Análise dos Browns: vitória sobre Ravens não esconde limitações ofensivas
Jeudy e a defesa decidiram no fim, mas lentidão de Watson, corridas e terceiras descidas continuam entre os pontos de atenção.
O Cleveland Browns venceu o Baltimore Ravens por 13 a 10 em uma partida irregular entre adversários bastante afetados por lesões. O ataque dos mandantes foi ruim durante boa parte do confronto, enquanto Baltimore encontrou jogadas importantes, sobretudo em terceira descida. Ainda assim, Cleveland reagiu e chegou à liderança da AFC North.
Na avaliação de Jared Mueller, o placar baixo refletiu mais a dificuldade dos ataques do que uma exibição excepcional das defesas. A ausência de jogadores importantes apareceu no nível da partida.
Watson precisa decidir mais rápido
Deshaun Watson parece lento para escolher o passe, mudar de direção, sair correndo ou desistir de uma jogada. Até suas corridas perderam velocidade ao longo da temporada. Embora os comentaristas tenham apontado a dificuldade dos recebedores para se desmarcar, o quarterback também precisa antecipar lançamentos e criar oportunidades.
Os problemas não são todos dele, mas a hesitação tira o ritmo do ataque. A jogada em que encontrou KC Concepcion no último quarto, lançando ao completar o recuo, mostrou o tipo de execução de que a equipe precisa.
Corridas continuam sem resposta clara
Sem Quinshon Judkins, Raheim Sanders e Dylan Sampson, é difícil atribuir o problema a um único fator. No shotgun, o running back recebe a bola sem embalo e com opções mais limitadas de trajetória, facilitando a reação defensiva.
A linha também perde espaço, e há um limite para o que esperar de corredores contratados durante a temporada, vindos do mercado ou de elencos de treinos.
Jaleel McLaughlin e Audric Estime, porém, merecem reconhecimento. Os dois fizeram jogadas importantes, inclusive bloqueios na proteção ao passe e corridas no último quarto. Estime marcou o touchdown de empate. McLaughlin correu com intensidade, enfrentando os tackles e buscando cada jarda.
Blitzes criativos, mas esperados
A principal diferença entre Mike Rutenberg e Jim Schwartz está no uso dos blitzes. O antigo coordenador recorria pouco a eles; o atual os usa de maneiras criativas e, aparentemente, em muitas terceiras descidas.
Mesmo sem saber de onde virá a pressão, o ataque pode se preparar quando espera sua chegada. Baltimore explorou isso, especialmente nas terceiras descidas longas, protegendo Huntley ou colocando-o em movimento.
Jeudy responde em momento importante
Jerry Jeudy tinha três recepções para 36 jardas antes do avanço de 33 em terceira para cinco no fim. Também segurou um passe lançado atrás de seu corpo em outra jogada importante do último quarto e não cometeu drops.
Os números não foram espetaculares, mas sua capacidade de produzir após semanas com poucos alvos foi decisiva. Se Andrew Berry optar por negociá-lo, como sugerem rumores, a atuação também pode ajudar seu valor de mercado.
Terceiras descidas e oscilações
Antes do último quarto, os Browns haviam convertido apenas uma de dez terceiras descidas. Um ataque não consegue competir sem prolongar suas campanhas. Na posse do meio do último período, conversões importantes, um passe para Concepcion e uma interferência defensiva ajudaram a mudar o cenário.
As oscilações são compatíveis com um elenco jovem e com profissionais estreando nas funções de técnico principal e coordenadores ofensivo e defensivo. A juventude não é um defeito, mas a falta de experiência em posições importantes ajuda a explicar por que o time alterna momentos tão diferentes.
Szmyt erra e encontra redenção
Andre Szmyt perdeu um field goal de 48 jardas que poderia dar a liderança a Cleveland perto dos quatro minutos finais. Mesmo com chutes cada vez mais longos na NFL, nenhum kicker é garantia de acerto permanente.
O importante foi ter outra oportunidade. Szmyt voltou para uma tentativa de 37 jardas e acertou o chute que decidiu o jogo.