Análise revê expectativas da NFL após o primeiro mês da temporada
Jarrett Bell examina dez projeções que mudaram, da disputa de MVP ao início de Chargers, Cowboys, Raiders, Browns e Texans.
Um mês de temporada não oferece respostas definitivas, mas já permite rever expectativas. Em análise para o USA TODAY, Jarrett Bell destaca que poucos imaginavam o Los Angeles Chargers de Jim Harbaugh em 0–4 ou a recuperação de Deshaun Watson em campo.
A NFL segue imprevisível: o que parece claro no início de outubro pode ser esquecido em fevereiro. Ainda assim, 30 dias depois da abertura com a revanche do Super Bowl em Seattle, quando o reserva Drew Lock substituiu o lesionado Sam Darnold, há motivos para recalibrar dez projeções.
Um running back pode entrar na disputa de MVP
A expectativa era de mais um prêmio para um quarterback de grande produção. Jogadores da posição venceram nos 13 anos consecutivos depois de Adrian Peterson, que foi MVP em 2012 com uma temporada de duas mil jardas, e em 17 das 18 edições anteriores.
Brock Purdy aparece entre os principais passadores, e Patrick Mahomes, Josh Allen e Lamar Jackson seguem candidatos se estiverem saudáveis e vencendo. Mas Kenneth Walker III, Bijan Robinson e Jahmyr Gibbs podem acrescentar uma nova dimensão ao debate sobre o valor dos running backs.
Walker, MVP do Super Bowl e novo companheiro de Mahomes, lidera em jardas terrestres, com 537, e em jardas de scrimmage, com 621, pouco à frente das 614 de Robinson. Gibbs divide a liderança com sete touchdowns.
Bell também considera Mahomes favorito ao prêmio de Retorno do Ano após sua rápida recuperação de duas rupturas de ligamentos do joelho.
Defesa dos Rams ainda não entrega o cenário ideal
A união de Aaron Donald e Myles Garrett alimentou expectativas de um título do Los Angeles Rams no Super Bowl 61, em seu próprio estádio. A equipe continua entre as favoritas, mas a cirurgia no joelho de Garrett e as dores nas costas de Donald após sair da aposentadoria mostram que nada é garantido.
Os dois somam cinco prêmios de Jogador Defensivo do Ano. Há outras peças importantes, como Davante Adams, e a avaliação definitiva fica para janeiro.
Herbert e McDaniel ainda não se encaixam
A expectativa era de que Justin Herbert crescesse sob o comando ofensivo de Mike McDaniel. O início aponta na direção contrária: o quarterback dos Chargers tem os menores índices de sua carreira em passes completos, 59,7%, e passer rating, 70,6, além de quatro touchdowns e seis interceptações.
As lesões de Rashawn Slater e John Alt também pesam, mas Bell avalia que a parceria ainda não funcionou.
Cowboys continuam distantes do fim do jejum
Uma offseason sem grandes dramas sugeria uma oportunidade de mudança em Dallas, que vive um jejum de 30 anos sem Super Bowl. A reforma da pior defesa da liga, incluindo Christian Parker como coordenador, teve boas intenções, mas exigirá tempo.
A derrota para os Buccaneers antes sem vitórias e os problemas da secundária mostram o tamanho do trabalho. Mesmo em uma NFC East com outras equipes em dificuldade, vencer a divisão não basta para competir com os principais candidatos da conferência.
Reconstrução dos Raiders parece adiantada
O Las Vegas Raiders chega a 3–1, contrariando a projeção de mais um ano de pouca competitividade enquanto Fernando Mendoza aprendia. Klint Kubiak, décimo treinador da franquia desde 2011, já causou impacto na equipe que terminou como a pior da liga em 2025.
Mendoza, primeira escolha geral e campeão universitário por Indiana, segue aprendendo à beira do campo. Kirk Cousins foi uma contratação valiosa e divide com Purdy a liderança de passes para touchdown, com 11.
Ao lado do gerente geral John Spytek e com Tom Brady como sócio minoritário, Kubiak pode fazer parte de uma estrutura de direção mais duradoura, avalia Bell.
Shedeur Sanders ainda espera
A previsão de que Sanders substituiria Watson como titular do Cleveland Browns até a semana 3 não se concretizou. Watson voltou saudável, conduziu três campanhas consecutivas de vitória e levou a equipe a 3–1, na liderança da divisão.
A aposta em uma mudança na abertura do calendário em casa ganhou força depois das vaias a Watson na pré-temporada e de sua resposta pública. Agora, a discussão futura pode ser uma extensão de contrato para o veterano.
Payton retoma as chamadas dos Broncos
Davis Webb era visto como o jovem coordenador capaz de elevar Bo Nix e o ataque do Denver Broncos. Aos 31 anos, mantém um futuro promissor e uma relação próxima com o quarterback, mas a equipe marcou apenas 13 pontos em primeiros tempos, o menor total da NFL.
Para Bell, Sean Payton não deveria ter abandonado uma função que sempre foi uma de suas principais forças. A volta às chamadas foi uma resposta aos resultados. Nix e o irregular jogo terrestre também precisarão evoluir para recolocar Denver na disputa pelo título.
Rodgers e McCarthy ainda procuram a antiga conexão
Aaron Rodgers e Mike McCarthy reencontraram-se no Pittsburgh Steelers depois do sucesso em Green Bay, incluindo um título de Super Bowl. O começo de 2–2 teve momentos de tensão, embora ambos pareçam mais tranquilos do que na primeira passagem juntos.
O esquema é mais adequado a Rodgers, que provavelmente não teria voltado se McCarthy não substituísse Mike Tomlin. A antiga magia, porém, ainda não reapareceu.
Bryce Young avança em um ano de afirmação
Antes de uma extensão longa, o Carolina Panthers precisava ver algo especial de Young, em sua quarta temporada desde a primeira escolha geral. Depois do título da NFC South em 2025, o quarterback vive um início de destaque: lidera em jardas de passe, com 1.268, e tem nove touchdowns e duas interceptações.
A conexão com Tetairoa McMillan, atual Novato Ofensivo do Ano, tem grande peso. Bell vê um novo contrato no horizonte e uma evolução de liderança, além do desenvolvimento técnico que lembra Drew Brees apesar de um porte físico fora do padrão da posição.
Defesa dos Texans perde força
A projeção era de que o Houston Texans disputaria o Super Bowl desde que C.J. Stroud não comprometesse sua defesa de elite. No começo de 0–4, o quarterback não foi o problema: após quatro interceptações na derrota dos playoffs para New England em janeiro, tomou decisões melhores e ainda não lançou uma interceptação.
A defesa, primeira da liga em 2025, caiu para 20º e deixou escapar vantagens no fim do quarto período em três derrotas. Falhas de comunicação e coberturas quebradas ajudaram a levar DeMeco Ryans a reassumir as chamadas defensivas.