FUTEBOL AMERICANO, EM PORTUGUÊS.Dados NFL
fumble.
Análise

Peter King revisita quatro décadas de NFL e defende mudanças no jogo

Em entrevista sobre o livro The Game, jornalista relembra Brady, Manning, Belichick e Madden e critica temporada de 18 partidas.

Compartilhe
Facebook X Telegram
Montagem mostra Peter King no campo e segurando seu livro The Game.
Montagem mostra Peter King no campo e segurando seu livro The Game.

Peter King revisitou quatro décadas de cobertura da NFL em uma entrevista a Steve Serby sobre o livro The Game. Entre histórias de Super Bowls, bastidores com treinadores e encontros com grandes quarterbacks, o jornalista também defendeu mudanças nas regras e criticou a possibilidade de uma temporada com 18 jogos.

O livro, com lançamento previsto para a terça-feira seguinte à entrevista, combina memórias com novas apurações. King afirma que procurou explicar momentos e decisões que ajudam a entender a transformação da liga, em vez de apenas reunir suas reportagens mais conhecidas.

Tagliabue, 11 de setembro e o papel da NFL

King relembrou a formação de Paul Tagliabue no direito e seu trabalho com questões de defesa nuclear antes de se tornar comissário. Essa experiência aparece no livro como parte do contexto de suas decisões após os ataques de 11 de setembro de 2001.

King relatou que Tagliabue caminhou por Manhattan em meio à fuligem, preocupado com a possibilidade de outros ataques. Para ele, entender a resposta de Tagliabue à crise é uma maneira de compreender a importância da liga além das partidas.

King considera o futebol americano um ponto de encontro em um país dividido. Essa admiração, porém, não elimina sua preocupação com a carga física imposta aos jogadores: ele diz que os atletas já fazem o suficiente e se opõe a acrescentar uma 18ª partida à temporada regular.

Parcells, Belichick e a memória dos Giants

Uma das lembranças envolve Bill Parcells na manhã seguinte ao Super Bowl XXI, disputado em 25 de janeiro de 1987. Em uma limusine, o treinador perguntou ao responsável pela segurança da NFL, Charlie Jackson, se Mike Ditka havia ficado tão feliz no ano anterior quanto ele estava naquele momento.

King também recordou as dúvidas de George Young sobre Bill Belichick como treinador principal. O jornalista discordava dessa avaliação porque via a reação dos jogadores, incluindo Lawrence Taylor, ao trabalho do técnico.

Quando Art Modell contratou Belichick para o Cleveland Browns em 1991, King avaliou que ele talvez não vencesse a entrevista coletiva, mas venceria partidas. A história ilustra a diferença entre apresentação pública e capacidade de comandar uma equipe.

Outro episódio envolve Wellington Mara. No primeiro Natal de King cobrindo os Giants, o proprietário lhe ofereceu uma televisão grande de uma loja P.C. Richard. O repórter devolveu o presente porque não poderia aceitá-lo, mas guardou a lembrança da generosidade de Mara.

Sobre Lawrence Taylor, King disse ter sido um privilégio acompanhá-lo durante quatro anos, apesar de não ter mantido uma relação pessoal próxima. Em sua avaliação, Taylor supera Reggie White entre os maiores defensores, tanto pela qualidade quanto pelo temor que provocava nos adversários.

Peyton e Eli Manning: controle e serenidade

Ao entrevistar Peyton Manning durante a temporada em Denver, King encontrou um jogador atento até aos detalhes da refeição. O encontro, organizado com Patrick Smyth, foi transferido para Denver em uma terça-feira, e Manning alterou duas opções de legumes do cardápio. Para o jornalista, a cena resume sua necessidade de controle.

Eli Manning deixou outra impressão após a vitória dos Giants por 20 a 17 na prorrogação sobre o San Francisco 49ers, na final da NFC em 22 de janeiro de 2012. Diante das críticas feitas por King anteriormente, Eli reagiu perguntando se agora era apreciado pelo repórter.

King compara essa capacidade de não se deixar abalar à postura de Derek Jeter. Seu ponto é a serenidade de Eli diante da pressão, e não uma ausência de competitividade.

Brady: 86 minutos e uma foto na neve

Depois do Super Bowl LI, King tentou marcar uma entrevista com Tom Brady. Escreveu na segunda-feira e voltou a insistir na quinta, argumentando que o quarterback deveria registrar as lembranças da virada enquanto estavam frescas, inclusive para seus filhos conhecerem a história no futuro.

Na sexta-feira, Brady respondeu com duas opções: uma hora em Boston naquele dia ou um encontro no domingo em Montana. King escolheu Montana. A conversa durou 86 minutos, foi gravada e virou duas partes do podcast MMQB, além de reportagens.

No fim, King pediu uma foto. Brady aceitou sob a condição de que ambos aparecessem. Eles saíram para a neve, e Gisele Bündchen fez a imagem. King considera a conversa uma das melhores entrevistas de sua carreira, pela precisão das lembranças do quarterback sobre o jogo.

Os episódios mostram o lado pessoal da cobertura, mas não mudam seu julgamento sobre controvérsias da liga. King considera que Belichick mereceu a punição pelo Spygate porque conhecia as regras e havia sido alertado por Eric Mangini.

Já o Deflategate é visto por ele como uma reação desproporcional de Roger Goodell. Em sua opinião, uma conversa reservada com Brady, Belichick e Robert Kraft teria sido uma resposta melhor. Trata-se da avaliação do jornalista sobre o episódio, não de uma nova conclusão oficial.

Favre, Jones, Madden e Steve Young

King recordou uma disputa de memória musical com Brett Favre, na qual levou vantagem com a canção Brandy, sem reproduzir seus versos. Também contou que Favre, após assistir a Sling Blade uma vez, conseguia repetir falas do filme; Steve Mariucci dizia não se preocupar quando Favre dormia em reuniões, pois ele ouvia uma explicação uma vez e já a memorizava.

Com Jerry Jones, a lembrança é de uma visita de aproximadamente uma hora e meia às instalações dos Cowboys, acompanhada de cerveja. O proprietário mostrou uma sala de cerca de 3.700 pés quadrados e obras de arte escolhidas por sua mulher, com o entusiasmo que King comparou ao de alguém apresentando um recém-nascido.

John Madden ofereceu um tipo diferente de convivência. King passou 51 horas em seu ônibus e recorda uma parada em Nebraska, numa quinta-feira, para observar flores silvestres. Madden consultou um livro para identificar uma planta. O jornalista destaca essa curiosidade como parte de uma personalidade autêntica, não de um personagem para a televisão.

Steve Young também aparece nas memórias de Super Bowl. Depois de 24 entrevistas, três bebidas esportivas vermelhas e biscoitos, o quarterback passou mal e vomitou nos sapatos de seu agente, Leigh Steinberg. O agente brincou que nunca os lavaria. Young precisou de soro mais tarde.

Na comemoração com a família, quando ouviu uma provocação sobre Joe Montana, Young defendeu o antecessor. Para King, o gesto revela respeito por alguém cuja sombra havia acompanhado sua carreira.

Rozelle, Kaepernick e treinadores de personalidade forte

King associa o desgaste de Pete Rozelle às disputas com Al Davis, a duas greves em seus últimos sete anos e ao processo da USFL. A comparação com os mandatos posteriores é parte de sua interpretação sobre a mudança nas pressões do cargo.

Ao falar de Colin Kaepernick, recorda policiais em Turlock interessados em conhecê-lo e sua convicção pessoal. King acredita que ele deveria ter recebido outra oportunidade na NFL, mas também critica sua decisão de não assinar o termo apresentado para um treino em Atlanta em 2019. São opiniões do entrevistado sobre um episódio controverso.

Tom Coughlin é descrito como difícil no trato, mas competente e sem vontade de se desculpar por sua maneira de trabalhar. Jimmy Johnson aparece em conversas reservadas após jogos, acompanhadas de cerveja, em que a franqueza ajudava a construir a relação com o repórter.

George Young respeitava o trabalho jornalístico, mas desconfiava de aspectos da agência livre. King discordava de sua comparação entre offensive guards e jogadores de beisebol: para o repórter, treinadores que passam tantas horas estudando deveriam encontrar uma forma de adaptar o sistema ao talento disponível.

Harbaugh, Rodgers e histórias de jogadores

Depois de uma vitória de Baltimore sobre Pittsburgh nos playoffs, King previu que John Harbaugh teria um vínculo longo com os Ravens, nos moldes de Chuck Noll. Agora, vê seu perfil como adequado aos Giants e destaca o respeito que ele conquista entre jogadores pela comunicação direta.

King não coloca Aaron Rodgers entre seus dez maiores quarterbacks e dá uma pequena vantagem histórica a Favre. Considera Patrick Mahomes em quarto, reconhecendo a dificuldade de classificar um jogador ainda no meio da carreira.

A história de Rodgers e Bart Starr tem um tom diferente. Após um acidente vascular cerebral, Starr gravou uma mensagem em Birmingham. Apenas cerca de 25 segundos do vídeo puderam ser utilizados, mas o carinho e a admiração por Rodgers emocionaram King.

John Randle é lembrado pela intensidade e pela infância em pobreza. O jornalista conta ter ficado constrangido ao saber que a mãe criou três filhos em uma casa de cerca de 400 pés quadrados, no Texas, sustentada sobre blocos. A descoberta ajudou-o a compreender a motivação do defensor para superar aquela situação.

Outra lembrança é de Jim Brown defendendo Belichick depois do anúncio de que os Browns seriam levados para Baltimore. King descreve um vestiário tomado pelo abatimento e compara o sentimento coletivo ao de um domingo após a morte de John F. Kennedy.

O que King mudaria nas regras

O jornalista não gosta do tush push, sobretudo da massa de jogadores empurrando o portador da bola. Também defende limitar a interferência defensiva de passe a 15 jardas, em vez de aplicar a falta no ponto da infração.

King apoia o replay, mas acredita que uma revisão deveria encontrar evidência clara em aproximadamente 50 segundos a um minuto. Se a imagem não for conclusiva nesse intervalo, prefere aceitar a possibilidade de erro humano a administrar cada detalhe indefinidamente.

Se fosse comissário, além de rejeitar a 18ª partida, encerraria as parcerias comerciais da liga com empresas de apostas, mesmo com perda de receita. Sua previsão de aumento dos problemas relacionados ao jogo é uma preocupação pessoal, não uma projeção estatística apresentada com metodologia.

Reportagem, favoritos e o propósito do livro

King considera o Super Bowl LI sua final preferida, pelo que aconteceu no jogo e pela sequência de aproximadamente 24 minutos que mudou a partida. Entre decisões antigas que gostaria de ter coberto, escolheria o Super Bowl III em vez da final de 1958, em parte por sua admiração de infância por Joe Namath.

Se pudesse entrevistar Vince Lombardi, perguntaria por que acreditou que conseguiria vencer com um Green Bay Packers em dificuldade. Também destaca a persistência de Steve Sabol, que continuou filmando apesar da resistência inicial de Lombardi, como lição para jovens jornalistas.

Entre suas escolhas pessoais, King citou o pai, Lefty King, Lombardi e Abraham Lincoln para um jantar; Intriga Internacional como filme; Humphrey Bogart como ator; e Frances McDormand e Jodie Foster como atrizes. Mencionou Bruce Springsteen e o macarrão cabelo de anjo com molho de tomate feito por Ann, sua mulher.

Ao explicar sua carreira, apontou os recursos da Sports Illustrated, a disposição de insistir e a criatividade nas pautas. Andy Reid lhe mostrou os diagramas de duas jogadas vencedoras de Super Bowl. Em 2015, King acompanhou uma semana da vida de Carson Palmer para encontrar uma perspectiva diferente da cobertura cotidiana.

The Game retoma decisões de Reggie White ao escolher Green Bay, a fase pessoal difícil de Bill Walsh em seu último ano, a serenidade de Nick Foles no Super Bowl LII e o contato de Alex Rodriguez com Patrick Mahomes quando o futuro quarterback ainda era criança e seu pai jogava beisebol no Texas Rangers.

O livro também inclui um capítulo com Ann McKee sobre os riscos de saúde de longo prazo associados ao esporte. King diz que seu amor pelo futebol americano convive com esse debate. Para ele, histórias assim explicam por que a NFL cresceu e se tornou uma liga de alcance global.

Compartilhe
Facebook X Telegram
SUA PRIVACIDADE

O Fumble usa cookies para login e segurança. Quando configurados, Google Analytics e Google AdSense carregam automaticamente para medir visitas e exibir publicidade, incluindo cookies e tecnologias desses serviços.

Este é um aviso informativo. “Entendi e continuar” registra sua leitura. Consulte nossa política de cookies e a política de privacidade para conhecer o uso de dados e os controles disponíveis no navegador e nos serviços Google.

Cookies e privacidade

Usamos cookies para manter sua sessão e proteger os formulários. Analytics e anúncios são carregados automaticamente nas páginas públicas em que estão configurados. Ler ou fechar o aviso não muda esse carregamento.

Você pode gerenciar cookies nas configurações do navegador e os anúncios em Minha Central de Anúncios. Controles adicionais podem ser apresentados pelo Google conforme a região e a configuração de publicidade.

Política de cookies · Política de privacidade

Instale o Fumble

Acesse o portal pela tela inicial do seu dispositivo, como um aplicativo.

O Fumble precisa de conexão com a internet para mostrar informações atualizadas.