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Harrison nos Texans: análise questiona o retorno obtido pelos Cardinals

Barry Shuck examina produção, separação, contrato e compensação da troca do receiver escolhido em quarto no draft de 2024.

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Marvin Harrison Jr. recebe um passe pelos Cardinals.
Marvin Harrison Jr. recebe um passe pelos Cardinals.

O Arizona Cardinals negociou Marvin Harrison Jr. com o Houston Texans, encerrando uma passagem que começou com expectativas muito altas. Na análise de Barry Shuck, a produção limitada, os drops e a dificuldade para se separar dos defensores explicam a decisão, mas deixam aberta a discussão sobre a compensação recebida.

Escolhido em quarto lugar no draft de 2024, depois de Caleb Williams, Jayden Daniels e Drake Maye, Harrison chegou de Ohio State com o prêmio Biletnikoff de melhor receiver universitário, duas seleções All-American e o reconhecimento de jogador mais valioso da Big Ten.

Shuck lembra que Arizona poderia ter escolhido outros nomes, como Malik Nabers, Brock Bowers, Cooper DeJean e Joe Alt. A comparação expressa o custo de oportunidade de uma escolha tão alta, sem sugerir que todos ocupavam a mesma posição.

Produção inicial e uma segunda temporada com lesões

Como calouro, Harrison teve 116 alvos, 62 recepções, 885 jardas, oito touchdowns e 43 primeiras descidas. Seus oito touchdowns recebidos igualaram a marca de calouros da franquia de Larry Fitzgerald e Anquan Boldin.

Para Shuck, foram números aceitáveis e encorajadores, mas abaixo da expectativa criada para a quarta escolha geral. O autor também cita sua ausência da seleção de calouros da liga como parte dessa avaliação.

Em 2025, uma concussão na Semana 6, uma apendicectomia, um problema no calcanhar na Semana 13 e uma lesão no pé contra Cincinnati na Semana 17 interromperam sua participação. Terminou na lista de lesionados, com 10 jogos como titular, 608 jardas, quatro touchdowns e média de 14,8 jardas por recepção.

O otimismo na preparação para 2026 não se traduziu em produção. Nos quatro jogos em que atuou antes da troca, teve 13 alvos, cinco recepções, 85 jardas, cinco primeiras descidas, um touchdown e um drop, com média de 17 jardas por recepção.

A dificuldade para se separar da marcação

Shuck considera que Jacoby Brissett passou a procurar outras opções porque Harrison não conseguia se desmarcar com regularidade. Trey McBride tem 56 alvos, Michael Wilson, 51, e Kendrick Bourne, 22 — incluindo oito apenas contra Detroit.

Depois de Brissett substituir Kyler Murray na temporada anterior, Wilson produziu de forma consistente e se firmou como principal receiver na avaliação apresentada.

O autor busca uma explicação na diferença entre o nível universitário e a NFL. Em um levantamento próprio do Revenge of the Birds, relata ter examinado 52 cornerbacks considerados nos 26 confrontos dos dois últimos anos de Harrison em Ohio State. Seis chegaram à NFL, cinco passaram pela UFL e um pela CFL.

Shuck contrasta jogos de grande produção — 160 jardas contra Youngstown State, 163 contra Maryland, 184 contra Arkansas State e 149 contra Michigan State, numa vitória por 38 a 3 — com resultados menores contra Notre Dame, 32 jardas em 2023 e 56 no ano anterior; Indiana, 18; e Wisconsin, 45. Também cita as 118 jardas na derrota por 30 a 24 para Michigan.

A conclusão do autor é que enfrentar cornerbacks profissionais com regularidade, especialmente numa NFC West que considera forte defensivamente, expôs limitações que eram menos visíveis na faculdade.

Drops e eficiência também entram na avaliação

Shuck lembra um passe para touchdown desperdiçado contra o San Francisco 49ers na Semana 3 de 2025 e considera que a segurança nas recepções prejudicou a confiança do quarterback.

Desde 2024, Harrison aparece em 70º entre 130 receivers em jardas por rota, com 1,54, e em 44º em jardas recebidas por jogo, com 47,8, no recorte citado.

O texto registra 10 drops em 30 partidas como titular. Segundo o NFL Next Gen Stats citado pelo autor, sua média de 2,1 jardas de separação quando foi alvo é a menor entre receivers com pelo menos 50 alvos no período considerado de três anos.

Esses dados sustentam a crítica de Shuck, mas não significam que o jogador não possa melhorar em outro sistema.

Como a troca foi concluída

Segundo Mike Florio, a negociação foi finalizada no sábado. Houston quis esperar o confronto com o Tennessee Titans para torná-la pública, evitando uma distração antes da vitória por 26 a 3.

Na coletiva depois do jogo, DeMeco Ryans confirmou: “Vocês querem saber, não é? Sim, tudo bem. Negociamos por Marvin Harrison”. Do lado de Arizona, Mike LaFleur disse que considerou a medida “no melhor interesse do clube”.

Os general managers Monti Ossenfort e Nick Caserio têm uma longa relação de trabalho em New England. Shuck atribui a iniciativa da troca à comissão técnica, com Ossenfort executando a negociação; essa é a descrição apresentada pelo autor, não uma declaração adicional dos dirigentes.

Arizona recebeu escolhas de segunda e sexta rodadas de 2027. Houston ficou com Harrison e uma escolha de sétima rodada do mesmo draft.

Contrato e oportunidade em Houston

O receiver tem US$ 4 milhões previstos para este ano e US$ 5,62 milhões para 2027, segundo os valores apresentados no texto. A decisão sobre a opção de quinto ano ocorrerá na próxima offseason. Os Cardinals já pagaram seu bônus de assinatura de US$ 22,5 milhões.

Para Shuck, isso torna o custo financeiro atraente para Houston. A equipe não está adquirindo um calouro sem experiência, mas um jogador jovem com pouco mais de duas temporadas de amostra profissional e espaço para recuperar seu potencial.

Harrison também reencontra C.J. Stroud, seu quarterback em Ohio State. Houston perdeu Jayden Higgins por uma lesão no ligamento cruzado anterior no training camp e vem lidando com problemas de saúde de Nico Collins.

O autor lembra que escolhas altas podem mudar de equipe: o New York Giants, por exemplo, trouxe J.J. McCarthy, selecionado em décimo no draft de 2024.

Arizona recebeu o suficiente?

Shuck considera uma escolha de segunda rodada mais uma de sexta um retorno modesto para alguém selecionado em quarto no geral. Questiona se esperar o encerramento da rodada poderia abrir uma proposta maior de uma equipe afetada por lesões entre os receivers.

Também ressalta que a escolha principal é de 2027, e não de 2028, permitindo um retorno mais próximo no draft. Para ele, Ossenfort precisa transformar esse recurso em um jogador de alto impacto para justificar plenamente a decisão.

Em Arizona, Bourne ocupa o slot, enquanto Jalen Brooks assume o espaço de Harrison ao lado de Wilson. Houston aposta em um talento que chegou à liga com projeção de Hall da Fama — onde o pai de Harrison já está — e ainda tem idade para contrariar a avaliação dos Cardinals.

O ponto final de Shuck é que Harrison não estava recebendo a bola nem produzindo como a expectativa de draft sugeria. A qualidade definitiva da troca dependerá tanto de sua resposta em Houston quanto do uso que Arizona fizer da compensação.

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