Como o oeste da Inglaterra se tornou um polo de futebol americano
Título do Bristol Aztecs, força das universidades e expansão do flag football nas escolas ajudam a explicar o crescimento do esporte no oeste da Inglaterra.
O título britânico conquistado pelo Bristol Aztecs em 2025 e o crescimento de sua torcida ajudam a explicar por que o oeste da Inglaterra se tornou um polo de futebol americano. A região reúne clubes, universidades e escolas que ampliam o acesso a uma modalidade fortemente associada à cultura dos Estados Unidos.
Em reportagem publicada em 10 de maio de 2026, a BBC ouviu jogadores, torcedores e dirigentes sobre essa expansão. Naquele recorte, os Aztecs também acumulavam quatro títulos de divisão, enquanto equipes como o Swindon Storm contribuíam para o interesse local.
Segundo a NFL UK, mais de 18,5 milhões de pessoas no Reino Unido acompanhavam jogos e apoiavam equipes. O flag football, versão sem contato do esporte, já fazia parte das aulas de educação física de cerca de 65 escolas apenas no sudoeste inglês.
Uma torcida que quer crescer à sua maneira
Jonathan Fry, torcedor de Bristol de 26 anos, acompanhava o esporte havia sete anos e comemorava a possibilidade de compartilhar uma paixão que antes parecia mais restrita.
“Não é mais só aquela minha pequena coisa; posso compartilhar e conversar sobre isso com outras pessoas”, contou. “Conheci pessoas excelentes por meio do esporte. A torcida no Reino Unido é apaixonada.”
Fry admitiu que demorou a descobrir a existência de uma equipe em sua própria cidade. Depois, passou a se orgulhar de ver o clube ganhar projeção.
Seu desejo era que a modalidade alcançasse uma dimensão semelhante à dos Estados Unidos, mas com uma identidade local: “Ainda podemos fazer isso de uma maneira que pareça britânica. Não precisamos copiar os americanos”.
Universidades e clubes formam atletas
De acordo com a British American Football Association, a BAFA, mais de 150 clubes praticavam futebol americano e flag football no Reino Unido.
A entidade relacionava a força do oeste inglês à presença da modalidade em instituições como a University of the West of England, UWE, e o South Gloucestershire and Stroud College, SGS.
O UWE Bullets havia vencido quatro das cinco últimas edições do campeonato nacional universitário organizado pela British Universities and Colleges Sport. Muitos de seus atletas também representavam os Aztecs nas competições da BAFA.
Em março de 2025, os Bullets conquistaram o título universitário pelo quarto ano consecutivo, uma sequência recorde.
“Bristol e a região ao redor, no oeste da Inglaterra, estão se tornando um polo de talentos — muitos deles vindos das universidades e dos colleges”, afirmou Henry Hodgson, gerente-geral da NFL UK. “Estamos de olho por aqui.”
Formação oferece caminhos para os Estados Unidos
O SGS College mantém uma academia de futebol americano conhecida como The Pride. Atletas de 16 a 19 anos podem se candidatar para desenvolver habilidades, buscar contratos profissionais ou conquistar bolsas nos Estados Unidos.
A equipe SGS Pride ficou sem o título na final nacional de 2026. Seus ex-alunos também seguem para clubes como o Swindon Storm, que possui categorias adulta, feminina, sub-19 e sub-16.
Pete Jones, treinador dos Aztecs, descreveu a modalidade como um esporte especial, capaz de reunir pessoas e jogadores de diferentes características físicas.
“Estou com os Aztecs desde 2002. O clube existe desde cerca de 1990”, disse. Ele destacou a evolução esportiva e o crescimento da organização: “Agora é tentar colocar ainda mais gente nas arquibancadas e criar envolvimento”.
Os grandes jogos têm clima de festival
Para Elliot Hoyte, diretor dos Bristol Aztecs e residente nos Estados Unidos, o futebol americano também é um esporte de entretenimento. Ele citou a repercussão da apresentação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl, em fevereiro de 2026, como um exemplo de alcance nas redes sociais.
As partidas britânicas não têm a mesma escala, mas torcedores veem nelas um ambiente de celebração.
AJ Car, jogador e fã dos Aztecs, disse que é difícil encontrar um torcedor sem uma camisa da NFL nos jogos. Em Wembley e Tottenham, segundo ele, os encontros parecem festivais.
“Todos os fãs no Reino Unido se encontram e comemoram. É mais uma celebração do esporte do que apenas do jogo”, afirmou.
Car observou que os maiores confrontos costumam esgotar os ingressos e defendeu o apoio às equipes locais. “O futebol americano britânico está um pouco atrás, então, se as pessoas gostam, deveriam ir assistir aos seus times da região.”
Da televisão aos jogos da NFL em Londres
Hodgson situou o início de uma onda importante de interesse na década de 1980, quando o Channel 4 começou a exibir melhores momentos da NFL.
“Esse foi realmente o ponto de partida. A partir daí, cresceu a vontade de assistir ao esporte e de praticá-lo”, explicou.
Também surgiram grupos de torcedores, como o Bucs UK, que completou 40 anos em 2024.
A NFL realiza jogos de temporada regular em Londres desde 2007. Para Hodgson, o crescimento da base de fãs cria condições para levar a modalidade a mais lugares do Reino Unido, enquanto o flag football amplia sua presença em universidades, colleges e escolas.