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Suspensões e excesso de faltas aumentam debate sobre arbitragem na NFL

Reportagem examina as punições a Jeff Seeman e Adrian Hill, a reação do sindicato e propostas discutidas para melhorar a transparência da arbitragem.

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Mike Vrabel conversa com o árbitro Bill Vinovich na Semana 4.
Mike Vrabel conversa com o árbitro Bill Vinovich na Semana 4.Crédito: Boston Globe via Getty Images

A Semana 4 reuniu suspensões raras de árbitros, reclamações de técnicos e um volume elevado de faltas. Em reportagem, Jori Epstein ouviu fontes da NFL para entender os limites de conduta, os mecanismos de avaliação e as possibilidades de mudança na arbitragem.

Um dos episódios ocorreu a 1min48s do intervalo de Patriots x Bills. Mike Vrabel foi punido por conduta antidesportiva depois de contestar, com palavrões, uma marcação de holding defensivo. A penalidade de metade da distância até a end zone ajudou Buffalo a marcar o touchdown de empate menos de um minuto depois.

Após a vitória de New England por 29 a 26, Vrabel disse já ter usado aquela expressão “87 vezes” como head coach. Negou uma ofensa pessoal ao árbitro, mas reconheceu que provavelmente não deveria ter xingado. Ele é um dos seis treinadores que integram o comitê de competição.

Dois árbitros punidos na mesma semana

Em outro jogo, uma câmera flagrou o juiz de linha Jeff Seeman dirigindo um palavrão a Trey McBride, tight end dos Cardinals. Já Adrian Hill reagiu de maneira exaltada a Eric Wilson, linebacker dos Vikings, depois de cair em um choque decorrente de um lance envolvendo o running back dos Dolphins Ollie Gordon. Wilson pareceu oferecer a mão para ajudá-lo a levantar.

JC Tretter cobrou que os árbitros fossem responsabilizados pelo mesmo padrão aplicado aos jogadores. Na segunda-feira, a NFL suspendeu Seeman por duas partidas e Hill por uma.

Sindicato contesta a severidade

As fontes ouvidas divergem sobre a influência das tensas negociações do acordo coletivo da arbitragem na primavera. Algumas consideram coincidência que as punições tenham ocorrido juntas e em meio a críticas públicas de treinadores. Outras veem uma relação com o clima criado quando a liga ameaçou recorrer a substitutos. A reportagem não estabelece uma conexão comprovada.

A NFL havia defendido mecanismos mais fortes de responsabilização no novo acordo. Antes desta semana, o último afastamento conhecido era a licença administrativa de Roy Ellison em 2018, após um confronto com um jogador. Rob Vernatchi perdeu um jogo em 2015 por erro no relógio; Ellison também havia sido suspenso por um jogo em 2013 por linguagem ofensiva. Antes disso, o precedente citado era de 1984, por conduta de um árbitro diante de torcedores.

Na terça-feira, a NFL Referees Association anunciou que contestaria a severidade das suspensões e discutiria os critérios disciplinares com o departamento de arbitragem da liga.

Scott Green, diretor executivo do sindicato, reconheceu que os incidentes ficaram abaixo do padrão de profissionalismo esperado, mas argumentou que a responsabilização não deveria resultar em punições excessivas ou incompatíveis com os precedentes.

A expectativa é encerrar o conflito

Jogadores e treinadores podem receber faltas e multas por sua conduta diante dos árbitros, muitas vezes depois de advertências. Fontes da liga ressaltam que, quando um limite é ultrapassado, o árbitro pode aplicar a penalidade e se afastar, sem entrar em uma discussão acalorada.

As folgas de equipes nas Semanas 5 e 6 reduzem a quantidade de oficiais necessária em comparação com as quatro primeiras rodadas. O novo acordo também ampliou a disponibilidade de profissionais para reposição, oferecendo condições para os afastamentos.

A responsabilização cotidiana vai além de suspensões. Cada árbitro recebe notas semanais por precisão e consistência das marcações, posicionamento, administração da partida, mecânica, comunicação e rapidez. Essas avaliações influenciam as designações para os playoffs. Na negociação coletiva, o sindicato tentou priorizar tempo de serviço nessas escolhas, mas a NFL manteve o critério de desempenho.

Alguns técnicos e jogadores conversam com os árbitros antes das partidas para esclarecer critérios ou apontar situações do adversário. Outros preferem reduzir o contato.

Michael Pittman Jr., dos Steelers, falou à reportagem por Zoom em uma participação ligada à Toyota NFL FLAG. Ele descreveu a arbitragem como um trabalho difícil, sujeito a agressões verbais de técnicos, atletas e torcedores. Disse que, quando era mais jovem, discutia com os árbitros e acabava prejudicado por isso; hoje, prefere se calar.

Erros, revisões e confidencialidade

Uma interferência defensiva marcada contra Josh Wallace, dos Rams, a 1min15s do fim do jogo com os Broncos, renovou a discussão sobre transparência. O passe de Bo Nix buscava Pat Bryant; a penalidade manteve vivo o drive que terminou no touchdown da vitória de Denver.

Nos dias seguintes, a arbitragem reconheceu a Sean McVay que Wallace não havia cometido interferência. O treinador confirmou isso após perguntas repetidas em uma entrevista. A NFL então enviou um memorando lembrando que as conversas sobre revisões de arbitragem devem permanecer confidenciais.

Um executivo da NFC ouvido pela reportagem entendeu o interesse público em lances evidentes, mas questionou a utilidade de expor e rediscutir todas as avaliações. McVay disse que sua prioridade era saber como ensinar os jogadores a agir dentro dos critérios corretos de interferência defensiva.

O que os números de faltas mostram

Segundo dados da ESPN citados na reportagem, a NFL teve o maior número de penalidades aceitas nas quatro primeiras semanas desde o início da base de jogada a jogada, em 1978. As 271 faltas aceitas da Semana 4 foram o segundo maior total de qualquer semana nesse período.

Outras fontes ponderam que medir faltas aceitas, em vez de todas as marcadas, pode distorcer a avaliação dos árbitros: eles não decidem se uma equipe aceita a penalidade. Algumas infrações também são provocadas deliberadamente por estratégia.

Dados da NFL apontam atrasos de jogo e falsas largadas no maior nível em dez anos. Mais da metade dos 63 atrasos aconteceu em quartas descidas, situação em que equipes frequentemente aceitam perder jardas de propósito. O aumento de movimentações antes do snap pode contribuir para falsas largadas, e a menor participação de titulares na pré-temporada pode afetar a disciplina.

Um executivo ouvido defendeu analisar o fluxo da partida e o efeito de cada marcação, em vez de tirar conclusões a partir de uma falta isolada.

Ideias em discussão, sem mudança confirmada

Donos e executivos das equipes se reunirão em Nova York em 20 e 21 de outubro. A arbitragem costuma fazer parte da agenda, mas mudanças de regras durante a temporada são raras.

Uma clarificação já ocorreu: NFL e NFLPA explicaram, em comunicado conjunto de 7 de outubro, que imitar o ato de beber é uma comemoração permitida, após uma sequência de multas por celebrações.

Entre as ideias mencionadas pelas fontes estão permitir um desafio por jogo para decisões atualmente não revisáveis, como interferência defensiva; publicar relatórios dos dois minutos finais, nos moldes da NBA; e transmitir o áudio das conversas da arbitragem, como ocorre na NCAA e na UFL.

NBA e MLB permitem desafios de treinadores sob condições específicas. A NHL também oferece essa possibilidade, com penalidade em determinados desafios malsucedidos. Esses exemplos são referências para discussão, sem anúncio de adoção pela NFL.

No curto prazo, diversas fontes esperam que as suspensões e a adaptação habitual de jogadores e treinadores sejam suficientes para reduzir a tensão. Mike LaFleur, dos Cardinals, e Kevin O’Connell, dos Vikings, manifestaram vontade de seguir adiante; LaFleur também pediu alguma compreensão para o árbitro.

Bill Vinovich explicou a um repórter que Vrabel saiu da área permitida ao treinador e xingou, tornando a penalidade praticamente inevitável. Vrabel disse ter se desculpado e reconheceu: precisa reagir melhor nesses momentos.

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