Opinião: números de MarShawn Lloyd acendem alerta para o jogo terrestre dos Packers
Paul Noonan compara o início do running back a recortes históricos e aponta produção abaixo do esperado nas métricas do Next Gen Stats.
O rendimento de MarShawn Lloyd tornou-se uma preocupação para o Green Bay Packers. Na avaliação de Paul Noonan, as dificuldades da linha ofensiva ajudam a explicar parte do problema terrestre, mas não justificam sozinhas uma produção tão baixa do running back.
Kaleb Johnson tem média de 3,7 jardas por corrida, enquanto Chris Brooks chegou a 4,7 antes de se lesionar. Noonan reconhece que corridas longas melhoram esses números e que os dois também têm problemas de consistência. Ainda assim, considera que eles já mostraram ganhos capazes de compensar parte das jogadas ruins. Em Lloyd, o autor vê falta de explosão e de soluções para produzir além do espaço inicial.
Um grupo histórico pouco favorável
Segundo o levantamento do colunista no Stathead, desde a fusão das ligas, em 1970, somente sete running backs com mais de 50 corridas na carreira apresentaram média de 2,5 jardas ou menos por tentativa no recorte utilizado.
Quatro deles atuaram em 1982 ou antes: Willie Spencer, Reece Morrison, Odell Lawson e Michael Morton. Lloyd aparece ao lado de Keaontay Ingram e Isaiah Spiller entre os três casos posteriores a 1982 identificados nessa consulta.
A comparação mostra o tamanho da dificuldade inicial, mas usa um mínimo de participação relativamente baixo. Não equivale a uma avaliação definitiva de toda a carreira que Lloyd ainda poderá construir.
Next Gen Stats aponta produção abaixo do esperado
Os indicadores do Next Gen Stats citados por Noonan também são negativos. O modelo estima quantas jardas uma corrida deveria produzir a partir do posicionamento dos jogadores e das condições da jogada. A diferença entre o resultado real e essa estimativa é chamada de jardas terrestres acima do esperado, ou RYOE.
Lloyd aparece em último no recorte de RYOE por tentativa, com −1,55. Isso significa produzir, em média, 1,55 jarda a menos por corrida do que o modelo esperava da situação — não uma medição direta de quantas jardas qualquer outro running back faria. Alvin Kamara é o penúltimo, com −1,19.
No total acumulado, Lloyd está em −75 jardas acima do esperado, ligeiramente abaixo das −72 de J.K. Dobbins. Superou a estimativa em apenas 27,1% das tentativas, correspondentes a 13 corridas no conjunto analisado.
O texto também discute o número de defensores próximos à linha, mas sua referência a formações leves contém uma descrição contraditória. Esse trecho não permite concluir com segurança que a composição da defesa enfrentada facilite ou dificulte suas corridas.
Deslocamento lateral sem ganho correspondente
Outro indicador citado é o de eficiência: a distância efetivamente percorrida pelo running back para cada jarda conquistada em direção à end zone. Nesse critério, valores menores apontam um trajeto mais direto para a frente.
Lloyd percorreu 6,06 jardas para cada jarda ganha, o segundo maior valor da liga no recorte da matéria. Somente Keaton Mitchell estava acima, com 6,27.
Para Noonan, o dado combina com a tendência de Lloyd de tentar levar corridas para fora mesmo quando avançar pelo espaço disponível à frente seria a melhor opção. É a interpretação do autor sobre a execução, apoiada nessa relação entre deslocamento e ganho.
O peso das próximas oportunidades
O colunista relembra Michael Haddix, que jogou pelos Packers em 1989 e 1990. No levantamento citado, Haddix tem a menor média de carreira entre atletas com mais de 500 corridas: 3,0 jardas por tentativa.
Lloyd estava num ritmo projetado de 136 corridas na temporada, com média de 2,5. Essa média é meia jarda inferior à referência de Haddix, embora as amostras de participação sejam muito diferentes. A projeção de volume também não garante o total ao fim do campeonato.
Noonan espera uma redução de oportunidades, especialmente se Josh Jacobs retornar. Depois das dez jardas em oito corridas contra o Dallas Cowboys, considera injustificável manter o mesmo nível de uso. Essa é sua recomendação para o ataque, não uma mudança de rotação anunciada pelos Packers.
O passe tem maior peso no futebol americano moderno, pondera o autor, mas o ataque não pode sustentar por muito tempo um jogo terrestre com esse nível de rendimento. Melhorar os bloqueios e encontrar quem aproveite os espaços disponíveis são problemas que Green Bay precisa resolver em conjunto.