Draft da NFL 2026: Raiders e times de Nova York se destacam; Rams dividem opiniões
Análise do Draft de 2026 destaca reforços dos Raiders, Giants e Jets, questiona a escolha dos Rams por Ty Simpson e aponta recorde de público em Pittsburgh.
O Draft da NFL de 2026 terminou com 257 jogadores selecionados em três dias, escolhas inesperadas e novas perspectivas para franquias que buscavam reagir. Em análise publicada em 27 de abril, Paul Higham, da BBC Sport, destacou o trabalho do Las Vegas Raiders, do New York Giants e do New York Jets, enquanto a decisão do Los Angeles Rams de investir em um quarterback dividiu opiniões.
As avaliações a seguir refletem o cenário logo após o draft e as projeções para a temporada de 2026.
Rams: sucessão de Stafford ou oportunidade perdida?
A escolha de Ty Simpson, quarterback de Alabama, na 13ª posição foi apontada como a maior surpresa do evento. Ele não era considerado de forma consensual um talento de primeira rodada, e os Rams já contavam com Matthew Stafford, MVP da temporada anterior.
Na avaliação do autor, a franquia tinha um elenco capaz de disputar o Super Bowl e poderia usar uma escolha tão alta em um reforço de impacto imediato, como um pass rusher ou recebedor.
Stafford tinha 38 anos e decidia sua continuidade temporada a temporada, o que tornava compreensível a busca por um sucessor. A dúvida era se aquela seria a melhor maneira de aproveitar a janela competitiva do veterano, já que Simpson provavelmente não entraria em campo em 2026.
A reação contida do treinador Sean McVay à escolha viralizou. Ele explicou que evitou demonstrar entusiasmo excessivo por respeito a Stafford. Os Rams também haviam reforçado a secundária com os cornerbacks Trent McDuffie e Jaylen Watson; a avaliação definitiva do draft dependeria do tempo.
Raiders cercam Mendoza de apoio
A escolha de Fernando Mendoza na primeira posição geral não surpreendeu. O ponto central, segundo a análise, era construir uma estrutura que permitisse ao quarterback se desenvolver.
Os Raiders chegavam à sétima temporada em Las Vegas com seu sexto treinador principal, mas as escolhas indicavam uma direção mais estável após anos de mudanças.
Um dos destaques foi o cornerback Jermod McCoy, de Tennessee, selecionado na quarta rodada, na posição 101. Ele havia perdido toda a temporada anterior por uma ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho, o que contribuiu para sua queda no draft.
McCoy afirmava estar recuperado. Na projeção do texto, sua habilidade e a chegada do safety Treydan Stukes poderiam acrescentar jogadores capazes de decidir lances na secundária.
Mendoza também encontraria o running back Ashton Jeanty e o tight end Brock Bowers, ambos escolhas de primeira rodada, além do center Tyler Linderbaum, contratado com um investimento elevado. Esse conjunto colocava Las Vegas entre os possíveis vencedores do draft.
Giants e Jets dão sinais de renovação
As duas franquias de Nova York precisavam de uma boa classe. Os Giants tinham apenas duas participações nos playoffs em 14 temporadas; os Jets acumulavam 15 temporadas fora da pós-temporada, a maior sequência ativa do esporte americano no recorte da reportagem.
Com cinco escolhas de primeira rodada entre os dois clubes, ambos receberam uma avaliação positiva.
Nos Giants, a contratação de John Harbaugh para o comando já havia sido vista como um avanço. A chegada do pass rusher Arvell Reese na quinta posição reforçava uma defesa promissora.
O quarterback Jaxson Dart ganhou outra opção com o recebedor Malachi Fields, escolhido na terceira rodada. Ao lado de Malik Nabers, ele poderia ajudar o ataque a dar um salto.
Os Jets ainda estavam mais atrás em seu processo de transformação, mas acrescentaram David Bailey, Kenyon Sadiq e Omar Cooper na primeira rodada, reforçando o pass rush e o jogo aéreo.
Cade Klubnik, quarterback escolhido na quarta rodada, representava uma aposta de desenvolvimento e uma alternativa caso o veterano Geno Smith enfrentasse dificuldades.
Pittsburgh bate recorde de público
O draft reuniu um público acumulado de 805 mil ao longo dos três dias em Pittsburgh. A primeira rodada, na quinta-feira, teve 320 mil, também um recorde para um único dia.
Os totais superaram os 775 mil registrados em Detroit em 2024 e os 600 mil de Green Bay em 2025.
Para Higham, a NFL transformou um evento baseado na leitura de nomes em sua segunda maior atração anual, atrás do Super Bowl. O draft envolve os 32 times e oferece aos torcedores a esperança de uma mudança rápida de patamar.
Washington, D.C., receberia a edição seguinte. O comissário Roger Goodell disse que representantes de dez cidades haviam visitado Pittsburgh para observar o evento e avaliar futuras candidaturas.
Participação internacional e disputa por Makai Lemon
O britânico Seydou Traore e o nigeriano Uar Bernard fizeram história pelo International Player Pathway. O tight end Traore, formado pela NFL Academy, foi escolhido pelo Miami Dolphins; Bernard, que nunca havia disputado futebol americano, foi selecionado pelo Philadelphia Eagles por seu potencial físico.
Os Eagles também protagonizaram uma disputa na primeira rodada. Makai Lemon estava ao telefone com o Pittsburgh Steelers, que pretendia selecioná-lo na posição 21, quando recebeu uma ligação de Philadelphia.
A franquia havia subido para a posição 20 e escolhido o recebedor antes do rival da Pensilvânia, frustrando os torcedores presentes em Pittsburgh.
Browns reforçam recebedores, mas ampliam disputa entre quarterbacks
O Cleveland Browns fez seis trocas nas cinco primeiras rodadas e tornou-se o primeiro time em 30 anos a selecionar dois recebedores entre as 40 primeiras escolhas: KC Concepcion, na posição 24, e Denzel Boston, na 39.
Ao acrescentar Taylen Green, também foi o primeiro clube em 15 anos a escolher três quarterbacks em dois drafts. Green se juntava a Deshaun Watson, Shedeur Sanders e Dillon Gabriel, deixando uma disputa com quatro nomes para o início da temporada.
O autor reconheceu a qualidade de parte das escolhas, mas apontou a indefinição na posição mais importante do ataque.
Queda de Nussmeier e dúvidas sobre 49ers e Jaguars
Garrett Nussmeier, de LSU, poderia ter sido uma escolha de primeira rodada se tivesse entrado no draft um ano antes, segundo a análise. Em 2026, saiu apenas na posição 249, na sétima rodada.
Seu destino, porém, oferecia uma oportunidade: o Kansas City Chiefs tinha Justin Fields como concorrente pelo posto de reserva do lesionado Patrick Mahomes. Para o autor, a situação podia transformar uma queda no draft em uma chance favorável de desenvolvimento.
San Francisco 49ers e Jacksonville Jaguars receberam avaliações menos positivas por escolhas consideradas antecipadas em relação aos rankings anteriores ao evento.
Depois de sair da primeira rodada, San Francisco selecionou De'Zhaun Stribling na abertura da segunda, acima de onde muitos o projetavam. Na terceira rodada, escolheu o running back Kaelon Black, que não havia sido convidado para o NFL Combine. O histórico recente do clube com escolhas de segunda rodada e corredores aumentava as dúvidas.
Jacksonville também escolheu seus quatro primeiros jogadores bem antes das posições em que apareciam em muitos rankings. No segundo draft do general manager James Gladstone, de 35 anos, o resultado poderia revelar boas descobertas ou erros importantes — uma conclusão que ainda dependeria do desenvolvimento desses atletas.