Texas ainda busca corridas explosivas após mudanças no backfield
Análise aponta bloqueios, produção após contato e uso de Arch Manning como fatores para destravar o jogo terrestre dos Longhorns.
Quando começou a preparar o elenco para a janela de transferências de janeiro, Steve Sarkisian buscou espaço para reformular um grupo de running backs que não produzia as jogadas explosivas desejadas.
Quintrevion Wisner, que havia liderado o jogo terrestre de Texas, foi para Florida State. CJ Baxter, uma contratação de destaque da turma de 2023, mudou-se para Kentucky depois de três temporadas afetadas por lesões. Christian Clark, que mostrou potencial na vitória sobre Michigan no Citrus Bowl, seguiu para South Carolina.
Os Longhorns trouxeram Raleek Brown, de Arizona State, e convenceram Hollywood Smothers, ex-NC State, a trocar seu compromisso com Alabama por Texas. Os dois tinham histórico de produzir ganhos longos, mas o resultado coletivo ainda não apareceu com regularidade.
A explosão ficou concentrada em poucas jogadas
Smothers abriu a temporada com uma corrida de 45 jardas na primeira jogada ofensiva. Nas 193 tentativas seguintes, Texas conseguiu apenas mais duas corridas de pelo menos 20 jardas: um touchdown de 21 de Brown contra Texas State e uma corrida improvisada de 20 de Arch Manning contra UTSA.
Com apenas três ganhos de 20 ou mais, os Longhorns estão empatados em 120º no país. A única corrida acima de 30 jardas deixa somente nove equipes atrás deles. Mesmo no recorte menos exigente, de ganhos de dez jardas, as 25 jogadas colocam Texas empatado em 80º.
Enquanto isso, Baxter retomou a carreira em Kentucky com Will Stein: são 87 corridas para 484 jardas e quatro touchdowns. Smothers tem 53 para 237 e quatro touchdowns; Brown, 53 para 218 e quatro. Assim, as jardas de Baxter superam a soma de 455 dos dois reforços de Texas.
A coluna não conclui que Sarkisian e o novo treinador de running backs, Jabbar Juluke, erraram nas decisões de elenco. Ainda assim, as tentativas frustradas de contratar Jadan Baugh, de Florida, e Isaac Brown, de Louisville, ganham relevância diante da pouca explosão.
O diagnóstico central é que o ataque não cria de forma consistente as oportunidades necessárias para aproveitar seus corredores.
A queda no indicador de corridas longas
Em NC State, Smothers teve percentuais de jardas obtidas em corridas de pelo menos 15 jardas de 59,3% em 2024 e 52,3% em 2025. Em Texas, o indicador caiu para 26,6%.
Brown chegou a 45,8% em sua temporada de destaque por Arizona State e está em 16,5% neste ano. A medida de explosão se refere à parcela das jardas produzida em corridas longas, e não à proporção de tentativas que ultrapassam 15 jardas.
Linha ofensiva concentra parte importante da responsabilidade
Texas está em 91º em uma medida que combina jardas atribuídas à linha, frequência de corridas interrompidas sem avanço e sucesso em situações de força.
A equipe produz apenas 2,89 jardas de linha por tentativa, uma marca situada além da centésima posição. As academias militares lideram esse indicador, enquanto outros ataques terrestres fortes, como Miami (3,89) e Georgia (3,44), também aparecem entre os melhores.
As notas do Pro Football Focus acompanham essa dificuldade. Entre os cinco titulares, apenas o tackle esquerdo Trevor Goosby tem uma avaliação forte no bloqueio terrestre, com 70,0. Os outros quatro estão na faixa dos 50, com o guard direito Brandon Baker na menor marca, 54,6.
Mover Baker para o interior melhorou a proteção ao passe, área em que recebe avaliação de elite. Porém, com 315 libras, ele é relativamente leve para a função e pode ter menos vantagem no bloqueio frontal do conceito Duo do que teria em corridas de zona externa. Foi neste último desenho que o calouro Derrek Cooper teve sucesso no segundo quarto contra Oklahoma.
A capacidade atlética de Baker contrasta com Connor Robertson. O center veterano tem dificuldades de mobilidade e não compensa totalmente com força, mas sua técnica o leva à segunda melhor nota terrestre do grupo, 59,9.
Siani e Sikorski também precisam evoluir
Melvin Siani chegou de Wake Forest principalmente pela proteção ao passe e impressionou Sarkisian no training camp pelo que acrescentava às corridas. Na temporada, contudo, o autor considera sua contribuição terrestre mediana. Contra Oklahoma, teve sua pior atuação geral, com duas faltas e dois golpes no quarterback permitidos.
O guard esquerdo Dylan Sikorski também encontrou dificuldades contra os Sooners. Fora dos duelos com adversários mais frágeis, Texas State e UTSA, seu bloqueio terrestre tem ficado abaixo da expectativa.
A frustração é maior porque Sikorski é conhecido pela força física e deveria oferecer mais potência do que Laurence Seymore, veterano de sexto ano mais baixo e com menos massa.
Questionado sobre possíveis mudanças no interior da linha — como usar Seymore ou Cole Hutson no lugar de Robertson —, Sarkisian respondeu de maneira curta na quinta-feira: “Esses outros jogadores precisam treinar melhor se quiserem jogar mais”.
Os corredores também podem produzir mais depois do contato
Os Longhorns têm apenas 0,56 jarda em campo aberto por tentativa, uma marca na faixa das posições 120 em diante.
Brown caiu de 3,28 para 2,58 jardas após contato por corrida. A frequência de tackles perdidos forçados citada na análise passou de um a cada 4,8 tentativas para um a cada 4,4.
Smothers, que perdeu o jogo contra Tennessee por uma lesão na parte inferior da perna, viu suas jardas após contato recuarem de 3,84 para 3,21 por tentativa.
Cooper pode conquistar mais espaço se mantiver o desempenho contra Oklahoma: 22 de suas 41 jardas vieram depois do contato, com quatro tackles perdidos forçados. Brown, por outro lado, tem cometido erros em diferentes aspectos, incluindo a leitura dos espaços.
Antes de se machucar, Smothers havia se separado como principal opção. Ainda assim, a ausência de uma estrela claramente estabelecida, como Bijan Robinson ou Jonathon Brooks em outros momentos, dificulta distribuir as corridas e encontrar ritmo.
Manning precisa voltar a ameaçar com as pernas
Na temporada anterior, Manning correu para 519 jardas e dez touchdowns. Neste ano, ainda não marcou pelo chão e tem 171 jardas, quase todas em improvisações.
Ele teve 21 corridas de pelo menos dez jardas e conquistou 32 primeiras descidas correndo em 2025. As marcas atuais são de sete e cinco, respectivamente.
“Gostaria que ele corresse um pouco mais”, afirmou Sarkisian. O treinador lembrou que o ataque funcionava melhor quando o quarterback aproveitava as pernas em jogadas desenhadas, improvisações depois de problemas na proteção ou opções de corrida perto da end zone.
“Gostaria que as pernas dele se tornassem um fator maior do que foram até agora.”
Formação mais aberta pode ajudar
Um possível alívio é a redução esperada da qualidade das defesas nas semanas seguintes. Sarkisian também defendeu parte da atuação contra Oklahoma, lembrando que poucas equipes correm para 150 jardas contra aquele adversário e que Georgia teve apenas cinco tentativas de pelo menos cinco jardas contra os Sooners.
O treinador acredita que as jogadas explosivas aparecerão. Para isso, a análise pede melhores bloqueios da linha, dos tight ends e dos recebedores, além de decisões e execução mais eficientes dos corredores.
Abrir mais o campo pode ser uma solução. Texas tem média de 4,1 jardas por corrida com um running back e um tight end, meio ponto acima das formações com dois tight ends. A taxa de jogadas explosivas nesse primeiro agrupamento é de 15%, quase o dobro.
Contra Oklahoma, a diferença foi ainda maior: 4,9 jardas por tentativa com um tight end e 3,3 com dois.
“Acho que temos bons jogadores, bons esquemas e precisamos garantir que nossa confiança esteja certa para executar em um nível realmente alto”, disse Sarkisian.