Crise do ataque dos Seahawks expõe problemas que já apareciam em 2025
Análise relaciona queda de Darnold, falta de corridas e mudanças na proteção a sinais anteriores à chegada do coordenador Brian Fleury.
O ataque dos Seahawks está mal, e os pontos marcados não representam adequadamente a extensão do problema. Essa é a avaliação do Field Gulls depois da derrota por 17 a 14 na prorrogação para os Broncos, resultado que deixou Seattle com três vitórias e três derrotas.
Na leitura da coluna, a queda pode custar uma vaga nos playoffs e já tornou a disputa pelo título da NFC West muito difícil, salvo um colapso dos 49ers. As três derrotas vieram por diferença combinada de oito pontos, mas com saldo de turnovers de menos sete.
Sam Darnold joga abaixo do esperado, a ponto de alimentar discussões sobre uma troca de titular. O jogo terrestre acumula lesões e dificuldades. Jaxon Smith-Njigba é a principal exceção em uma unidade que o autor compara aos ataques pouco produtivos de Seattle do começo dos anos 1990.
O novo coordenador Brian Fleury tem recebido muitas críticas. A coluna não o isenta, mas argumenta que parte dos problemas começou no fim da temporada anterior, ainda sob Klint Kubiak.
Sinais de alerta apareceram antes do título
Antes do último jogo da temporada regular de 2025, contra San Francisco, o autor já havia analisado a desaceleração ofensiva durante uma sequência de seis vitórias. O ataque de alta pontuação da primeira metade do ano havia perdido eficiência, apesar dos resultados.
O passe caiu a partir da derrota para os Rams. O jogo terrestre melhorou, mas Darnold deixou de sustentar seu começo forte. Não foi apenas a partida de quatro interceptações contra Los Angeles: mesmo retirando aquele confronto, sua taxa de sacks seria pior. A unidade também era mais explosiva antes daquela derrota.
As defesas passaram a mandar mais blitzes e a concentrar menos jogadores perto da linha de scrimmage. Quatro das seis maiores taxas de blitz enfrentadas por Darnold vieram da Semana 11 em diante, incluindo a pressão da defesa dos Vikings de Brian Flores. Até Carolina mandou jogadores extras em mais da metade de seus dropbacks.
Darnold já era um dos quarterbacks mais blitzados e, no conjunto, respondia bem, mas a frequência cresceu. Ao mesmo tempo, a presença de oito ou mais defensores no box caiu de mais de 35% para perto de 30%. Os adversários demonstravam menos preocupação com a corrida e desafiavam o quarterback a vencê-los.
Passe sem play-action e campos curtos eram pontos sensíveis
Quando Darnold estava em alta, Seattle tinha o melhor ataque aéreo da NFL em play-action. Sem a ameaça de entrega da bola ao running back, o rendimento era muito pior. Naquele levantamento de 2025, ele aparecia em 23º no valor esperado de pontos por dropback sem play-action, situação em que vinha a maioria de suas interceptações.
A pontuação se mantinha, em parte, por touchdowns da defesa e dos special teams, além de posses começadas muito perto da end zone. Da Semana 12 em diante, os Seahawks lideraram a liga em campanhas de touchdown iniciadas no meio do campo ou em posição ainda melhor.
Nas primeiras 11 semanas, aproximadamente 25% das posses iniciadas antes da própria linha de 30 jardas terminavam em touchdown. No recorte final apresentado, a proporção caiu para perto de 10%, a 28ª marca da liga.
A corrida ofereceu uma saída: o EPA terrestre melhorou bastante, embora a taxa de sucesso tenha subido de forma mais moderada. Esse crescimento foi decisivo para o que Seattle conseguiu fazer no Super Bowl.
Griff, do podcast Seattle Overload, reforçou em publicação de 16 de outubro que o EPA do passe entre as Semanas 11 e 18 de 2025 foi apenas o 23º da NFL. A caminhada até o título ajudou a encobrir a queda, mas Kubiak e Darnold já conviviam com ela.
Em 2026, o problema se espalhou
Mesmo com uma temporada dominante de Smith-Njigba, o ataque aparece mal em quase todos os indicadores apresentados:
| Indicador ofensivo | Posição na NFL |
|---|---|
| EPA por jogada | 25º |
| EPA por passe | 18º |
| EPA por corrida | 31º |
| Taxa de sacks | 9º |
| Jardas líquidas por tentativa de passe | 16º |
| Conversões de terceira descida | 28º |
| Touchdowns na red zone | 18º |
| Jardas por jogada | 16º |
O autor considera que a atuação de Drew Lock contra os Cardinals provavelmente melhora a classificação geral do passe, sem representar o rendimento de Darnold.
O titular é 24º em EPA por jogada em passes com play-action, prejudicado por três interceptações e nenhum touchdown. Sem play-action, está em 25º em EPA por dropback, logo atrás de Bo Nix. Portanto, nem a principal ferramenta de proteção do esquema está funcionando.
Menos jogadores no box, mas sem resposta terrestre
As lesões de Jadarian Price e Zach Charbonnet ajudam a explicar a dificuldade, mas não eliminam o problema. Seattle enfrenta oito ou mais defensores no box em apenas 23,6% das corridas, a 15ª taxa da liga e cerca de nove pontos percentuais abaixo de 2025.
Ainda assim, é 25º em EPA terrestre contra boxes leves. As jardas após contato nessas situações caíram do 11º lugar em 2025 para o 19º. Nos dois jogos mais recentes, os adversários concentraram defensores no box em apenas 15% das jogadas; os running backs de Seattle não produziram nenhuma corrida explosiva contra os 49ers e apenas três contra Denver.
Darnold continua vulnerável à pressão
O quarterback enfrenta blitz em quase 37% dos dropbacks, a quinta maior frequência da liga. Já era uma taxa alta em 2025, quando ficou em 34,8%.
Sob pressão, aparece em último no EPA por dropback do levantamento citado. Foi 30º nesse mesmo indicador no ano anterior. A coluna identifica, portanto, uma fragilidade recorrente, agravada pelo esquema e pela proteção.
O problema não se limita a uma decisão ruim ou a uma partida. Quando as defesas conseguem incomodá-lo, o desempenho desaba.
Ataque depende demais da posição inicial
Seattle teve 40 posses começadas na própria linha de 30 jardas ou mais atrás nesta temporada. Apenas cinco terminaram em touchdown, a 26ª proporção da liga, segundo o Stathead.
Na sequência recente de três jogos, as campanhas de touchdown percorreram 23, 65, 20, 68, 24, 23 e 67 jardas. Da Semana 4 em diante, a média apresentada é de 41 jardas.
Com Lock contra Arizona, houve campanhas de 86, 80 e 70 jardas. Darnold conduziu posses de 90 e 80 contra Washington. Fora dessas exceções, o ataque tem dificuldade para atravessar o campo.
O padrão do fim de 2025 persiste: a unidade rende melhor quando começa a poucas primeiras descidas da distância de field goal. Para o autor, depender permanentemente dessa vantagem não é sustentável.
Corrida e proteção deixaram de oferecer o mesmo apoio
Kenneth Walker III e Charbonnet, antes de se lesionar, deram ao ataque uma solução quando ganharam ritmo no ano anterior. Emanuel Wilson e George Holani ainda não produziram uma resposta equivalente. Com o passe travado e sem uma corrida de apoio, as alternativas diminuem.
Outro ponto é o quanto Kubiak protegia a linha ofensiva. Segundo o levantamento divulgado pelo Hawkblogger, Seattle foi o time que mais usou sete ou mais bloqueadores em 2025. Antes do jogo de quinta-feira, era apenas o 27º nesse uso em 2026.
Os números ofensivos são fortemente positivos quando mais jogadores ficam para proteger, observou Brian Nemhauser. A mudança transfere maior responsabilidade para os cinco linemen.
Na visão da coluna, a linha não atua bem, e Fleury tampouco a ajuda o suficiente nas chamadas. Não cabe colocar tudo sobre Darnold quando um veterano como Abe Lucas é superado por Nik Bonitto e o interior perde confrontos contra defensive tackles superiores.
Repetir 2025 não é uma solução automática
Dizer apenas que Seattle deveria voltar ao ataque de Kubiak simplifica o problema. O antigo coordenador não está mais lá, e sua unidade já havia encontrado obstáculos antes de vencer com apoio maior da corrida.
Kubiak conhecia os conceitos de que Darnold gostava e que executava bem. Os dois tiveram uma grande atuação na final da NFC. O autor não tem a mesma certeza sobre a relação entre o quarterback e Fleury.
Uma hipótese da análise é que Kubiak tenha extraído o máximo possível de um passador com limitações antigas em situações de passe puro. Outra é que o sistema atual esteja ajudando pouco tanto Darnold quanto a linha a repetir o bom nível de 2024 e 2025.
Somando o fim de 2025 ao começo de 2026, já há quase uma temporada inteira de passe irregular fora da produção de Smith-Njigba. As defesas aprenderam a reduzir o play-action, não precisam respeitar tanto a corrida e aceitam que o principal recebedor produza se o restante do ataque não acompanhar.
Seattle precisa encontrar respostas rapidamente. Caso contrário, conclui a coluna, a temporada pode terminar em frustração e provocar uma revisão significativa do ataque na próxima intertemporada.