Cinco lances explicam as chances desperdiçadas dos Cowboys contra os Packers
Interceptações de Prescott, toque de Golden e quarta descida frustrada ajudam a explicar a derrota de Dallas por 23 a 13 em Green Bay.
O Green Bay Packers venceu o Dallas Cowboys por 23 a 13 no Sunday Night Football, em Lambeau Field, e expôs novamente problemas de execução dos visitantes. Na avaliação de LP Cruz, os erros de preparação, os tackles perdidos e a dificuldade para produzir jogadas explosivas nas duas últimas semanas ajudam a explicar uma campanha que caiu para duas vitórias e quatro derrotas.
O autor também questiona as respostas da comissão técnica, especialmente a escolha de jogadas em situações decisivas, e considera que a defesa ainda está distante do desempenho prometido. Num fim de semana em que Philadelphia Eagles e New York Giants perderam, Dallas desperdiçou a chance de se aproximar dos rivais. Cinco sequências ajudam a entender como isso aconteceu.
1. O toque de Golden impediu um touchdown
Matthew Golden participou do resultado de maneiras diferentes. Embora tenha deixado cair passes que poderiam prolongar campanhas ou gerar mais pontos, também fez um lance fundamental para evitar uma pontuação da defesa adversária.
Perto do fim do primeiro quarto, Green Bay já vencia por 7 a 0, depois de um passe de nove jardas de Jordan Love para o próprio Golden. O linebacker Dee Winters então antecipou uma bola destinada ao recebedor e conseguiu a primeira interceptação dos Cowboys na temporada.
Winters se levantou, passou por jogadores dos Packers e pareceu retornar mais de 40 jardas para um touchdown que empataria o confronto. A revisão, porém, mostrou que Golden o havia tocado enquanto ele ainda estava no chão. Corretamente, a arbitragem encerrou o lance por contato na linha de 42 jardas de Green Bay.
O esforço dos defensores de Dallas para bloquear e abrir caminho para o companheiro mostrou disposição de uma unidade bastante criticada, que havia realizado uma reunião apenas entre jogadores. Para Cruz, o episódio também simbolizou a diferença entre concluir um lance e apenas chegar perto disso. A boa posição de campo acabaria desperdiçada na sequência.
2. Prescott devolveu a posse na red zone
A defesa comandada por Jonathan Gannon incomodou a linha ofensiva e Dak Prescott com pressão e coberturas que dificultaram suas leituras. Mesmo assim, a interceptação de Winters havia oferecido ao ataque um campo curto para buscar o empate.
Dallas avançou até a red zone, mas não marcou. No início do segundo quarto, numa segunda para oito na linha de 17 jardas dos Packers, Prescott recebeu uma pancada forte de Zaire Franklin. Na jogada seguinte, tentou encaixar um passe pelo meio para CeeDee Lamb.
O safety Evan Williams leu a intenção, saltou para interceptar na linha de três jardas e retornou aproximadamente 17, até a linha de 20 de Green Bay. Na leitura do autor, Prescott não percebeu a presença do defensor.
Uma defesa que vinha tendo dificuldade para provocar perdas de posse finalmente fizera sua parte. O ataque, porém, não transformou aquela oportunidade em pontos. Lamb já havia impedido uma possível interceptação anterior ao disputar outra bola. Na avaliação de Cruz, cabia ao quarterback proteger a posse e manter a possibilidade de pontuar; a nova perda ajudou Green Bay a ampliar o controle da partida.
3. Lamb escorregou, e veio a segunda interceptação
O ataque deveria ser o ponto forte dos Cowboys, mas os turnovers continuaram aparecendo. Depois de a defesa conseguir uma parada perto da própria end zone, Dallas tinha uma chance de diminuir a desvantagem, que ainda era de dez pontos.
O gramado de Lambeau estava escorregadio, e vários jogadores tiveram problemas para se manter em pé. Mesmo assim, os Cowboys construíram uma campanha que chegou ao campo adversário.
Uma falta de holding os colocou numa primeira para 15, na linha de 28 jardas de Green Bay. Na jogada seguinte, Lamb escorregou e caiu durante sua rota. O passe de Prescott acabou nas mãos do novato Brandon Cisse, que conseguiu a primeira interceptação de sua carreira.
Com poucos tempos disponíveis e dificuldades para interromper o avanço adversário de forma consistente, Dallas tinha chances reduzidas de recuperar a bola antes do intervalo. Na posse seguinte dos Packers, uma interferência de passe de Joey Porter Jr. ajudou os mandantes a avançar.
Love encerrou a campanha com um quarterback sneak de uma jarda. Restavam 23 segundos no segundo quarto, e a vantagem havia aumentado para 17 a 0.
4. Um passe baixo e uma quarta descida sem conversão
Green Bay colocou mais defensores perto da linha de scrimmage e obrigou Prescott a soltar a bola rapidamente, numa abordagem semelhante à que já havia dificultado o ataque de Dallas contra Tampa Bay. Uma sequência foi especialmente prejudicial à tentativa de reação.
Numa terceira para duas, Lamb apareceu livre numa slant curta, rota diagonal em direção ao meio do campo. Pressionado e sem conseguir firmar bem os pés, Prescott lançou uma bola baixa que o recebedor não conseguiu controlar.
Na quarta descida, os Cowboys escolheram uma saída do quarterback para a esquerda, procurando Lamb numa rota em direção à lateral. O safety Javon Bullard fez a defesa do passe sem falta, encerrando a posse.
Era uma campanha na qual Dallas precisava pontuar para manter uma possibilidade real de reação. O resultado, novamente, foi uma oportunidade perdida e a manutenção do controle dos Packers.
5. Bland chegou perto da interceptação necessária
Mais tarde, com o placar em 20 a 7, Dallas ainda poderia voltar à disputa se conseguisse uma parada defensiva e marcasse rapidamente. A pressão sobre Love o levou a lançar uma bola arriscada.
DaRon Bland tocou o passe com as pontas dos dedos e tentou completar o domínio enquanto seu movimento o carregava para a lateral. Por um instante, pareceu ser a perda de posse de que os Cowboys precisavam para tentar reduzir a diferença a uma única pontuação.
A arbitragem indicou passe incompleto, depois interceptação e, após a revisão, confirmou que a bola não havia sido recebida legalmente. A decisão frustrou a torcida de Dallas.
Para Cruz, o lance se encaixou num padrão recente: Bland voltou a ficar muito perto de uma jogada capaz de alterar uma partida, mas sem concluí-la. Foi mais um exemplo da execução incompleta que marcou a noite dos Cowboys.
Desequilíbrio ofensivo ampliou as dificuldades
Em outra análise da derrota, Sean Martin destaca que os Cowboys voltaram a ter dificuldades para fazer ataque, defesa e times especiais funcionarem ao mesmo tempo. Nas duas últimas partidas, chegaram ao quarto período com dez pontos ou menos e não conseguiram vencer.
Os dois turnovers de Dallas no segundo quarto renderam dez pontos aos Packers, diferença que se manteve no placar final. As campanhas após essas perdas consumiram mais de nove minutos e meio daquele período, depois de a primeira posse ofensiva de Green Bay já ter exigido 14 jogadas e mais de seis minutos e meio para chegar ao touchdown.
Embora Dallas tenha equilibrado o tempo de posse até o fim, a desvantagem inicial tornou seu ataque unidimensional. Para Martin, isso expôs as chamadas de Brian Schottenheimer às soluções do coordenador defensivo Jonathan Gannon. O autor vê um problema recorrente nos confrontos com comissões comandadas por John Harbaugh, Jesse Minter e Todd Bowles.
O intervalo maior de preparação depois da derrota para Tampa Bay não trouxe a reação esperada. As dificuldades contra a blitz continuaram, justamente num fundamento que já havia sido uma força do ataque de Prescott.
Jogadas que interrompem as próprias campanhas
Dallas escolheu começar com a bola. Na primeira posse, usou Javonte Williams na proteção e encontrou Ryan Flournoy pelo meio para converter uma terceira descida curta, compensando uma corrida de ganho negativo na jogada anterior.
Na terceira descida seguinte, porém, veio um passe para Williams atrás da linha de scrimmage, tipo de chamada que Martin considera um problema repetido. O punt aconteceu antes de CeeDee Lamb ou George Pickens receberem um alvo.
Depois do touchdown de Williams que diminuiu para 17 a 7 no terceiro quarto, o running back recebeu apenas mais uma corrida até o fim. A campanha de pontuação havia mostrado uma solução útil, com Lamb e Flournoy alinhados um atrás do outro para facilitar a saída e a conversão de quarta descida. Na avaliação de Martin, os adversários impõem confrontos favoráveis com muito mais frequência do que Dallas.
O autor também questiona a saída de Prescott para a esquerda na quarta para duas, por reduzir pela metade a área disponível para o passe, depois de outra dificuldade para superar a blitz na terceira descida anterior.
A divisão final foi de 54 passes para 15 corridas, ainda mais desequilibrada do que na derrota anterior. Martin considera que a linha ofensiva não foi montada para recuar tantas vezes na proteção sem oportunidades de impor força nos bloqueios terrestres. Os dois lados da proteção sofreram com esse roteiro.
Terceiras descidas e faltas prolongaram o problema
Green Bay converteu 11 de 18 terceiras descidas. Na campanha inicial, superou distâncias de cinco, 13 e novamente 13 jardas antes do touchdown em terceira para seis.
Malik Hooker conseguiu uma parada importante numa terceira para o gol, limitando outra posse a um field goal. Depois, uma interferência de Porter Jr. numa terceira para oito e a jogada prolongada em que Love escapou de Donovan Ezeiruaku ajudaram a construir a vantagem de 17 a 0.
Dallas e Green Bay cometeram 11 faltas cada, mas os Cowboys perderam mais jardas. Nem as penalidades defensivas dos Packers bastaram para salvar uma campanha tardia de Dallas: houve contato ilegal numa terceira para 20, uma interceptação anulada por pancada ilegal no quarterback e outra falta desse tipo, antes de um passe ser descartado pelo fundo da end zone na quarta descida.
Veteranos responderam; novatos tiveram erros custosos
Martin vê aspectos positivos na defesa. O retorno de Joey Porter Jr. permitiu coberturas mais ajustadas. Quinnen Williams e Kenny Clark conseguiram sacks; o de Clark ajudou a forçar um punt rápido na abertura do segundo tempo.
O autor considera possível enxergar efeitos iniciais da chegada de Mike Pettine à comissão, mas ressalta as dificuldades de três novatos: Jaishawn Barham, Caleb Downs e Malachi Lawrence.
Lawrence recebeu a oportunidade de começar no lugar de Ezeiruaku, mas não produziu o impacto esperado. Com o jogo em andamento, Ezeiruaku e Von Miller voltaram a aparecer com frequência nas pontas.
Downs precisou cobrir mais do que Martin considera ideal, recebendo atenção do ataque enquanto Porter dificultava os passes em outra área. Na jogada improvisada que preparou o touchdown terrestre de Love antes do intervalo, o safety não acompanhou Golden até o fim.
Barham não chegou à rota de Tucker Kraft em direção à lateral numa terceira descida importante depois de o placar cair para 17 a 7. A conversão manteve a campanha que terminaria em 20 a 7. Antes disso, também havia errado um tackle numa terceira descida, prolongando uma posse de pontuação.
Para Martin, a discussão sobre a inexperiência da comissão de Christian Parker deu lugar a alguma melhora de organização, mas os erros de jovens titulares continuaram custando caro. Ao mesmo tempo, as contribuições de Clark, Williams e Porter mostram que o mau momento não deveria impedir a busca por reforços.
O texto cita Jalen Thompson, P.J. Locke e Cobie Durant entre os recém-chegados que ainda poderiam fortalecer o grupo. A fragilidade da NFC East mantém espaço para o discurso de disputa por playoffs, mas a avaliação do autor é de incerteza sobre qual problema aparecerá a seguir. O próximo teste será outro jogo noturno fora de casa, contra o Philadelphia Eagles, na segunda-feira.
A divisão ainda oferece uma possibilidade de reação
Em sua avaliação dos pontos positivos e negativos da rodada, Brian Martin destaca uma boa notícia relativa para Dallas: a disputa da NFC East continua aberta. Depois das derrotas de Giants, Cowboys e Eagles, os Giants permaneciam na liderança com 3–2–1, enquanto Dallas e Philadelphia tinham 2–4. O resultado do Washington Commanders contra o San Francisco 49ers, no Monday Night Football, ainda estava pendente quando a coluna foi escrita. Caso Washington também perdesse, toda a divisão terminaria a rodada sem vitória.
Martin considera que ainda há tempo para uma sequência de recuperação e uma disputa por playoffs, embora o rendimento dos Cowboys esteja abaixo das expectativas. Para ele, o elenco reúne talento, mas voltou a ser superado na execução e nas decisões da comissão técnica.
O autor aponta como principal problema defensivo a incapacidade de sair de campo nas terceiras descidas, mesmo com uma abordagem mais agressiva de Christian Parker. Deposita esperança nos retornos de Cobie Durant e Jalen Thompson, sem tratá-los como solução garantida. No ataque, sua crítica recai sobre a dificuldade de correr e passar pela segunda semana seguida, a pressão constante sobre Prescott e a falta de ajustes de Schottenheimer. A eventual melhora da classificação, portanto, dependeria de corrigir problemas que os adversários vêm explorando repetidamente.