Eagles após Londres: 8 destaques, 8 decepções e 6 dúvidas
Brandon Lee Gowton analisa a derrota para os Jaguars, valorizando a defesa e cobrando ataque e gestão do fim do jogo.
O Philadelphia Eagles esteve perto da vitória em Londres, mas o field goal de Cam Little no último segundo deu ao Jacksonville Jaguars o triunfo por 19 a 17. Philadelphia chegou à terceira derrota consecutiva e está com campanha de 2–3.
Brandon Lee Gowton divide sua análise em oito destaques positivos, oito decepções e seis casos que ainda deixam dúvidas. As classificações e cobranças abaixo refletem a avaliação do autor.
Os oito destaques positivos
Jalen Carter
Carter pareceu mais saudável e eficiente com uma imobilização menos restritiva para a fissura no punho. Teve dois sacks com fumble forçado, três tackles para perda de jardas e um passe desviado. Jacksonville recuperou os dois fumbles.
Segundo o levantamento citado por Gowton, foi o primeiro defensive tackle dos Eagles com múltiplos sacks desse tipo num jogo desde Fletcher Cox em 2015, e o primeiro da NFL desde outubro de 2019.
No segundo tempo, os Jaguars aumentaram a frequência de bloqueios duplos sobre Carter de 31,8% para 47,1%, e ele não registrou pressão nesse período, conforme o Next Gen Stats. Ainda assim, o autor considera a atuação uma das melhores de sua carreira e um sinal de potencial para a defesa.
Darius Cooper
Cooper liderou os Eagles em jardas recebidas pela segunda semana seguida, embora a derrota tenha tirado parte do brilho da atuação. Teve duas recepções em três alvos para 71 jardas, incluindo um touchdown de 62.
Já são quatro touchdowns em sete recepções na temporada. Foi o primeiro receiver dos Eagles a chegar a quatro touchdowns recebidos nos cinco primeiros jogos desde Jeremy Maclin em 2014, segundo o levantamento apresentado.
Quatro jogadores receberam mais alvos que Cooper em Londres. Gowton pede um esforço mais deliberado para colocar a bola nas mãos dele.
Vic Fangio
Os Eagles permitiram 408 jardas, mas apenas 19 pontos a um adversário que vinha marcando 26 por jogo. O autor considera importante o contexto: o primeiro touchdown dos Jaguars veio após uma quarta descida não convertida de Philadelphia; o segundo começou numa campanha na linha de 49 jardas de Jacksonville e terminou numa recepção difícil de Parker Washington, em passe de Trevor Lawrence numa quarta descida.
No field goal decisivo, a defesa sequer entrou em campo, pois o retorno de kickoff deixou um segundo para o chute. A unidade de Fangio também forçou duas perdas de posse por descidas, conseguiu uma interceptação e provocou três fumbles, nenhum recuperado pelos Eagles. Num deles, perto da linha de gol, a arbitragem não identificou uma recuperação clara e manteve a posse com Jacksonville.
A defesa disputou 72 snaps, em parte porque o ataque não sustentava campanhas. Gowton vê evolução no trabalho de Fangio depois de um começo de temporada lento.
Quinyon Mitchell
Mitchell conseguiu sua primeira interceptação em temporada regular, num passe curto de Lawrence. Fangio já havia lembrado na offseason que o cornerback tinha quatro interceptações em playoffs, mas ainda buscava a primeira fora da pós-temporada.
A jogada ajudou a defesa depois de uma perda de posse por descidas do ataque. Philadelphia, porém, avançou apenas 15 jardas em seis jogadas antes de devolver a bola. Mitchell permite passer rating de 64,6 quando é alvo na temporada, segundo o recorte citado.
Zack Baun
Baun liderou a equipe com 11 tackles e empatou com Arnold Ebiketie com dois golpes no quarterback. Um deles quase virou sack, mas Lawrence se livrou da bola antes de o joelho tocar o chão.
O linebacker também interrompeu a última jogada dos Jaguars no segundo quarto perto da linha de gol, evitando um touchdown. Para Gowton, seu retorno foi um reforço importante.
Dontayvion Wicks
Wicks recebeu cinco de oito alvos para 63 jardas, com quatro primeiras descidas. Ajudou a converter terceiras descidas para oito e 10 jardas na primeira campanha de touchdown dos Eagles e uma terceira para cinco na última posse ofensiva.
Também sofreu duas interferências defensivas. Uma transformou uma terceira descida para gol na linha de 17 em primeira para gol na linha de três, preparando o touchdown terrestre de Will Shipley. A outra levou a bola da linha de 40 dos Eagles até o meio do campo.
O receiver produziu mesmo depois de uma lesão na posterior da coxa que limitou seus treinos na quinta e na sexta-feira.
Britain Covey
Covey pediu autorização para usar “Britain” no lugar do sobrenome na camisa durante o jogo no Reino Unido, mas a liga negou a solicitação.
Em campo, teve quatro retornos de punt para 42 jardas, média de 10,5 e maior ganho de 18, além de três retornos de kickoff para 92 jardas, média de 30,7 e máximo de 42. Gowton considera que ele tem feito sua parte para melhorar a posição de campo do ataque.
Torcida dos Eagles
Os torcedores que viajaram criaram um ambiente barulhento, que atrapalhou a execução dos snaps de Jacksonville. Uma das paradas perto da linha de gol teve contribuição de uma saída falsa e de uma falta por atraso de jogo.
Little e Lawrence reconheceram depois da partida a presença dos fãs de Philadelphia. O kicker descreveu um ambiente que parecia favorecer os Eagles, apesar do mando técnico dos Jaguars. Lawrence disse que não lembrava de outra ocasião em Londres com tamanho desequilíbrio de torcida.
As oito decepções
Nick Sirianni
Os Eagles entraram como desfavoritos por 7,5 pontos e quase venceram apesar das lesões. Gowton, porém, considera que Sirianni desperdiçou parte desse mérito na administração do fim do jogo.
O autor preferia um kickoff para fora da end zone porque Jacksonville não tinha tempos técnicos, a defesa jogava bem e a cobertura de retornos estava desfalcada de Jeremiah Trotter Jr., expulso, e Michael Carter II, lesionado. Ainda assim, vê espaço para debate sobre essa decisão.
A crítica mais forte é ao uso do relógio na campanha anterior. O ex-assistente Ryan Paganetti destacou a situação de primeira descida para 10 na linha de 34, com 25 segundos restantes e um tempo técnico dos Jaguars. A posse deveria ter sido conduzida para que o field goal encerrasse o jogo, reduzindo o risco de um retorno adversário.
Gowton compara Sirianni com Liam Coen: ambos tiveram problemas de gestão, mas Coen contribuiu diretamente para o ataque de Jacksonville. O autor questiona o valor oferecido por Sirianni além da motivação dos jogadores.
Philadelphia está em último na taxa de sucesso ofensivo e em 29º em EPA por jogada no recorte apresentado. Gowton considera que a tolerância após o título da temporada de 2024 não será ilimitada se o ataque continuar sem respostas em 2026.
Sean Mannion
O autor reconhece que as falhas são coletivas, envolvendo Sirianni, Jalen Hurts e as lesões. Mas Mannion é o coordenador que chama as jogadas, e o rendimento ofensivo exige cobrança.
Entre os levantamentos citados, mais de 45% das posses terminam em três jogadas e punt, a pior frequência da liga. Os Eagles marcaram apenas dois touchdowns no segundo tempo nos cinco primeiros jogos, também o menor total da NFL.
Sheil Kapadia aponta a pior combinação de taxa de sucesso e EPA por campanha de um ataque dos Eagles nas cinco primeiras semanas neste século. Em um recorte das últimas cinco temporadas, Philadelphia aparece em 156º entre 160 equipes em taxa de sucesso ofensivo, enquanto Miami é o último e Minnesota está em 157º.
Os dados de Shawn Syed, com referência à Sumer Sports, colocam o ataque do primeiro tempo no percentil 53 e o do segundo no percentil zero, o pior por metade de jogo no recorte desde 2023. Outro levantamento citado por Gowton compara o desempenho do segundo tempo com 800 equipes em 25 anos e o apresenta como o pior nesse universo. São recortes distintos, sem equipará-los a uma única classificação histórica.
O levantamento de Eagles Eric também coloca as jogadas com passes na linha de scrimmage ou atrás dela como as quartas piores entre 641 equipes desde 2005.
Antes da campanha final para o field goal, o ataque havia produzido 10 jardas em 15 jogadas nas quatro posses anteriores, todas encerradas em punt. Jacksonville tinha a segunda defesa que menos cedia pontos, mas permitia 354,5 jardas por jogo, a oitava maior média. Os Eagles conseguiram apenas 232.
Jogo terrestre
Philadelphia correu 18 vezes para 22 jardas, média de 1,2. Foi o menor total da equipe desde as sete jardas da Semana 2 de 2015.
A equipe perdeu Shipley cedo e ficou sem seus três principais running backs. Também começou com a terceira opção como center e left guard, além da segunda opção de right tackle. Gowton considera as limitações reais, mas esperava um pouco mais de Dameon Pierce.
Hurts poderia ter sido mais usado correndo, embora estivesse no relatório por um problema na panturrilha e fosse visto na bicicleta entre campanhas. Depois das 46 jardas terrestres da Semana 1, tem média de 15,3 por jogo.
Cobertura de kickoff
Mesmo com a responsabilidade de Sirianni, a unidade precisava executar melhor. O retorno inicial para touchdown só foi anulado pelas faltas, e o avanço final de Ameer Abdullah preparou o field goal da vitória.
Jeremiah Trotter Jr.
Gowton considera severa a expulsão de Trotter e Bryan Thomas Jr., mas entende que o linebacker dos Eagles tem responsabilidade por se colocar naquela situação.
Sua ausência prejudicou os times especiais e a defesa. Segundo Zack Baun, o plano era que Trotter dividisse snaps com Jihaad Campbell como linebacker interno.
Jihaad Campbell
O autor vê dificuldades na atuação de Campbell e interpreta a rotação planejada com Trotter como um sinal de que os Eagles queriam reduzir parte de sua carga.
Andrew Mukuba
Mukuba reagiu ao play-action no primeiro touchdown dos Jaguars, deixando Parker Washington praticamente sem oposição no ganho de 51 jardas. Gowton classifica o lance como um erro caro.
Saúde do elenco
Philadelphia chegou com várias ausências importantes e terminou o jogo com mais lesões. O quadro limita as opções de um ataque já instável.
Os seis casos que ainda deixam dúvidas
Jalen Hurts
Gowton não atribui toda a derrota ao quarterback, mas também não considera suficiente o fato de ele ter deixado o campo com a liderança. Hurts enfrentou pressão rápida e um elenco de apoio limitado.
Mesmo com o segundo menor tempo médio para lançar de sua carreira, sofreu pressão em 54,8% dos dropbacks. Tentou passes em janelas apertadas em 30% dos lançamentos, contra 8,8% nas quatro primeiras semanas, conforme o Next Gen Stats.
Conseguiu passes importantes em terceiras descidas longas e conduziu a posse do field goal final. Também deixou de conectar um possível touchdown com Wicks, num lance com blitz total em que o autor vê responsabilidade possível dos dois jogadores.
O ataque marcou apenas três pontos no segundo tempo. A conclusão é que Hurts não é o único problema, mas precisa ser uma parte maior da solução.
Makai Lemon
O calouro estabeleceu seus melhores números de snaps, alvos, recepções e jardas numa partida. Gowton vê progresso, mas não sabe como ficará a rotação quando DeVonta Smith voltar, especialmente com Cooper em ascensão.
Também aponta que sair pela lateral na campanha final parou o relógio e contribuiu para o desfecho. Reconhece, porém, a dificuldade de cobrar esse detalhe de um calouro.
Willie Lampkin
Sua primeira partida como titular teve momentos encorajadores, inclusive destacados por Brian Baldinger. Ainda há espaço para melhorar: Lampkin teve a segunda menor nota ofensiva dos Eagles no PFF, à frente apenas de Markel Bell, e permitiu cinco pressões, o maior total da equipe.
Gowton gosta de seu potencial, mas não o considera uma solução de longo prazo já definida. Questiona se uma mudança para center ajudaria, embora os Eagles prefiram Drew Kendall, quando saudável, nessa função.
Jake Elliott
Elliott acertou o field goal de 48 jardas que parecia decidir o jogo. Somando treinos de training camp, pré-temporada e temporada regular, o autor apresenta 51 acertos em 54 chutes desde a offseason: 28 de 31, sete de sete e 16 de 16, respectivamente.
O kickoff final, porém, teve uma trajetória que permitiu a Abdullah ganhar velocidade no retorno de 53 jardas. Elliott havia recebido instrução para não simplesmente mandar a bola para fora da end zone, mas a execução também é questionada.
Cooper DeJean
DeJean foi o segundo da equipe com 10 tackles, incluindo dois para perda. Teve cinco paradas defensivas que constituíram fracasso da jogada ofensiva, o maior total do time.
O saldo pareceu mais positivo que negativo ao autor, mas os cinco tackles perdidos no levantamento são um alerta.
Dameon Pierce
Pierce ganhou 14 jardas em 11 corridas. Shipley havia conseguido seis em cinco tentativas antes de se lesionar. Os bloqueios ruins ajudam a explicar os resultados, embora Gowton esperasse mais de Pierce depois de sinais positivos na offseason.
Com Shipley devendo perder vários jogos e Barkley ainda sem disponibilidade definida, Pierce pode ter mais trabalho na Semana 6.
Ele recebeu cinco dos 37 alvos dos Eagles, 13,5%, mas suas duas recepções resultaram em perda de duas jardas. Jacksonville vinha permitindo a segunda maior produção recebida a running backs; ainda assim, o autor questiona se priorizar tanto a quarta opção da posição, recém-promovida do practice squad, foi a melhor escolha.