têm dificuldades em jogadas por fora.

Early gostaria mais desse confronto se Achane estivesse disponível. Wright tem explosão para atacar as laterais, mas vem com dificuldades; Gordon não tem a mesma aceleração, e o interior é a força da defesa de Cincinnati. Talvez Malik Washington possa ser utilizado em corridas externas.

3. A necessidade dos Bengals de vencer

O autor recorda uma experiência de esqui com um amigo na adolescência. Ao perguntar o que fazer se encontrasse problemas em um caminho pela floresta, ouviu que descobriria uma solução porque “o desespero é a maior fonte de inspiração”.

Para Miami, uma vitória seria bem-vinda, embora alguns torcedores até reclamassem do efeito na posição do próximo draft. Cincinnati tem outra urgência: candidato a competir, está com 2-2 e atrás de Ravens e Browns, ambos 3-1, além de ter perdido para os Steelers, também 2-2, na semana 3.

Depois da folga, os Bengals continuam fora de casa contra Baltimore e enfrentam Falcons e Steelers em dois dos três jogos seguintes. Seus concorrentes de divisão têm alguns adversários menos difíceis no calendário.

Perder para os Dolphins e cair a 2-3 complicaria a situação. As duas vitórias de Cincinnati vieram contra outras equipes que estão com 0-4, e o time já ocupa a quarta posição da divisão. Early não vê espaço para tratar Miami como uma vitória fácil.

Se Chase e Higgins não jogarem, a urgência será ainda maior. Burrow continua perigoso, e os Bengals devem preparar formas de atacar em todas as fases mesmo sem a dupla. Para o autor, este não tem o perfil de uma armadilha causada por excesso de confiança: Cincinnati precisa vencer e deve atuar com essa postura.

O que pode decidir a partida

Com todos saudáveis, Early daria poucas chances aos Dolphins. No relatório de quinta-feira, Higgins não treinou e Chase participou de forma limitada. Se jogarem, o autor considera possível que Cincinnati marque mais de 40 pontos, como na temporada anterior. Sem eles, vê uma oportunidade para Miami.

Os demais recebedores não parecem, em sua avaliação, fora do alcance da defesa. Depois das dificuldades com Hockenson, os Dolphins devem prestar atenção especial em Gesicki e nos outros tight ends.

No ataque, a esperança é que Gordon repita sua evolução. Corridas produtivas podem permitir a Miami controlar a posse, desgastar a defesa e buscar uma vitória inesperada.

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