Union Jack Classic levou bandas, tailgates e tradição universitária a Wembley
Antes de Kansas x Arizona State, organizadores prepararam festas, bandas e ações para aproximar o público britânico do futebol universitário.
Wembley se preparou para receber um tipo diferente de futebol americano em setembro de 2026. Depois de quase duas décadas de jogos da NFL em Londres, Kansas Jayhawks e Arizona State Sun Devils foram escolhidos para a estreia do Union Jack Classic, com bandas marciais, cheerleaders e festas nos arredores do estádio.
A reportagem publicada em 18 de setembro retratou os preparativos para a partida de sábado, marcada para as 17h no horário britânico de verão, o BST. A previsão era de 60 mil torcedores — um salto em relação aos cerca de 2.500 que acompanharam o primeiro jogo universitário no Reino Unido, em Crystal Palace, em 1988.
O futebol universitário americano já havia passado por países como Cuba, Japão e Tanzânia antes de a NFL começar a disputar partidas no exterior. Mas seu retorno à Inglaterra exigiu transformar uma ideia antiga em um evento de grande porte.
Uma conversa entre ex-jogadores virou projeto
Brian Dubiski, empresário e diretor executivo do Union Jack Classic, e um sócio que também jogou no futebol universitário começaram a discutir por que ninguém havia levado a competição de volta à Inglaterra. O parceiro havia trabalhado com a NFL em Londres.
Depois de amadurecerem o plano por alguns anos, conseguiram reservar uma data em Wembley. O passo seguinte foi encontrar as equipes.
Brett Yormark, comissário da Big 12, queria ampliar o alcance internacional da conferência, que já havia participado dos dois jogos universitários anteriores em Dublin. Kansas e Arizona State aceitaram viajar.
Fundado em 1890, o programa de Kansas é um dos mais antigos do esporte e buscava expandir sua marca. Para Arizona State, o confronto coincidiu com a abertura de um campus em Londres naquele mês.
As instituições também queriam proporcionar uma experiência cultural aos atletas: antes da viagem, a maioria deles não tinha passaporte.
O que diferencia uma partida universitária?
Praticamente todos os jogadores da NFL passam pelo sistema universitário dos Estados Unidos. Em muitas regiões, os times das universidades são mais populares do que as franquias profissionais.
As arquibancadas ajudam a mostrar essa força. Oito dos dez maiores estádios do mundo são usados no futebol universitário e comportam mais de 100 mil pessoas.
A torcida também costuma atravessar gerações. O jogador Calvin Clements, de Kansas, por exemplo, pertence à quinta geração de Jayhawks de sua família. O ator Paul Rudd também tem ligação com a universidade, enquanto Jason Sudeikis cresceu em Kansas, é torcedor de longa data e frequentemente inclui referências à instituição em seu trabalho.
Para Dubiski, a intensidade dessas rivalidades lembra as torcidas do futebol europeu.
Os tailgates — encontros com comida e bebida nos estacionamentos por várias horas antes da partida — existem na NFL e nas universidades. No college football, porém, vêm acompanhados de cantos nas arquibancadas, bandas marciais e grupos com cheerleaders, dançarinos e mascotes.
Yormark destacou a tradição, a energia e a paixão como partes centrais da experiência que queria apresentar aos britânicos.
Público britânico e torcedores dos Estados Unidos
Os organizadores buscaram alcançar os 14 milhões de pessoas que, segundo a NFL, se identificam como fãs da liga no Reino Unido, além de atrair um público mais jovem.
Para isso, formaram parcerias com a British American Football Association, a British Universities and Colleges Sport e o Jacksonville Jaguars, que realiza anualmente uma partida em Wembley.
Dos aproximadamente 60 mil ingressos vendidos, cerca de 15 mil seriam usados por fãs viajando dos Estados Unidos. Setores de estudantes ajudariam a reproduzir o ambiente dos jogos universitários.
O evento se tornou o primeiro patrocinador da liga nacional da associação britânica desde 1992. Também subsidiou mais de 750 qualificações de treinadores e árbitros e promoveu atividades para mais de 400 técnicos.
Dubiski afirmou que a venda superou suas expectativas para a primeira edição e a média de público da Big 12. O acordo com Wembley era exclusivo e de vários anos, com partidas já sendo planejadas para os três anos seguintes. Outras cidades europeias e jogos de basquete também estavam nos planos.
Robert Griffin III aposta no alcance internacional
O ex-quarterback da NFL Robert Griffin III, então analista universitário da Fox Sports, acreditava que o college football poderia conquistar um público internacional ainda maior do que a NFL.
Na avaliação dele, a ligação das torcidas com as equipes se aproxima do futebol praticado no restante do mundo. Também há mais opções para quem procura um time: 32 franquias na NFL, contra cerca de 400 equipes no futebol universitário, segundo sua comparação.
Griffin ressaltou ainda que acompanhar as universidades permite observar o desenvolvimento dos futuros jogadores da liga profissional. Para a estreia em Londres, esperava um jogo com muitos pontos. Arizona State havia vencido Morgan State por 70 a 7 na abertura da temporada, diante de mais de 54 mil pessoas.
Como seria o dia do jogo?
Griffin participaria da equipe da Fox em Wembley para o Big Noon Kick-Off, programa de pré-jogo que fazia sua primeira transmissão fora dos Estados Unidos. A cobertura começaria duas horas antes da partida, num estúdio montado do lado de fora do estádio.
O principal tailgate estava previsto para as 10h, sete horas antes do kickoff, com churrasco tradicional de Kansas. Bandas e cheerleaders se apresentariam na Wembley Way.
Dentro do estádio, haveria música antes do jogo e um show no intervalo. Jason Sudeikis e alguns atores britânicos foram convidados, mas os organizadores ainda não tinham confirmado quem compareceria.