Dez análises dos Bears: volta de Caleb, impacto de Gordon e desafios contra os Patriots
Aaron Leming avalia a vitória em Atlanta, os ajustes ofensivos, a necessidade de reforços defensivos e o duelo de quinta-feira com New England.
Os sete dias entre a derrota por 31 a 7 em Green Bay e a segunda viagem consecutiva, agora a Atlanta, foram suficientes para testar até os torcedores mais equilibrados do Chicago Bears. Em três horas no Lambeau Field, a equipe passara de uma boa história — mesmo tendo usado três quarterbacks em quatro semanas — a um time cercado de dúvidas sobre sua qualidade.
Os duelos com o Green Bay Packers costumam produzir esse tipo de reação. Ben Johnson e seus jogadores, porém, conseguiram virar a página. Com o retorno do quarterback titular, Chicago voltou a se parecer, durante a maior parte da partida, com a equipe dominante vista em quatro de seus seis compromissos de 2026.
Antes de receber o New England Patriots na quinta-feira, Aaron Leming analisa dez aspectos da vitória por 31 a 23 sobre o Atlanta Falcons e dos próximos desafios.
1. A volta de Caleb Williams oferece motivos para otimismo
Caleb Williams havia participado de forma limitada do treino de sexta-feira da semana anterior e trabalhado bastante no campo em Green Bay antes do jogo. A expectativa era que estivesse perto de voltar contra Atlanta. Mesmo com o treino leve de quarta-feira, ficou evidente que os Bears consideravam suficiente o período de recuperação da lesão na parte posterior da coxa e estavam prontos para aumentar sua carga.
Na quinta, porém, sua primeira conversa com os jornalistas em três semanas chamou atenção por uma longa declaração inicial, comentários incisivos e respostas um pouco tensas. Como costuma acontecer, as interpretações ganharam vida própria e ampliaram a discussão.
No domingo, Williams pareceu determinado a responder aos críticos e conseguiu. Completou 83,3% dos passes, melhor marca da carreira, e ultrapassou 300 jardas aéreas pela sexta vez.
Desconsiderando a atuação atípica contra o Minnesota Vikings na Semana 2, Leming vê uma nova versão do quarterback: menos erros grosseiros de precisão e mais disposição para aceitar os espaços oferecidos pela defesa. Mesmo quando os passes curtos de segurança não produzem grandes avanços, obrigam o adversário a respeitar essa opção e ajudam a abrir oportunidades em profundidade.
Dos seis passes incompletos, quatro foram bolas descartadas intencionalmente. Em outro, Colston Loveland passou do ponto de sua rota na end zone. No último, Williams teve o braço atingido durante o lançamento. O quarterback praticamente não colocou a bola em risco e evitou os erros evidentes vistos com frequência na temporada passada.
Apesar dos 31 pontos, o ataque ainda deixou oportunidades pelo caminho. Penalidades e campanhas interrompidas no campo de Atlanta mostram espaço para evolução. Na avaliação do autor, isso permite imaginar jogos de 40 pontos mais adiante.
Foi um ótimo retorno após três partidas de ausência. Se as principais peças permanecerem saudáveis nos 11 jogos restantes da temporada regular, Leming acredita que o melhor desse ataque ainda está por vir.
2. Kyler Gordon lembra o peso que tem quando está saudável
O histórico recente de lesões de Kyler Gordon tem gerado críticas justificáveis sobre sua disponibilidade, sobretudo depois da extensão que o tornou o nickel mais bem pago da liga. Quando está em campo, porém, seu impacto entre os melhores defensores do elenco é difícil de contestar.
Ativado da lista de jogadores fisicamente impossibilitados de atuar, a PUP, Gordon estreou em 2026 com apenas 16 snaps defensivos. Ainda assim, registrou três sacks e dois fumbles forçados, combinação histórica para um defensive back nos registros de sacks iniciados em 1982.
Mesmo que sua cobertura não seja a mais dinâmica da NFL, sua versatilidade representa enorme valor. O coordenador Dennis Allen tem tradição de extrair muito dos jogadores que atuam por dentro na secundária, e os resultados com Gordon seguem esse padrão.
Com o setor afetado por lesões e mudanças de formação, a tendência é que sua participação aumente até chegar a uma carga normal. Isso provavelmente devolverá Tyrique Stevenson ao banco. Considerando as dificuldades dele e de Jaylon Johnson na defesa dos passes longos, Leming não vê necessariamente um problema nessa mudança.
O calouro de quarta rodada Malik Muhammad deve continuar recebendo snaps nas extremidades. Se esse é o papel planejado para ele além desta temporada, faz sentido desenvolvê-lo ali.
Ainda será preciso observar a formação com todos saudáveis, se isso acontecer. O eventual retorno de Coby Bryant também pode deixar a secundária bem diferente daquela que abriu a Semana 1 e tornar mais claro o planejamento feito na offseason.
3. A semana curta chega antes de uma pausa necessária
Apenas seis partidas foram disputadas, mas as últimas semanas pesaram na saúde do elenco. Braxton Jones abriu a sequência de problemas; depois, Dayo Odeyingbo foi para a lista de contundidos. T.J. Edwards, Stevenson e Kyle Monangai também têm sua situação acompanhada semana a semana.
O principal novo problema aparente no domingo foi a saída do guard direito Jonah Jackson com uma lesão no quadril. A proximidade do jogo de quinta reduz o tempo de recuperação. Somada à suspensão de Montez Sweat, a situação deixa Chicago sem uma parcela importante de seus titulares diante de um adversário forte.
O trecho exigente começou em Atlanta, passa pelos Patriots na semana curta e segue com uma visita de Monday Night Football ao Seattle Seahawks, campeão do último Super Bowl, na Semana 8.
Antes da vitória sobre os Falcons, ganhar dois desses três jogos parecia uma boa meta. Isso colocaria os Bears em 5–3 e, no cenário de vitória em Seattle, garantiria vantagem em confrontos diretos contra Carolina, Philadelphia, Atlanta e os Seahawks, além de uma campanha de 4–2 dentro da conferência.
Na sequência, vêm o Tampa Bay Buccaneers, que está 1–5, a semana de folga e o New Orleans Saints, com campanha de 2–4. Conforme o calendário oficial dos Bears, Tampa Bay será o adversário da Semana 9, a folga ocorrerá na Semana 10 e o duelo com New Orleans ficará para a Semana 11.
A prioridade imediata é atravessar a quinta-feira e aproveitar o intervalo ampliado antes da viagem a Seattle para recuperar jogadores. Com tanta gente fora, seria natural olhar adiante, mas primeiro há um compromisso nacional no Soldier Field.
Leming considera que chegar à folga com campanha de 6–3 deixaria Chicago em ótima posição para disputar a divisão ou, ao menos, uma vaga nos playoffs. Como todos os outros times, os Bears precisam atravessar o período difícil e sair dele em melhores condições.
4. Chicago respondeu à derrota em Green Bay
Depois dos 31 a 7 sofridos no Lambeau Field, seria fácil repetir um roteiro conhecido: absorver mal o resultado, perder novamente e chegar à quinta-feira com 3–3.
Esse histórico antecede Johnson, mas ajuda a explicar a reação da torcida à derrota para o maior rival. Atlanta parecia oferecer um duelo equilibrado, cujo resultado dependeria da capacidade do ataque dos Bears de funcionar.
Chicago dominou a maior parte do jogo. Se não tivesse diminuído o ritmo no início do último quarto e perdido um fumble com Roschon Johnson na posse seguinte, o placar provavelmente refletiria melhor o controle exercido durante três quartos e meio.
Independentemente da diferença final, Leming considera a vitória uma demonstração de força depois de uma derrota emocionalmente desgastante. A capacidade de reagir tornou-se uma característica da equipe: os Bears estão 5–2 em jogos imediatamente posteriores a uma derrota na era Johnson e ainda não perderam mais de duas partidas consecutivas desde que ele assumiu.
Essa tendência oferece confiança mesmo quando uma semana termina mal. É uma qualidade importante para qualquer equipe e um dado a lembrar depois dos tropeços.
5. Os 31 pontos mostram potencial, mas ainda há ajustes
O ataque provavelmente não alcançará os recordes que Johnson buscava na pré-temporada. Ainda assim, tem média de 25 pontos por jogo, apesar de ter usado quarterbacks reservas em metade das partidas.
As dificuldades na red zone são conhecidas, mas contra Atlanta a equipe conseguiu touchdowns em quatro de cinco viagens ao setor. Transformar field goals em touchdowns e evitar que campanhas empacassem no território adversário continua sendo essencial.
Uma medida direta é reduzir as penalidades. Depois de algumas semanas positivas nesse aspecto, Chicago regrediu com 12 faltas aceitas, para 133 jardas.
A ausência de Monangai prejudica o ataque perto da end zone, especialmente dentro da linha de dez jardas. Com Williams readquirindo ritmo, porém, há mais espaço para ajustar as chamadas de red zone e de linha de gol. O elenco tem opções e versatilidade para melhorar, assim como pode avançar na conversão de terceiras descidas.
Para o autor, são problemas que a torcida gostaria de ter enfrentado antes da chegada de Johnson: há um quarterback jogando em alto nível e uma base ofensiva promissora. Nos três jogos iniciados por Williams, a equipe tem média de 31 pontos.
Um candidato em desenvolvimento sempre terá ajustes a fazer. Produzir assim com tantos detalhes por corrigir é um sinal animador. Mantida a saúde do quarterback, Leming espera evolução nas próximas semanas.
6. Reforçar a defesa deve ser prioridade no prazo de trocas
Quem olhar apenas os 23 pontos de Atlanta pode concluir que a defesa teve dificuldades durante toda a partida. O que aconteceu nos três primeiros quartos foi diferente.
Os Bears somaram cinco sacks, seis contatos no quarterback e sete tackles para perda de jardas. Michael Penix ficou abaixo de cem jardas aéreas até a penúltima campanha dos Falcons.
Allen e sua unidade pressionaram com regularidade, saíram de campo nas terceiras descidas e impediram conversões nas três tentativas de quarta descida do adversário.
O desafio dos Patriots será outro. Na avaliação de Leming, Penix tem grandes dificuldades sob pressão, e limitar as oportunidades de Bijan Robinson aumenta bastante a chance de conter Atlanta. Drake Maye, por sua vez, é um quarterback de primeiro nível, cercado por armas em diferentes regiões do campo.
Allen tem aproveitado bem os recursos disponíveis, mas as lesões continuam se acumulando, especialmente na linha defensiva. Perder Odeyingbo para a lista de contundidos foi um golpe depois de sua boa produção pressionando pelo interior. A suspensão de Sweat por dois jogos também pesa. Edwards vinha atuando bem, e a lesão persistente de Stevenson na coxa reduz a profundidade da secundária.
Para o colunista, faltam peças para sustentar a disputa. As opções entre os defensive backs foram limitadas por lesões e desempenho, e a linha precisa de mais um bom pass rusher. Mesmo com os retornos de Odeyingbo e Sweat, ele não enxerga jogadores decisivos em quantidade suficiente.
Uma troca não resolveria todos os problemas, mas poderia manter a defesa perto da média da liga e, sobretudo, torná-la mais regular.
Leming não espera uma operação que custe escolhas altas. Como possibilidades de menor custo, cita Khalil Mack e Zach Sieler. Sua estimativa é que nenhum deles exigiria mais que uma escolha do início do terceiro dia do draft. São sugestões e avaliações do autor, não negociações confirmadas.
Ele também não descarta reforço nas extremidades da secundária. Um velho conhecido, Nahshon Wright, poderia oferecer profundidade a baixo custo se a direção estiver insatisfeita com as opções atuais.
7. A vitória criou uma margem importante
Antes do domingo, a projeção do PFF mostrava uma diferença expressiva entre os dois caminhos possíveis para Chicago:
| Resultado contra Atlanta | Probabilidade projetada de playoffs |
|---|---|
| Vitória | 64,3% |
| Derrota | 36,7% |
Ainda é cedo, e lesões e oscilações mudarão o cenário das duas conferências nos próximos meses. Mesmo assim, a distância entre 4–2 e 3–3 era relevante.
Agora, os Bears enfrentam os dois finalistas do último Super Bowl. Dividir esses jogos produziria uma campanha de 5–3 antes de dois compromissos que Leming considera acessíveis, com a folga entre eles.
Mais que os números, ver Williams de volta elevou a confiança da torcida e mostrou ao próprio elenco seu potencial. Os próximos dois jogos serão difíceis, assim como o trecho que começa perto do Dia de Ação de Graças, mas a equipe conquistou algum espaço para respirar e continuar construindo sobre o começo positivo.
Vale lembrar que esse mesmo grupo emplacou uma sequência de nove vitórias em dez jogos no meio da temporada passada. Para o autor, se voltar a engrenar, terá chances reais contra qualquer adversário.
8. Uma derrota continua sendo apenas uma derrota
Leming mantém sua avaliação de que os Bears são um bom time, com defeitos como qualquer outro. Nenhuma equipe resolve toda a temporada e se distancia completamente da concorrência nos primeiros quatro a seis jogos.
A goleada sofrida em Green Bay foi decepcionante em quase todos os sentidos. Chicago havia falado bastante, carregava nove meses de vantagem na provocação entre as torcidas e, mesmo sem seu quarterback titular, era favorito fora de casa.
Foi uma derrota dura e próxima do constrangimento para o rival mais detestado. Ainda assim, representava um único jogo. No conjunto das três partidas com reservas na posição, os Bears conseguiram duas vitórias.
As dificuldades dentro da divisão preocupam, e vencer os Packers sempre importa. Mas, para o autor, perder com uma interceptação na end zone ou por 31 a 7 não muda o fato central: Chicago foi superado e terá de conviver com isso até a revanche no Natal.
O que surpreendeu Leming foi a quantidade de conclusões precipitadas sobre o time e o treinador. Ele admite que a Semana 5 pode ter sido o pior jogo de Johnson no comando, inclusive em comparação com a derrota para Detroit na Semana 2 da temporada passada. O contexto, porém, é diferente: hoje o técnico tem muito mais domínio sobre o grupo do que tinha em seu segundo jogo na função.
Os Bears chegaram ao patamar atual em grande parte por causa dele. Johnson estabeleceu uma cultura de vitórias, assumiu uma postura provocadora e desafiou seus jogadores a abraçar a rivalidade com Green Bay e a ambição de dominar os adversários.
Seu ego apareceu na derrota, reconhece o autor, mas o treinador também tem demonstrado capacidade de aprender. Questionar sua permanência ou sua capacidade de comandar a equipe depois de um resultado foi, na avaliação de Leming, uma reação emocional sem fundamento.
Talvez Chicago ganhe um Super Bowl com Johnson; talvez não. Para o colunista, em apenas um ano e meio ele já se tornou o melhor treinador da franquia em duas décadas, com amplo potencial de crescimento do grupo.
Derrotas acontecerão em uma temporada de 17 jogos. O sinal mais importante é a resposta, e a campanha de 5–2 depois de tropeços mostra que, até aqui, Chicago tem reagido bem.
9. O cenário da NFC North
Vikings e Detroit Lions folgaram na Semana 6. Para Minnesota, invicto, a interrupção talvez tenha sido menos desejável do que para Detroit, castigado por lesões.
Os Vikings começaram muito bem e seguem no caminho de voltar aos playoffs após uma temporada de 2025 decepcionante. Segundo Alec Lewis, do The Athletic, a equipe deve ser ativa no prazo de trocas, embora ainda caiba discutir quais posições seriam prioritárias.
A defesa tem sido excelente, enquanto o ataque apresenta bastante irregularidade. A partir da Semana 8, Minnesota terá um dos calendários mais difíceis da liga, colocando à prova seu começo forte.
Os Lions vivem um cenário menos seguro. Chegar à folga acima de 50% de aproveitamento parece uma conquista diante das lesões e das dificuldades defensivas. O quarto lugar na divisão no ano anterior lhes rendeu confrontos teoricamente mais favoráveis que os dos rivais, mas a falta de regularidade continua preocupando.
O ataque permanece entre os melhores. Sem melhora defensiva, porém, é legítimo questionar até onde o time pode chegar. Detroit volta com dois jogos em casa contra adversários da divisão, Packers e Vikings. Além da capacidade de pontuar, o calendário é seu principal aliado na avaliação do autor.
Green Bay entrou no domingo à noite com duas vitórias seguidas e um ataque em evolução. Ao contrário da expectativa, o duelo com o Dallas Cowboys não teve pontuação alta: Dallas teve dificuldade para movimentar a bola, e os Packers chegaram ao terceiro triunfo consecutivo.
A defesa melhorou, e a linha ofensiva se estabilizou. O calendário ficará mais exigente, mas o desempenho recente permite enxergar chances de vitória em cada compromisso.
| Equipe | Campanha após a Semana 6 |
|---|---|
| Minnesota Vikings | 5–0 |
| Green Bay Packers | 4–2 |
| Chicago Bears | 4–2 |
| Detroit Lions | 3–2 |
10. O próximo teste será contra os Patriots
Depois de um início lento, New England encontrou o rumo. São três vitórias consecutivas, com saldo de 38 pontos nesse período.
Maye começou mal, a ponto de surgirem perguntas sobre algum problema mais profundo no seu jogo. Nas últimas três partidas, porém, voltou a se aproximar do nível de candidato a MVP: foram dez passes para touchdown, uma interceptação e média de 292,6 jardas aéreas. O contraste é grande com a campanha de 1–2 dos três primeiros jogos.
A defesa dos Patriots também tem produzido mais acertos que erros e passou a pressionar melhor o quarterback. A equipe parece outra nessa sequência, embora ainda esteja 1–2 como visitante.
O confronto desafia Chicago em vários setores. A situação de Jonah Jackson precisará ser acompanhada. Se ele não puder jogar na semana curta, Milton Williams e Christian Barmore podem dar a New England uma vantagem importante pelo interior da linha.
Os Patriots têm uma das defesas próximas das cinco melhores contra a corrida e cedem menos de 200 jardas aéreas por jogo. No ataque, terão A.J. Brown de volta e, mesmo se Romeo Doubs não puder atuar, contam com diferentes maneiras de explorar o jogo aéreo e terrestre.
Uma possível oportunidade para os Bears está na saúde da linha ofensiva adversária. New England perdeu três titulares durante o domingo e já estava sem seu center principal. Com pouco tempo até quinta, pode precisar escalar vários reservas entre os cinco bloqueadores.
No papel, há os ingredientes de um bom confronto, embora jogos de quinta-feira frequentemente produzam resultados imprevisíveis. Leming não o trata como uma obrigação absoluta de vitória para qualquer lado, mas ressalta a distância entre sair com 5–2 ou cair para 4–3 quando os dois times perseguem a liderança de suas divisões.