Fantasy: cinco running backs cuja produção depende das recepções
Scott Pianowski analisa Harvey, Brown, Jeanty, Kamara e Allgeier e os riscos de confiar apenas nos pontos obtidos pelo jogo aéreo.
No fantasy, a pontuação pode esconder problemas de desempenho. Scott Pianowski encontrou esse dilema ao tentar reforçar a posição de RB2 de um time competitivo, afetado por lesões, dificuldades nas dispensas e jogadores abaixo do esperado. Em uma negociação, pediu Alvin Kamara como complemento.
A aposta carregava lembranças: uma temporada de 21 touchdowns, outra de 18, um jogo com seis e cinco seleções consecutivas ao Pro Bowl. Kamara até inspirou o nome de um de seus times, “Lights, Kamara, Action”. Mas o presente exige outra avaliação. Desde 2021, o running back tem média de 3,9 jardas por corrida; nesta temporada, são apenas 3,0. Aos 31 anos, aparenta a idade, e Pianowski considera possível que esta seja sua última temporada.
Na Semana 7, contra os Steelers na França, Kamara conseguiu cinco jardas em seis corridas. Ainda assim, recebeu os sete passes lançados em sua direção para 57 jardas e somou 9,7 pontos no formato de meio ponto por recepção. Foi melhor do que a atuação pouco produtiva de TreVeyon Henderson, deixado no banco pelo analista, mas o resultado não transformou a atuação em um bom jogo terrestre.
Esse é o tipo de produção que Pianowski chama de “PPR scam”: recepções sustentam a pontuação apesar das limitações do jogador ou do ataque. O formato importa. Em 2024, Wan’Dale Robinson recebeu 93 passes para 699 jardas e três touchdowns, mas terminou como WR41 na classificação citada pelo analista.
A seguir estão cinco running backs entre os 40 maiores pontuadores da posição. Os percentuais representam a parcela da pontuação de meio PPR obtida somente com recepções e jardas recebidas. Corridas e todos os touchdowns ficam fora desse cálculo.
RJ Harvey, Broncos: 62,3%
Harvey tem média de apenas 3,6 jardas por corrida, mas recebeu 25 dos 28 passes em sua direção, com 7,8 jardas por alvo. Seu trabalho aéreo pode preservar valor mesmo se Jonah Coleman assumir uma fatia maior do backfield.
Ele não é Marshall Faulk, pondera Pianowski, mas superou J.K. Dobbins na disputa por espaço. O piso justifica mantê-lo no elenco; o teto, porém, não empolga. Sua média no fantasy é de 9,2 pontos em meio PPR.
Os números exibidos na reportagem são 14,5 jardas terrestres por jogo, um touchdown corrido, 25 recepções, 36,2 jardas recebidas por partida e um touchdown aéreo.
Chase Brown, Bengals: 46,5%
A escolha de Brown na segunda rodada dos drafts de fantasy do verão tem sido dolorosa para seus investidores. Depois da folga de Cincinnati, Samaje Perine ficou com um touchdown perto da linha de gol, enquanto Tahj Brooks recebeu corridas para gastar o relógio.
Na avaliação de Pianowski, Brown é um bom jogador, mas não tem talento de elite suficiente para dispensar volume. Sem esse volume, corre o risco de não justificar o custo de aquisição. Ele aparece como RB25 em pontuação acumulada de meio PPR, com média de 10,1 pontos.
Ashton Jeanty, Raiders: 45,9%
Pianowski não considera Jeanty o talento geracional anunciado antes de sua chegada à NFL e já evitava o jogador durante o verão por causa de um problema no tornozelo. A média atual de 3,1 jardas por corrida reforça a preocupação. Mike Washington Jr., em sua avaliação, mostra mais explosão.
Por outro lado, Jeanty lidera os running backs em alvos, recepções e jardas recebidas, além de continuar recebendo oportunidades perto da linha de gol. As recepções têm sido especialmente úteis durante a sequência de quatro derrotas dos Raiders, em que o placar força o time a passar mais.
Ele é o RB12 na pontuação acumulada e o RB14 em média por jogo. Pianowski vê esse valor aparente como oportunidade de negociar o jogador: Klint Kubiak demonstra frustração, admite mudanças e Washington merece uma função maior.
No quadro estatístico da reportagem, Jeanty tem 46,9 jardas terrestres por partida, um touchdown corrido, 34 recepções, 44,6 jardas recebidas por jogo e três touchdowns pelo passe.
Alvin Kamara, Saints: 44,3%
New Orleans folga na Semana 8, e Travis Etienne Jr. pode retornar depois dela. Kendre Miller tem uma média de jardas por corrida ainda menor que a de Kamara, mas isso não resolve as limitações do veterano.
Pianowski pretende utilizá-lo como RB2 de faixa baixa ou FLEX até que os resultados o obriguem a mudar. A média de 9,1 pontos em meio PPR permite esse uso, mas ele não espera contar com Kamara de maneira confiável pelo restante do ano e continuará buscando alternativas nas dispensas.
Kamara aparece no quadro da matéria com 20,8 jardas terrestres por jogo, dois touchdowns corridos, 22 recepções, 22,2 jardas recebidas por partida e um touchdown aéreo.
Tyler Allgeier, Cardinals: 41,0%
Pianowski questionou a contratação de Allgeier e, depois, a escolha de Jeremiyah Love no draft. O novato foi utilizado intensamente na pré-temporada e se machucou. Enquanto isso, Bam Knight produziu 6,4 jardas por corrida em 25 tentativas.
Allgeier recebeu 16 de 17 alvos, mas conseguiu somente 84 jardas e tem média de 5,7 pontos em meio PPR. Jacoby Brissett procura se livrar rapidamente da bola, e nenhum dos principais alvos do ataque tem média superior a 6,5 jardas por passe direcionado.
O calendário mais favorável da segunda metade da temporada pode justificar uma aposta em Love com valor reduzido, em Knight por um custo baixo ou até na experiência de Allgeier. Ainda assim, as dúvidas sobre as decisões da comissão técnica e a eficiência do ataque fazem Pianowski evitar esse backfield, a menos que o preço seja praticamente simbólico.