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Análise

Análise dos Eagles: quinze lances expõem falhas na proteção e pressão sobre Mannion

Jonny Page detalha os problemas contra Carolina, compara shotgun e jogadas sob o center e defende mudanças na comissão ofensiva.

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Sean Mannion, coordenador ofensivo dos Philadelphia Eagles, acompanha o training camp no Jefferson Health Training Center, em 4 de agosto de 2026.
Sean Mannion, coordenador ofensivo dos Philadelphia Eagles, acompanha o training camp no Jefferson Health Training Center, em 4 de agosto de 2026.Crédito: Terence Lewis/Icon Sportswire via Getty Images

Jonny Page costuma procurar soluções antes de pedir a saída de um jogador ou treinador. Depois de revisar o ataque do Philadelphia Eagles contra o Carolina Panthers, porém, chegou a uma conclusão mais dura: em sua avaliação, Sean Mannion deveria ser substituído.

O problema central, para o analista, é a insistência em um ataque com o quarterback sob o center e corridas de zona externa que não está funcionando. Mannion, ainda com pouca experiência como treinador, não tem mostrado capacidade de resolver as dificuldades criadas pelo próprio sistema.

Page também responsabiliza Nick Sirianni por permitir a continuidade desse quadro. Considera, porém, que entregar o ataque a Josh Grizzard ou ao próprio técnico principal seria uma mudança imediata mais simples que demitir Sirianni. Não descarta uma troca mais ampla, mas rejeita a ideia de dar ainda mais responsabilidades a Mannion.

As lesões são reais. Ainda assim, Carolina estava sem seus dois principais cornerbacks, ambos na lista de contundidos, e Jaelan Phillips participou de apenas 28 snaps. Havia confrontos individuais e espaços a explorar.

O analista não considera que Tanner McKee tenha jogado bem, mas entende que o funcionamento coletivo torna injusto avaliar isoladamente quarterbacks, corredores e bloqueadores. A seguir, os quinze pontos de sua revisão das imagens.

Sean Mannion acompanha um treino dos Eagles durante o training camp.

1. A primeira jogada já expõe a proteção

Os Eagles começam sob o center, executam um play-action e deixam um defensor sem bloqueio. Os Panthers apresentam quatro possíveis pressionadores à esquerda da defesa, e o plano acaba exigindo que Dameon Pierce se responsabilize por dois adversários.

Page supõe que Willie Lampkin deveria atravessar a formação para bloquear o linebacker, mas o jogador parece confuso e ajuda em uma região que não precisava dele. Sem conhecer a chamada, o autor não afirma exatamente onde a comunicação falhou. O resultado, porém, não dá chance ao quarterback.

Era a primeira jogada, preparada durante a semana inteira, e não uma surpresa apresentada pela defesa no fim do jogo. Depois de semanas de problemas semelhantes, Page considera inaceitável que a equipe ainda comece sem definir adequadamente quem bloqueia cada defensor. Para ele, as primeiras posses foram frustrantes a ponto de desrespeitar a expectativa de quem foi ao estádio.

2. Sete bloqueadores não resolvem cinco pressionadores

Na campanha seguinte, Elijah Moore supera Akayleb Evans, jogador que Page havia indicado na prévia como um alvo a explorar. McKee, porém, não consegue aproveitar porque a proteção volta a desmoronar.

Carolina apresenta uma frente de cinco homens. Os Eagles parecem querer que seus jogadores de linha atravessem espaços laterais para bloquear, deixando o defensor de borda sob responsabilidade de dois tight ends.

Jake Majors precisa alcançar o defensor de número 95, enquanto Tyler Steen fica responsável pelo número 92. Steen não chega a tempo.

Page reconhece que a proteção é mais complexa do que simplesmente distribuir cinco bloqueadores contra cinco defensores. Mesmo assim, questiona por que o ataque cria tantas dificuldades para si. São sete jogadores protegendo contra cinco pressionadores, sem tempo para lançar a um recebedor livre.

Majors tem dificuldades no center, mas resiste como pode. Na avaliação do autor, a atuação individual da linha foi melhor do que o resultado coletivo da proteção sugere, o que exige examinar o plano da comissão.

3. Um conceito de play-action sem os elementos que o sustentam

Os Eagles continuam repetindo um conceito frequentemente chamado de throttle, associado ao sistema de Shanahan. Nele, o recebedor pode interromper sua progressão e se acomodar em um espaço, em vez de continuar cruzando o campo.

A chamada pode funcionar como variação das rotas cruzadas. O problema é que Philadelphia quase não estabeleceu um jogo eficiente dessas rotas. Os linebackers dos Panthers não reagem à simulação de corrida e conseguem recuar com boa profundidade.

Também falta uma rota curta pelo meio para puxá-los à frente. Assim, sobra pouco espaço atrás deles para o passe.

A defesa não é forçada a se esticar nem horizontalmente nem em profundidade. Para Page, os Eagles importam um conceito sem construir as condições que o fazem funcionar, como se executassem uma versão inicial do sistema sem compreender suas relações.

Nos cinco snaps de play-action sob o center contra Carolina, o ataque teve três passes incompletos e dois sacks. É um cenário pouco favorável para ajudar um quarterback reserva a entrar no jogo.

O levantamento de Deniz Selman citado pelo analista mostra o tamanho da diferença na taxa de sucesso dos recuos para passe com o quarterback sob o center:

Equipe Posição na NFL Taxa de sucesso
New York Jets 1ª 59,5%
Seattle Seahawks 2ª 59,1%
San Francisco 49ers 3ª 57,7%
Média da liga — 49,5%
Miami Dolphins 30ª 35,0%
Denver Broncos 31ª 30,3%
Philadelphia Eagles 32ª 15,2%

4. Duas corridas bem executadas oferecem uma base

Houve dois avanços consecutivos que funcionaram com o quarterback sob o center. Ambos foram corridas de zona externa para a direita, com dois tight ends em campo, e Dallas Goedert bloqueando bem daquele lado.

Derrick Brown estava fora no primeiro. No segundo, os Eagles correram para longe dele, enquanto o movimento lateral da linha defensiva dos Panthers afastou os jogadores da abertura.

Surgiram espaços grandes, confirmando uma fragilidade que Page havia identificado antes da partida. Depois de mostrar duas vezes a mesma corrida com sucesso, a comissão poderia explorar a expectativa defensiva: mudar a direção, chamar um play-action ou apresentar outra ameaça ligada às jogadas anteriores.

5. A repetição permite a reação da defesa

Em vez disso, os Eagles chamaram novamente a mesma corrida, com o mesmo grupo e praticamente a mesma aparência. Os Panthers anteciparam a jogada e interromperam o avanço no backfield.

Vieram então dois passes incompletos em shotgun e um punt.

Para Page, esse é um problema de sequência e de treinamento. As corridas sob o center e os passes em shotgun parecem pertencer a ataques separados. Duas boas corridas de zona externa não ajudam automaticamente o passe seguinte se não existir uma conexão capaz de obrigar a defesa a considerar várias possibilidades.

O adversário reage a cada formação sem precisar se preocupar com o que poderia derivar da jogada anterior. É uma dificuldade que, segundo o autor, se repete há semanas.

6. Uma bela conexão não apaga o holding

Uma boa rota de Darius Cooper e um excelente passe de McKee finalmente produzem algo no play-action sob o center. A jogada, porém, é anulada por um holding de Johnny Mundt.

O tight end é superado pela borda e segura o linebacker. A falta compra justamente o instante adicional que permite o lançamento. Não é possível, portanto, simplesmente retirar a penalidade da análise e considerar que a proteção funcionou.

A rota e o passe merecem elogios e demonstram que há jogadas disponíveis contra a secundária. Ainda assim, o ataque não pode depender de bloqueadores segurando adversários para ganhar tempo. Se a proteção não sustenta o conceito, a comissão precisa modificar o que está pedindo aos jogadores.

7. Três bloqueadores para dois defensores, com Lloyd livre

Os Eagles tentam novamente um passe curto para fora, do tipo swing, que já falhou em outras ocasiões na temporada.

Usam três bloqueadores contra dois defensive backs e deixam Devin Lloyd livre para atacar Pierce. O corredor ainda consegue reagir bem à situação, mas perde uma jarda.

É o tipo de lance que, para Page, evidencia a dificuldade de julgar o running back pelo resultado: ele pode evitar um contato ou lutar por jardas e terminar negativamente porque recebeu uma oportunidade quase impossível desde o início.

8. Pierce recebe uma tarefa que não consegue executar

Evans volta a ser superado, mas o ataque não explora o confronto. McKee se concentra em Dontayvion Wicks, que corre uma rota para a região lateral profunda contra um cornerback posicionado com vantagem por fora.

Page questiona a escolha daquele lado. Ao mesmo tempo, o pocket já está desmoronando, sem uma oportunidade real de o quarterback voltar sua leitura para o outro lado do campo.

Pierce permaneceu no backfield para proteger o passe em 19 jogadas, segundo maior total de um running back na Semana 6. Para o analista, ele teve muita dificuldade nessa função.

Era praticamente a única opção disponível entre os corredores, mas isso não obrigava o ataque a repetir a mesma atribuição. Poderia alinhá-lo aberto, usar uma formação sem corredor ao lado do quarterback ou escalar outro recebedor ou tight end.

Manter um running back na proteção só ajuda se ele consegue bloquear. Os Eagles não estavam obtendo esse benefício, mas continuaram estruturando o jogo aéreo dessa maneira.

9. Lampkin mostra que o problema não é só individual

Em uma jogada diferente de zona externa, Lampkin executa um ótimo bloqueio. Sua experiência na luta aparece na forma como controla o defensor.

Page considera que ele foi bem no conjunto e rejeita a explicação de que todos os jogadores de linha simplesmente perderam a capacidade de bloquear. Markel Bell também teve momentos razoáveis, embora tenha oscilado em outros.

As notas do PFF são subjetivas, e a atribuição de responsabilidade por pressões exige interpretação. Ainda assim, a contagem da plataforma não colocou nenhuma pressão cedida na conta de Lampkin, Bell ou Jordan Mailata.

Isso não elimina todos os erros individuais, mas sustenta a distinção feita pelo autor: jogadores de linha podem ter atuações aceitáveis enquanto o plano de proteção falha ao redor deles.

10. O shotgun permite enxergar e soltar a bola

Em uma campanha, McKee faz dois bons lançamentos pelo meio: um para Goedert e outro para DeVonta Smith. Ambos saem de shotgun, com o quarterback enxergando a defesa no snap e conseguindo se livrar rapidamente da bola.

Mesmo no passe para Goedert, Pierce precisa atravessar à frente do quarterback para bloquear um linebacker vindo do outro lado. O shotgun ao menos oferece a McKee uma chance maior de reconhecer a ameaça e lançar antes de o defensor chegar.

Segundo os dados reproduzidos por Zach Berman, os Eagles tiveram EPA de −0,10 por jogada em shotgun contra Carolina, contra −0,57 sob o center. EPA mede a alteração nos pontos esperados produzida por uma jogada. Nenhum dos números é bom, mas a diferença é expressiva.

No recorte de temporada citado, Philadelphia aparece em 31º em EPA por jogada sob o center, em 32º no play-action dessa formação e em 24º no shotgun.

Page defende abandonar, por enquanto, o pacote sob o center e dedicar o tempo de treino a fazer o shotgun funcionar, posição que afirma sustentar há um mês.

11. A volta à formação problemática quase encerra a campanha

Depois dos dois bons passes em shotgun, os Eagles retornam ao snap sob o center. Cooper recebe uma atribuição de bloqueio para a qual seu posicionamento anterior ao snap praticamente não lhe dá chance de sucesso.

Não foi a única vez em que a comissão o colocou nessa situação. Uma interferência de passe posterior ajuda a manter a posse, mas não torna o desenho anterior adequado.

O ataque acabara de avançar com McKee enxergando o campo. Para Page, insistir na identidade desejada precisa ter um limite quando os jogadores não conseguem executar as tarefas exigidas.

12. Falta uma resposta imediata para a blitz pelo meio

Em outro lance, seis jogadores ficam protegendo, sem contar Goedert, que sai em rota. Carolina apresenta sete possíveis pressionadores.

O ataque precisa de uma resposta caso venham mais defensores do que os bloqueadores podem conter. Uma opção é um passe imediato, chamado de hot throw, para compensar um adversário deliberadamente deixado livre.

Os Eagles não têm uma solução eficiente, e outro linebacker atravessa o meio sem bloqueio.

Page questiona por que a proteção insiste em garantir a borda enquanto libera blitzes pelos espaços interiores, os gaps A e B. Um defensor muito aberto precisaria percorrer uma distância maior até o quarterback, oferecendo mais tempo para uma resposta rápida, desde que a rota e o lançamento estejam preparados para isso.

O autor ressalva que não conhece todas as regras internas da proteção. O resultado visível, porém, se repete: pressão imediata pelo centro e nenhuma saída útil para o quarterback.

13. Mais jogadores protegendo não significam melhor proteção

No quinto play-action sob o center, depois de quatro tentativas malsucedidas, os Panthers pressionam com cinco homens contra sete bloqueadores. McKee sofre o sack quase imediatamente.

Mundt participa de mais uma quebra na proteção, depois de problemas anteriores. Page questiona quantas falhas da mesma natureza serão necessárias para a comissão tentar outra abordagem.

É também por isso que o autor considera necessário examinar o trabalho do treinador da linha ofensiva, Chris Kuper. A responsabilidade não se limita a um único assistente, e Page não afirma saber quem define cada regra nas reuniões. Ainda assim, preparação e coordenação da unidade fazem parte do problema.

Acrescentar corpos à proteção deveria ajudar. Para esse ataque, não está ajudando.

14. Smith se destaca na melhor campanha

Smith foi, na avaliação de Page, o melhor jogador do ataque por ampla margem e mereceu seu touchdown. A qualidade de suas recepções não deve ser apagada pela frustração com o restante da atuação.

Havia talento suficiente para produzir um ataque competente contra aquela defesa, mesmo com as lesões de Philadelphia.

A melhor campanha dos Eagles foi inteiramente em shotgun, com bastante uso de ritmo acelerado e sem huddle. Para o analista, a equipe funciona melhor quando precisa lançar dessa formação e aumentar o ritmo.

A pergunta, portanto, é por que não utilizar mais aquilo que permite os melhores momentos e reduzir o pacote que tem produzido tantos problemas.

15. A proteção continua sem uma saída rápida no fim

Mesmo precisando avançar em profundidade no final da partida, o quarterback necessita de uma opção curta contra pressão. A proteção havia falhado durante todo o jogo. Chamar rotas demoradas sem uma resposta imediata deixa McKee novamente preso no pocket.

Carolina envia seis defensores contra sete bloqueadores. Steen e Bell acabam no mesmo adversário, enquanto outro pressionador atravessa sem contato.

Na semana anterior, os Eagles tiveram algum sucesso abrindo o campo, sem running back no backfield, contra blitzes. Desta vez, voltaram a manter jogadores adicionais na proteção sem conseguir organizar as responsabilidades.

Os números do confronto refletem a dificuldade: contra blitzes, McKee completou oito de 17 passes para 45 jardas, sofreu três sacks e o ataque teve EPA de −0,58 por jogada. Sem blitz, o indicador foi de +0,01.

Os Panthers tinham motivos para continuar atacando um plano que não conseguia puni-los. Nenhum quarterback, argumenta Page, pode produzir com regularidade nessas condições.

Conclusão: a comissão precisa adaptar o sistema

Page mantém a avaliação de que McKee não jogou bem, mas não se surpreende. Antes de julgar de forma justa a execução individual, os Eagles precisam oferecer um sistema funcional. Muitas posses estão sendo decididas por dificuldades que a comissão deveria resolver.

O autor evita chamar treinadores de incompetentes porque não conhece tudo o que acontece internamente. Ainda assim, vê uma insistência que se aproxima de arrogância: manter o sistema por convicção, esperando que a repetição eventualmente prove que ele funciona.

Pedir continuamente aos jogadores tarefas que já demonstraram não conseguir cumprir não é uma solução. O trabalho, para Page, é treinar o elenco disponível e construir um ataque que lhe dê uma oportunidade real.

Sua conclusão é que Mannion deveria ser substituído e que o trabalho de Kuper merece uma revisão séria. Isso não absolve Sirianni: o técnico principal continua responsável e, se precisar assumir as chamadas ofensivas, deve fazê-lo. Grizzard também é uma alternativa citada pelo analista.

O que Page rejeita é outra semana de funcionamento idêntico sob o center, atribuições de bloqueio inviáveis e explicações limitadas à necessidade de os jogadores executarem melhor. Para ele, mudanças importantes são necessárias enquanto ainda há uma parcela grande da temporada pela frente.

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