De McKee a Mailata: dez observações sobre a turbulenta semana dos Eagles
Coluna reúne história, projeções para a linha ofensiva e os números que explicam as dificuldades de Philadelphia no segundo tempo.
Em apenas 18 dias, os Eagles foram dominados pelos Bears, perderam uma vantagem de dez pontos no último quarto contra os Rams, viajaram para Londres e voltaram com outra derrota, mesmo tendo assumido a liderança a oito segundos do fim contra os Jaguars.
Nesse período, Lane Johnson se aposentou, Cam Jurgens foi trocado, Saquon Barkley se machucou e veio a notícia sobre o coágulo de Jalen Hurts. “E ainda é só a Semana 6”, exclamou Jordan Mailata no vestiário na quinta-feira.
É nesse ambiente que Reuben Frank reúne suas dez observações da semana.
1. O que torna Tanner McKee um caso raro
Enquanto Hurts se recupera, McKee será o quarterback dos Eagles. É incomum um passador escolhido tão tarde no draft chegar a partidas como titular. Em 94 anos de história, Philadelphia teve apenas outro quarterback de sexta ou sétima rodada começando jogos: Koy Detmer, escolhido na sétima em 1997, somou três vitórias e cinco derrotas como titular entre 1998 e 2004.
McKee, seleção de sexta rodada de 2023, tem uma vitória e uma derrota em duas partidas como titular antes de enfrentar Carolina. O outro quarterback de sexta ou sétima rodada que começou um jogo nesta temporada é Brock Purdy, escolhido pelos 49ers na sétima em 2022.
No recorte da coluna, Purdy, Tom Brady e Matt Hasselbeck são os únicos quarterbacks escolhidos da sexta rodada em diante a vencer um jogo de playoffs nos últimos 20 anos. Tyrod Taylor e Gardner Minshew tiveram sucesso ocasional, mas, excluindo Brady e Purdy, os exemplos mais recentes de dez vitórias em uma temporada são Ryan Fitzpatrick com os Jets em 2015 e Matt Cassel com os Chiefs em 2010.
Entre 165 passadores escolhidos na sexta ou sétima rodada com ao menos 50 tentativas na NFL, o rating de 95,7 de McKee é o terceiro do levantamento, atrás de Purdy, 105,4, e Brady, 97,2. Ele tem cinco passes para touchdown e uma interceptação na carreira.
Frank o considera inteligente, preciso, confiante, rápido para soltar a bola, conhecedor do ataque e respeitado pelos companheiros. A expectativa é que consiga cumprir sua função enquanto Hurts estiver fora, com o desejo de que o titular se recupere logo.
2. O futuro de Landon Dickerson
Se os Eagles aceitaram trocar Jurgens, Frank questiona por que não considerariam uma proposta adequada por Dickerson. Sua hipótese envolve os mesmos fatores: liberar dinheiro futuro, negociar um jogador do interior da linha perto dos 30 anos e acumular escolhas.
A diferença é que Drew Kendall era visto como sucessor de Jurgens. O autor não sabe se a equipe atribui essa condição a Jake Majors, Willie Lampkin ou Micah Morris como left guards.
Johnson, Jurgens e Dickerson somam 11 seleções ao Pro Bowl e podem deixar de integrar a unidade em um intervalo curto. Tyler Steen também não tem contrato além desta temporada e, na avaliação da coluna, caiu de rendimento. Mailata poderia ser o único remanescente de uma reformulação quase completa.
Howie Roseman acertou várias escolhas para a linha ao longo dos anos, com exceções conhecidas, e talvez precise repetir esse trabalho. Trata-se de uma projeção do colunista, não de uma negociação anunciada.
3. A história de Rhett Hall e os coágulos
Ray Rhodes levou o defensive tackle Rhett Hall para Philadelphia em 1995, depois de trabalharem juntos nos 49ers campeões do Super Bowl de 1994.
Logo após o training camp, em agosto de 1995, o treinador de linha defensiva Mike Trgovac percebeu que Hall não parecia bem. O jogador relatou que seu pulso em repouso estava aproximadamente duas vezes mais rápido que o normal. O responsável médico Otho Davis o examinou e identificou uma situação séria.
Hall foi levado ao Thomas Jefferson Hospital, onde recebeu o diagnóstico de múltiplos coágulos que haviam chegado aos pulmões. A coluna atribui à rapidez de Trgovac e Davis um papel decisivo no atendimento.
Tratado com anticoagulantes, Hall perdeu três meses e foi liberado no fim de novembro. Voltou por duas partidas antes de uma lesão no joelho encerrar seu ano e afastá-lo dos playoffs. Depois disso, disputou mais três temporadas pelos Eagles sem complicações dos coágulos.
“Quando você recebe um diagnóstico desses, passa a colocar o futebol em perspectiva”, disse Hall ao site dos Eagles em 2010. Sua prioridade era recuperar a saúde; após algumas semanas, acreditou que ficaria bem e voltaria a jogar, restando saber quando.
Frank ressalta que não é possível estabelecer o quanto aquele caso se compara ao de Hurts. O retorno de Hall é um episódio histórico encorajador, mas não determina o tratamento ou o prazo do quarterback. Problemas persistentes no joelho encerraram a carreira de Hall depois de 1998.
4. A temporada de Irving Fryar aos 35 anos
Em 1997, Fryar recebeu 86 passes para 1.316 jardas, cerca de 300 a mais do que qualquer jogador daquela idade havia conseguido. A marca continua sendo a maior de um atleta com 35 anos ou mais no levantamento citado.
No ano anterior, aos 34, ele já somara 1.195 jardas. É um dos três jogadores com múltiplas temporadas de 1.150 jardas depois de completar 34 anos, ao lado de Cris Carter e Jerry Rice. Suas 3.869 jardas depois dessa idade são a quinta maior marca histórica.
Apenas outros dois Eagles tiveram uma temporada com 85 recepções e 1.300 jardas ainda na faixa dos 20 anos: A.J. Brown e Jeremy Maclin. Fryar conseguiu isso aos 35. Entre os demais recebedores da franquia com pelo menos 35 anos, o melhor total citado é de James Lofton: 167 jardas em 1993, aos 37.
5. Campanhas longas quase não terminam em touchdown
Os Eagles começaram 24 posses na própria linha de 30 jardas ou mais atrás e marcaram três touchdowns. As outras terminaram com 13 punts, quatro interceptações, um fumble e três perdas de posse por descidas.
Apenas os Broncos fizeram menos touchdowns nessas condições, com um. Rams, Panthers, Bills e Cowboys tiveram nove campanhas de touchdown de pelo menos 70 jardas. A média de conversão da liga é 20,1%; Philadelphia está em 12,5%.
6. Um número positivo de Jalen Hurts
O duelo com os Jaguars foi o 42º de Hurts com ao menos um passe para touchdown e nenhuma interceptação em 87 partidas como titular.
Somente Russell Wilson e Patrick Mahomes, com 44 cada, tiveram mais jogos assim nas primeiras 87 partidas iniciadas. Entre 22 quarterbacks do Hall da Fama citados na comparação, Steve Young tinha a maior marca, com 34.
7. A produção rara de Darius Cooper
Cooper é o primeiro wide receiver não escolhido no draft, de até 24 anos, a chegar a quatro touchdowns nos cinco primeiros jogos de uma temporada em 41 anos. Dennis McKinnon tinha seis pelos Bears em 1985, também aos 24, no caminho para o título.
A coluna lembra outros exemplos de recebedores não draftados que atingiram quatro touchdowns nas cinco primeiras partidas antes de completar 25 anos: Willie Frazier, dos Oilers, em 1965; Dan Reeves, dos Cowboys, em 1968; Steve Watson, dos Broncos, em 1981; e Bobby Johnson, dos Giants, em 1984.
8. Cinco medidas do problema depois do intervalo
- Philadelphia tem apenas 21 jogadas ofensivas de dez ou mais jardas no segundo tempo, a menor marca da liga.
- São 24 primeiras descidas depois do intervalo, 11 a menos que Miami, o próximo pior. Pelo passe, são 16, quatro a menos que Chiefs e Dolphins. Pela corrida, oito, em 31º, duas a mais que Green Bay.
- A conversão de terceiras descidas é de 29,7%, em 30º, à frente de Steelers, com 26,7%, e Ravens, com 25,9%.
- A média é de 3,5 jardas por jogada, quase uma jarda abaixo de qualquer outro time; os Vikings, em 31º, têm 4,3.
- O time pontuou em apenas cinco de 29 posses do segundo tempo. Tennessee, o próximo pior, pontuou em seis. Os Eagles têm dois touchdowns nesse período, metade dos totais de Colts e Titans. A liga pontua em cerca de 40% das posses e marca touchdowns em 25%; Philadelphia está em aproximadamente 17% e 7%, respectivamente. Nenhum outro time está abaixo de 27% em pontuação ou de 17% em touchdowns nesse recorte.
9. Sacks abaixo do esperado
Os seis sacks dos Eagles igualam seu menor total em cinco jogos desde 1993, quando tiveram cinco. Em 1997, também eram seis. Os jogadores de borda somam apenas dois, ambos de Nolan Smith.
Desde que sacks se tornaram estatística oficial, em 1982, a lista de titulares de borda dos Eagles sem nenhum nos cinco primeiros jogos inclui Clyde Simmons, em 1990; Mike Mamula, em 1997; Greg Jefferson, em 1999; Ndukwe Kalu, em 2003; Trent Cole, em 2013; Derek Barnett, em 2021; e Jalyx Hunt, em 2025 e 2026.
10. Britain Covey e uma dupla de retornos pouco comum
Covey teve um retorno de punt de 41 jardas contra os Rams e um de kickoff de 42 contra os Jaguars. O Eagle anterior a combinar retornos dos dois tipos de pelo menos 40 jardas na mesma temporada havia sido Jorrick Calvin, em 2010.
Calvin conseguiu 44 jardas em um punt contra os Falcons na Semana 6 e 41 em um kickoff contra os Titans na seguinte. Eram apenas seu sexto retorno de punt e seu sétimo de kickoff na carreira. Seus 12 jogos por Philadelphia naquele ano foram os únicos que disputou na NFL.
Outros Eagles com essa combinação desde 1941, início da base histórica usada: Steve Van Buren, em 1944 e 1946; Bosh Pritchard, em 1946 e 1948; Clyde Scott, em 1949; Don Stevens, em 1952; Al Pollard, em 1953; Billy Wells, em 1958; Art Powell, em 1959; Timmy Brown, em 1961 e 1964; Irv Cross, em 1965; Aaron Martin, em 1966; Alvin Haymond, em 1968; Billy Walik, em 1971; Larry Marshall, em 1977; Wally Henry, em 1981; Vai Sikahema, em 1992; Mark Seay, em 1996; Brian Mitchell, em 2000, 2001 e 2002; e Brian Westbrook, em 2003.