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Opinião: Colts precisa mudar comando após novo colapso contra Titans

Andrew Aziz defende saídas de Chris Ballard e Shane Steichen e aponta problemas de elenco, preparação e responsabilização em Indianapolis.

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Chris Ballard e Shane Steichen conversam durante treino dos Colts em imagem de arquivo.
Chris Ballard e Shane Steichen conversam durante treino dos Colts em imagem de arquivo.

A derrota por 26 a 20 para o Tennessee Titans, que chegou a Indianapolis com campanha de 0–5, deve encerrar a discussão sobre a necessidade de mudanças nos Colts. Essa é a posição de Andrew Aziz nesta coluna de opinião.

Tennessee havia marcado três pontos na semana anterior e tinha média de 11,6 por jogo. Mesmo assim, os Colts desperdiçaram uma vantagem de 13 a 0 no intervalo, caíram para 2–4 e ainda permitiram um touchdown em punt bloqueado.

O autor já havia defendido a saída de Chris Ballard e Lou Anarumo e criticado Shane Steichen. Agora, considera inútil separar problemas de uma estrutura que vê como quebrada. Sua proposta é trocar o gerente geral e o técnico, aceitar também a saída do coordenador defensivo e usar interinos até janeiro, preparando uma nova direção para a offseason.

Na sua avaliação, Indianapolis não é um time de playoffs e está longe disso.

O elenco é responsabilidade de Ballard

Ballard está no décimo ano como gerente geral. Antes da temporada, seus times somavam 70 vitórias, 78 derrotas e um empate, com duas participações em playoffs, uma vitória na pós-temporada e nenhum título da AFC South. Com o início de 2026, o retrospecto passou a 72–82–1.

Para Aziz, dez anos sem ganhar a divisão não constituem apenas uma fase ruim ou um projeto que precisa de mais uma offseason. São o resultado do trabalho.

Contra Tennessee, as ausências de Alec Pierce, Tyler Warren e Ashton Dulin deixaram Daniel Jones dependendo principalmente de Josh Downs, Laquon Treadwell, de 31 anos, e Keenan Allen, de 34. Will Mallory precisou de uma função maior como tight end.

Lesões fazem parte da explicação, mas um elenco bem montado deveria ter reservas funcionais. O caso de Pierce exemplifica a falta de preparação: seu calcanhar já preocupava após uma cirurgia, mas Indianapolis entrou no ano sem segurança suficiente atrás dele.

Quando o problema piorou, o clube contratou Darius Slayton no fim de setembro. Ele não disputou nenhum snap, teve dificuldade para se integrar, enfrentou uma lesão no joelho e foi dispensado menos de um mês depois.

O mesmo vale para os tackles. Com a saída de Braden Smith, Ballard confiou nas opções internas em vez de buscar um veterano estabelecido. Jalen Travis foi um dos encarregados de preencher a vaga e voltou a sofrer. Jones merece críticas, mas jogar fica mais difícil quando as bordas do pocket cedem e os recebedores disponíveis não se desmarcam.

Confiar no desenvolvimento e nos atletas escolhidos pelo clube é válido quando eles têm nível para responder. Depois de dez anos, essa justificativa perdeu força.

Jones caiu, e Steichen não encontrou compensações

Jones teve decisões ruins, pareceu desconfortável e perdeu rendimento quando Tennessee criou pressão. Na leitura do autor, seu braço não oferece margem suficiente para compensar o colapso ao redor.

Ele chegou à rodada com três touchdowns, quatro interceptações, média de 5,8 jardas por tentativa e rating de 73,6 em cinco jogos. Houve sinais positivos contra Kansas City e no final diante de Houston, mas a tendência geral foi ruim.

Aziz entende por que Steichen apostou de novo em Jones depois do bom início de 2025, antes da lesão no tendão de Aquiles. O treinador havia conseguido extrair dele mais do que os Giants faziam regularmente. Em 2026, porém, a combinação não funciona.

O ataque precisaria facilitar a execução: passes mais simples, mudanças de pocket, disfarces, oportunidades desenhadas para os melhores jogadores e mais participação de Jonathan Taylor como recebedor. Jones não deveria depender de processar tudo perfeitamente em um pocket desmoronando para encontrar um alvo pouco livre.

Em vez disso, o sistema frequentemente parece exigir apenas que jogadores limitados atuem melhor.

Anthony Richardson pode receber outra chance, mas sua entrada não resolveria automaticamente a situação. Riley Leonard também não. Toda a sala de quarterbacks tem dúvidas, os tackles sofrem, faltam recebedores e Taylor não pode carregar o ataque sozinho.

Isso envolve diretamente Steichen. O ataque de 2025 terminou em oitavo em pontos por jogo, nono em jardas e segundo em pontos por campanha. Sua capacidade ofensiva foi um argumento legítimo para mantê-lo. Após seis jogos de 2026, porém, o time perdeu identidade, com turnovers, pouca explosão e dificuldades na linha.

Steichen está em 27–30 e nunca chegou aos playoffs com os Colts. Teve 9–8 na estreia, duas campanhas de 8–9 e agora 2–4.

Os jogos apertados mostram piora: depois de 14–8 em partidas decididas por uma posse nos dois primeiros anos, veio um 3–7 em 2025 e um 1–2 neste ano. São 4–9 desde o início da temporada anterior, mesmo após uma offseason dedicada ao discurso de fechar melhor as partidas.

Antes de enfrentar Tennessee, seu retrospecto era 7–25 contra times com mais vitórias que derrotas e 19–5 contra adversários abaixo de 50%. Ao menos vencer os mais fracos parecia uma base. A derrota para um rival de 0–5 retirou até essa segurança.

Lesões explicam parte, mas não justificam tudo

Pierce, Warren e Dulin fazem falta, assim como os desfalques na linha e na defesa. O ponto da coluna é que organizações fortes se adaptam. San Francisco costuma enfrentar muitas lesões e ainda encontra maneiras de competir.

A própria proprietária Carlie Irsay-Gordon fez essa cobrança depois de 2025. Indianapolis começou 8–2 e terminou 8–9, com sete derrotas seguidas. Jones rompeu o Aquiles; DeForest Buckner perdeu jogos; Sauce Gardner e Charvarius Ward tiveram problemas físicos.

Mesmo reconhecendo as dificuldades, ela disse que lesões não poderiam ser desculpa e manteve Ballard e Steichen por enxergar progresso. Uma carta aos torcedores reiterou confiança no projeto.

Agora, diante de nova adversidade, o time não reage melhor. A responsabilidade do gerente geral é montar 53 jogadores capazes de atravessar a temporada, e não apenas 22 titulares atraentes em agosto.

Se uma baixa destrói o grupo de recebedores, uma lesão de tackle deixa um substituto sem condições de competir e a pressão defensiva desaparece quando o elenco é testado, o problema também está nas reservas escolhidas.

Defesa tem dificuldades próprias

Aziz havia pedido a demissão de Anarumo após a rodada anterior e não viu razão para mudar de ideia. Indianapolis chegou à Semana 6 com taxa de pressão de 23,7%, segundo o Next Gen Stats: a pior da NFL e a única abaixo de 30%.

Laiatu Latu tinha um sack e 14 pressões em cinco partidas, mesmo jogando aproximadamente três quartos dos snaps defensivos. Buckner ainda cria dificuldades pelo interior, mas encontra pouco apoio. Latu não virou o jogador decisivo esperado, o grupo de borda já era pouco profundo e as lesões pioraram a situação.

Ballard montou essa frente, mas Anarumo precisa trabalhar com as peças disponíveis. O plano de pressão tem pouca criatividade, e erros de comunicação na secundária se repetem. Cam Taylor-Britt cometeu uma interferência importante no último quarto; antes, Justin Walley, Ward e Gardner também tiveram dificuldades.

Como não se trata apenas de jogadores sem talento, a comissão precisa responder pela repetição dos problemas.

Os times especiais completaram o colapso com o punt bloqueado para touchdown. Tennessee marcou 26 pontos no segundo tempo, com contribuição de falhas das três unidades. Se o comando for trocado, o autor não vê razão para preservar Anarumo.

A reação da torcida preocupa

As vaias e os pedidos pela saída de Ballard foram claros na transmissão. Depois, torcedores começaram a ir embora. Mesmo com chance matemática no fim, grandes áreas do Lucas Oil Stadium estavam vazias.

Para a coluna, isso deveria preocupar a direção mais do que muitos números. A torcida suporta derrotas; a falta de esperança é que destrói o interesse.

Há anos Indianapolis vende uma versão semelhante: raramente é ruim o suficiente para recomeçar de verdade e quase nunca é bom o bastante para disputar títulos. A cada offseason, surge uma explicação para o fracasso e a promessa de que o elenco está mais perto do sucesso do que o retrospecto indica. Depois, os mesmos buracos reaparecem, e o objetivo vira tentar a última vaga de wild card.

Os pedidos de demissão e a saída antecipada dos torcedores em um clássico divisional mostram que parte do público cansou desse ciclo.

A proprietária também precisa responder

Irsay-Gordon escolheu manter Ballard e Steichen após sete derrotas seguidas encerrarem 2025. Ele já acumulava nove anos sem título de divisão; o treinador, três sem playoffs. A decisão de enxergar progresso e manter o projeto agora parece errada ao autor.

Seis semanas depois, o ataque perdeu força, a defesa continua mal, a profundidade foi exposta, o quarterback sofre, a principal escolha do Draft joga pouco e a pressão defensiva chegou à rodada como a pior da liga. A derrota em casa para um adversário de 0–5 amplia o quadro.

Aziz questiona até quando a direção pedirá paciência: seria necessário chegar a 2–6, perder os playoffs pelo sexto ano seguido ou ver o estádio quase vazio? Se a decisão de manter o comando foi dela, também cabe a ela corrigir o rumo.

Se apenas um sair, deve ser Ballard

Steichen tem responsabilidades, mas Ballard montou o elenco. As dúvidas nos quarterbacks, recebedores, tackles, pass rush e linebackers, assim como contratos e escolhas de Draft, passam pelo gerente geral.

Na visão do autor, Ballard não deveria contratar outro técnico. Demitir Steichen e manter o dirigente apenas reiniciaria o prazo, com mais duas ou três temporadas para instalar um sistema, mudar jogadores e produzir novas justificativas.

Recomeço pode dar utilidade ao restante da temporada

Trocas durante o ano são vistas como rendição, mas a coluna questiona o que Indianapolis preserva ao esperar até janeiro. Um gerente geral interino e um técnico interino poderiam conduzir o restante do calendário.

Aziz sugere considerar pessoas da comissão ou uma figura respeitada como Reggie Wayne em função maior. Bettcher poderia assumir a defesa se Anarumo saísse, e as chamadas ofensivas poderiam ser redistribuídas. São propostas do colunista, não decisões do clube.

A prioridade do comando interino seria negociar ativos e dar recursos à próxima gestão, acumulando escolhas e evitando deixar outro elenco preso à mediocridade. As transações rotineiras poderiam seguir com o departamento de pessoal.

O resto do ano serviria à avaliação: dar nova chance a Richardson se houver interesse, exigir que Jones demonstre valor para o futuro e colocar CJ Allen, principal escolha do Draft, em campo. Jovens precisam de oportunidades reais para mostrar quem deve permanecer.

Os Colts seguem matematicamente vivos. Pierce pode voltar, um quarterback pode melhorar e o time pode acumular vitórias suficientes para continuar perto do wild card até dezembro. Mas esse caminho já produziu repetidamente campanhas medianas e explicações sem mudança estrutural.

Desta vez, nem há uma escolha de primeira rodada à espera ao fim da temporada. Para Aziz, perder em casa para os Titans de 0–5 deveria ser suficiente para romper o ciclo: trocar Ballard, trocar Steichen e começar de novo.

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