Cinco conclusões sobre os Browns após derrota para os Steelers
Análise aponta falhas contra a corrida e na proteção, destaca Harold Fannin Jr. e questiona o futuro de Deshaun Watson.
O Cleveland Browns entrou no segundo confronto da temporada contra o Pittsburgh Steelers com campanha de 5-2 e dividido na liderança da AFC North. Depois de vencer por 27 a 24 na Semana 4, Cleveland perdeu por 27 a 6. Pittsburgh assumiu a ponta, enquanto os Browns caíram para terceiro após a vitória do Cincinnati Bengals sobre o Tennessee Titans.
Barry Shuck, do Dawgs By Nature, apresentou cinco conclusões sobre a derrota e seus possíveis efeitos para a equipe.
O futuro de Deshaun Watson
Na opinião de Shuck, os Browns não devem oferecer uma extensão ao quarterback Deshaun Watson. A comissão técnica não indicou que pretende colocá-lo no banco pelo restante da temporada, mas o autor considera seu desempenho irregular e distante do nível que apresentou em Clemson e no Houston Texans. Watson entrou no protocolo de concussão na quarta-feira, deixando sua disponibilidade incerta.
Segundo o texto, Watson ainda não completou uma temporada inteira desde que chegou a Cleveland em 2022 e perdeu 57 jogos. Shuck considera que ele teve apenas duas grandes atuações pelos Browns: na vitória por 33 a 31 sobre Baltimore na Semana 10 de 2023 e no triunfo por 27 a 24 sobre Tennessee na Semana 7 desta temporada.
O quarterback também teve bons percentuais de passes completos neste ano: 80% contra Tampa Bay, 72,7% contra Jacksonville e no primeiro jogo contra Pittsburgh, e 69,4% contra Tennessee. As cinco vitórias de Cleveland vieram com viradas lideradas por Watson, segundo a análise.
Havia discussões sobre renová-lo caso os Browns chegassem à pós-temporada. Shuck diz que a derrota para os Jets colocou essa ideia em dúvida: Watson completou 45,5% dos passes e teve dificuldades diante da pressão. Para o autor, Pittsburgh seguiu o mesmo caminho, limitando o quarterback e explorando sua dificuldade para escapar do pocket e concluir campanhas, especialmente na red zone.
Ao fim do primeiro quarto, Watson tinha um passe completo em duas tentativas para três jardas, sem pontos. No intervalo, estava com nove em 13 para 107 jardas, havia sofrido quatro sacks e o ataque anotara apenas dois field goals. Cleveland não pontuou no segundo tempo. Na avaliação do colunista, a conversa sobre Watson como possível vencedor do prêmio de retorno do ano perdeu força.
O centro da defesa contra a corrida
Os Steelers correram para 200 jardas, sendo 143 de Jaylen Warren, principalmente pelo meio. Shuck observou que o linebacker Carson Schwesinger foi frequentemente deslocado por bloqueios de tight ends ou de jogadores da linha ofensiva.
Em uma corrida de 51 jardas no primeiro quarto, o right guard tirou Maliek Collins da posição e o center bloqueou Mason Graham antes de Mason McCormick completar o bloqueio e empurrá-lo para a esquerda. O center Zach Frazier avançou pelo espaço e bloqueou Schwesinger, enquanto o right tackle calouro Max Iheanchor chegou ao segundo nível e neutralizou Quincy Williams.
Mais adiante, o recebedor Brandon Smith prejudicou o ângulo de Denzel Ward, e Warren passou pelo cornerback. O running back também escapou de Grant Delpit antes de Tyson Campbell atravessar o campo para fazer o tackle, com ajuda de Schwesinger. A jogada colocou Pittsburgh em posição de field goal.
Segundo o levantamento do autor, Pittsburgh correu uma vez pelo lado externo direito, três entre right tackle e right guard, 19 pelo meio, uma entre left tackle e left guard e quatro pelo lado externo esquerdo. As 19 corridas pelo meio renderam, em jardas: 15, 9 para touchdown, 15, 51, 0, -2, 4, 23, 5, 6, 1 para touchdown, 2, 3, 13, 2, 1, 4, -1 e -1.
Na opinião de Shuck, os Steelers forneceram aos próximos adversários um modelo para atacar a defesa de Cleveland.
Harold Fannin Jr. como destaque
Shuck considera o tight end Harold Fannin Jr. o melhor jogador de Cleveland. Pittsburgh priorizou impedir as grandes jogadas dos wide receivers e abriu espaço para Fannin. Denzel Boston recebeu seis passes para 37 jardas, Jerry Jeudy não teve recepções e KC Concepcion pegou três para 37 jardas.
Fannin recebeu dez dos 12 passes lançados em sua direção para 154 jardas. O autor observa que ele não é uma ameaça profunda típica, mas ganha jardas após a recepção e é difícil de derrubar. Das 411 jardas recebidas mencionadas na análise, 233 vieram depois da recepção. Com a saída de Myles Garrett, Shuck o vê como a nova cara dos Browns.
A segurança do kicker
Andre Szmyt transforma campanhas interrompidas em pontos, observa o colunista. O kicker havia errado apenas dois field goals, ambos entre 40 e 49 jardas, convertido suas duas tentativas de 50 jardas ou mais e acertado 11 de 12 extra points.
Dos 139 pontos de Cleveland, 59 — cerca de 43% — foram anotados por Szmyt. Ele marcou todos os pontos do time contra Pittsburgh.
Problemas na linha ofensiva
Para Shuck, a linha ofensiva é uma preocupação. Desde a Semana 1, a única mudança permanente foi a entrada de Austin Barber como right guard no lugar de Teven Jenkins, afastado por problemas nas costas. O autor não atribui as dificuldades apenas à continuidade do grupo.
Nas jogadas de passe, Pittsburgh empurrou center e guards para trás com força, comprimindo o pocket pelo centro. Quando Watson tentava sair, os defensores de borda fechavam as rotas de fuga. Cleveland sofreu oito sacks contra Pittsburgh e outros oito diante dos Jets.
O calouro Spencer Fano tem boa temporada como bloqueador de corrida e passe, na avaliação do autor, mas comete faltas: contra os Steelers, recebeu duas marcações de holding, das quais uma foi aceita. Tytus Howard, apelidado por torcedores em Houston de “Sr. Saída Falsa”, voltou a cometer a infração e é considerado por Shuck um bloqueador mediano na corrida.
Barber aparecia em 24º entre 75 right guards qualificados, embora defensores maiores por vezes o afastem da jogada. O autor elogia o center Elgton Jenkins como protetor de passe e líder, e considera que o left guard Zion Johnson está se sustentando.
Shuck questiona se o problema é de comunicação. Os dois calouros não estariam jogando mal individualmente e, embora a linha tenha sido formada nesta temporada, já teve training camp, pré-temporada e oito jogos para criar entrosamento. As notas individuais do Pro Football Focus seriam médias ou boas.
Seja qual for a causa, o pocket não tem durado o suficiente, conclui o colunista. Sem tempo para observar o campo e encontrar recebedores livres, qualquer quarterback terá dificuldades no restante do calendário.