Texas amplia uso de quatro recebedores e encontra dois touchdowns contra Oklahoma
Agrupamento pouco usado por Sarkisian criou espaços para Wingo e Bishop, mas exige respostas contra blitzes e equilíbrio com o jogo terrestre.
Steve Sarkisian tem saído de sua zona de conforto para tentar recuperar as jogadas explosivas do Texas Longhorns. Segundo o levantamento do SEC Stat Cat citado na análise, a equipe usou 11 jogadas com o agrupamento conhecido como 10 personnel nesta temporada: um running back, nenhum tight end e quatro recebedores.
É a primeira vez desde 2019, quando Sarkisian coordenava o ataque de Alabama, que essa formação aparece de maneira relevante em suas chamadas. Em cerca de 7.100 jogadas ao longo de oito temporadas, ele a utilizou menos de cem vezes.
Contra Oklahoma, porém, a produção foi importante: os Longhorns fizeram dois touchdowns nas quatro jogadas em que colocaram quatro recebedores em campo.
Espaçamento abriu o caminho para Ryan Wingo
No início do segundo quarto, Ryan Wingo recebeu um passe de 34 jardas para touchdown de Arch Manning. Ele saiu de uma formação agrupada com outros dois recebedores no lado mais amplo do campo e atacou a abertura vertical atrás do linebacker que recuava para a cobertura.
O desenho obrigou o safety daquele lado a se alinhar próximo à marca interna do campo, enquanto a rota profunda de Cam Coleman ocupava o safety do lado mais estreito.
O resultado foi uma região central aberta. A combinação de formação e rotas ofereceu a Manning uma leitura simples e espaço para completar o passe a Wingo.
Bishop ajudou a empatar no quarto período
Em um momento decisivo do último quarto, o mesmo agrupamento ajudou Texas a responder ao touchdown de Oklahoma em uma interceptação retornada por Peyton Bowen.
O ataque tem melhorado gradualmente sua taxa de touchdowns na red zone, e as chamadas de Sarkisian na parte mais afastada dessa região contribuíram.
Em uma formação com dois recebedores para cada lado, Texas conseguiu colocar um linebacker aberto diante de Wingo, com Jermaine Bishop mais próximo da lateral. A rota de Wingo para fora atraiu o cornerback e o safety.
Bishop então fez o linebacker reagir a uma ameaça de parada curta e usou sua aceleração para criar separação. Na recepção de 15 jardas para touchdown, ainda evitou o safety que chegava atrasado.
Segundo o Inside Texas, os dois touchdowns foram beneficiados por mais repetições dessa formação nos treinos da semana anterior. O trabalho continuou na preparação para enfrentar Florida em Austin.
Quatro alvos complicam a resposta defensiva
Sarkisian hesita em tirar um de seus três principais recebedores para abrir espaço a Bishop. O agrupamento com quatro permite usá-los juntos e coloca os linebackers adversários em situações difíceis.
Uma resposta possível dos coordenadores defensivos seria aumentar o número de defensive backs, usando formações com seis jogadores de secundária. Outra seria enviar mais pressão, já que o ataque normalmente tem menos peças disponíveis para proteger o quarterback.
“Bons coordenadores defensivos, como os que enfrentamos, vão preparar respostas se souberem que isso é tudo o que você fará”, explicou Sarkisian. Por isso, ele defende alternar recursos: depender apenas de proteções de cinco ou seis jogadores pode deixar defensores livres diante de Manning.
Mosley oferece um ajuste contra a pressão
Mesmo em poucos snaps, o treinador já mostrou uma adaptação: alinhar Emmett Mosley no backfield e deslocá-lo antes da jogada se a defesa não indicar a chegada de um sétimo jogador na pressão.
A publicação cita uma conversão de terceira para oito em uma campanha de touchdown no quarto período, com Mosley executando esse movimento como se fosse um running back antes de o passe sair para Wingo.
Enviar sete defensores também expõe a defesa. Com quatro recebedores para marcar, o fundo do campo pode ficar em marcação individual sem cobertura de segurança, a chamada Cover Zero. Contra Coleman ou outro alvo, o defensor livre precisa chegar rapidamente ao quarterback.
Corridas e proteção limitam o uso como base
Texas tem lançado prioritariamente a partir dessa formação: correu apenas duas vezes, com média de 2,5 jardas. Mosley pode ajudar a reduzir essa limitação ao permanecer no backfield como bloqueador à frente, dando ao desenho uma aparência de agrupamento com dois corredores.
As restrições ao jogo terrestre e à proteção são razões importantes para que quatro recebedores funcionem, em muitos ataques universitários, como uma mudança de ritmo, e não como a base constante que Mike Leach utilizava no Air Raid.
“Nosso 10 personnel tem sido muito bom para nós, cresceu ao longo da temporada e foi eficiente”, disse Sarkisian. “Mas há camadas nisso: o jogo terrestre pode ficar limitado, as proteções podem ficar limitadas. Você precisa ter outras coisas para compensar quando tentarem atacar esse aspecto.”