Estudo identifica CTE em ao menos 24,5% de ex-jogadores da NFL mortos entre 2016 e 2021
Pesquisa analisou cérebros de 235 ex-jogadores e confirmou 215 casos de CTE. Intervalo calculado para o grupo completo vai de 24,5% a 97,7%.
Um estudo publicado em 25 de agosto de 2026 identificou encefalopatia traumática crônica (CTE, na sigla em inglês) em pelo menos 24,5% dos ex-jogadores da NFL que morreram entre 2016 e 2021. A doença degenerativa está associada a impactos repetidos na cabeça e só pode ser diagnosticada de forma definitiva após a morte.
Os pesquisadores estudaram um grupo de 878 ex-atletas falecidos naquele período. Desses, 235 tiveram o cérebro doado para análise, e 215 receberam o diagnóstico de CTE. O trabalho, publicado no British Medical Journal, também encontrou demência com frequência entre os doadores.
O que significam os percentuais
A proporção de casos confirmados em relação aos 878 ex-jogadores estabelece um mínimo conservador de 24,5%. O limite máximo calculado foi de 97,7%, considerando a possibilidade de CTE entre aqueles cujos cérebros não foram examinados.
Esse intervalo representa os limites possíveis para o grupo estudado, e não uma confirmação de que 97,7% de todos os jogadores da NFL tenham a doença. A impossibilidade de examinar todos os cérebros restringe a precisão da estimativa.
“Nós e outros pesquisadores já mostramos que, especificamente entre jogadores da NFL, a taxa de morte por doenças neurodegenerativas é cerca de quatro vezes maior do que na população geral”, afirmou Daniel Daneshvar, autor principal do estudo e professor associado da Harvard Medical School.
Segundo ele, os resultados indicam uma prevalência de CTE no momento da morte maior do que a observada anteriormente em diferentes estudos realizados em comunidades.
Impactos acumulados desde as categorias de base
Os pesquisadores pediram que a NFL adote medidas de prevenção para reduzir impactos repetidos na cabeça em todos os níveis do futebol americano.
Daneshvar destacou que grande parte das pancadas sofridas pelos ex-jogadores não aconteceu na NFL, mas no futebol universitário, no ensino médio e, em muitos casos, nas categorias infantis. A soma desses impactos, explicou, contribuiu para o aumento do risco.
Em resposta, um porta-voz da NFL afirmou que a liga trabalha continuamente para tornar o esporte mais seguro, incluindo estratégias para reduzir concussões e impactos na cabeça.
A entidade também disse manter e ampliar recursos para a saúde física e mental de sua comunidade, incentivando ex-jogadores a utilizá-los para identificar problemas e buscar tratamento quando houver preocupação com a própria saúde.
A CTE se tornou uma questão crescente no futebol americano. O acordo coletivo de 2011 limitou o número de treinos com contato na NFL. Em 2016, após uma longa ação coletiva, a liga concordou com um acordo de US$ 1 bilhão — cerca de £700 milhões à época — envolvendo mais de 5 mil ex-jogadores.