Análise: Stafford usa menos o meio do campo e perde eficiência nos Rams
Nate Tice aponta mudança nas zonas de passe de Stafford. Quarterback tem seis touchdowns, seis interceptações e passer rating de 80,5 em quatro jogos.
Matthew Stafford chega ao duelo com o Buffalo Bills no Monday Night Football em busca da forma que o levou ao prêmio de MVP da NFL na temporada anterior. Em análise apresentada por Brendan Dzwierzynski, Nate Tice considera o começo de ano do quarterback do Los Angeles Rams incomum, especialmente pela menor frequência de passes para o meio do campo.
Em quatro partidas, Stafford lançou seis touchdowns e seis interceptações, incluindo dois jogos sem Puka Nacua, seu principal recebedor. O passer rating caiu de 109,2 na temporada passada para 80,5 naquele início de 2026.
Tice, ex-quarterback universitário, ex-integrante de comissão técnica na NFL e apresentador do Football 301, observou também que Stafford já havia saído do pocket para correr mais vezes em 2026 do que em todo o ano de 2025.
Menos passes intermediários entre os números
Ao comentar o jogo contra o Philadelphia Eagles, Tice disse que a defesa usou muitas coberturas cover 2 e cover 6. Diferentemente do que havia visto em outras ocasiões, os Rams não responderam com a mesma frequência de rotas que cortam para o interior do campo.
“Tudo era para fora e vertical. Não é assim que se vence a cover 2. Agora Stafford simplesmente não está lançando muito pelo meio”, resumiu o analista.
Os números citados sustentam essa leitura. Apenas 6,5% dos passes de Stafford estavam direcionados à faixa intermediária central, entre os números e de dez a 22 jardas além da linha de scrimmage.
Tice considera o índice um dos menores da NFL naquele recorte. A proporção era superior a 11,5% na temporada anterior e ficava perto de 14% em 2021, quando Stafford chegou a Los Angeles.
Wide receivers recebem uma fatia menor dos alvos
Outra mudança aparece na distribuição de passes por posição. Os wide receivers recebiam aproximadamente 48% dos alvos em 2026, ante quase 61,5% na temporada passada e cerca de 73% em 2024.
O texto reconhece explicações possíveis. Nacua vinha enfrentando problemas físicos, e exigir muitas rotas para dentro de um Davante Adams mais velho poderia não ser a melhor estratégia. A linha ofensiva também não teve atuação perfeita.
Além disso, os Rams mantêm vários tight ends no elenco, cuja utilização naturalmente difere da dos wide receivers. Esses fatores ajudam a contextualizar a mudança, sem eliminar a validade da observação de Tice.
Consequências para as jogadas explosivas
Sean McVay busca criar avanços grandes. Uma maneira consistente de fazer isso é lançar para recebedores que encontram espaço pelo meio e podem avançar depois da recepção.
Essa não é a única forma de produzir jardas após o passe recebido, mas reduzir fortemente o uso dessa região pode afetar o ataque e a produção de Stafford, argumenta Dzwierzynski.
A conclusão não é que o quarterback esteja em declínio definitivo. O autor considera cedo para soar o alarme, mas vê uma diferença clara no funcionamento do ataque. O jogo de segunda-feira oferece a próxima oportunidade de Stafford mostrar a eficiência que o levou ao prêmio de MVP.