Giants: notas do PFF expõem falhas, apesar da reação com McCarthy
Análise de Anthony Del Genio reúne avaliações de ataque e defesa, DVOA, métricas dos quarterbacks e o desafio seguinte contra Houston.
O New York Giants chegou a perder por 34 a 10 em casa para um New Orleans Saints que iniciou a rodada com campanha de 1–4. A reação no último quarto quase apagou a desvantagem, mas não os problemas acumulados nos dois períodos intermediários. Na análise de Anthony Del Genio, as notas do Pro Football Focus e as estatísticas avançadas mostram tanto a recuperação tardia quanto as falhas que a tornaram necessária.
Ataque: os dois lados da troca de quarterback
Jameis Winston teve sua pior avaliação ofensiva da temporada: 36,3, a segunda mais baixa dos Giants na tabela. Terminou com um touchdown e duas interceptações. A pressão não explica sozinha os erros: foi pressionado em apenas seis de 30 recuos para lançar, produziu o touchdown em uma dessas situações e sofreu as duas interceptações com a proteção preservada.
J.J. McCarthy lançou para 243 jardas no quarto período, com um touchdown e uma interceptação, e quase levou a partida à prorrogação. Ainda assim, completou somente 11 de 21 passes. Sua nota de passe foi 68,2, enquanto a avaliação ofensiva geral chegou a 74,3, ajudada pela corrida de 28 jardas.
Del Genio explica que o PFF avalia a execução de cada jogada em relação ao que se espera da função. As jardas e o touchdown contam positivamente, mas os passes não completados e a perda de posse também pesam. Isso ajuda a entender por que uma participação de grande impacto não se transformou automaticamente em nota de elite no passe.
Nabers e Likely lideram; Jones teve avaliações distintas
Malik Nabers recebeu 78,6, a maior nota ofensiva da equipe. Encontrou espaços e acumulou recepções, embora seus ganhos tenham vindo em passes curtos e intermediários. As 52 jardas após a recepção representaram menos de um terço de seu total aéreo.
Isaiah Likely apareceu em seguida, com 75,1. O tight end chegou a 383 jardas recebidas e cinco touchdowns, números que lideravam sua posição no recorte apresentado pela matéria. Sua nota de recepção na temporada era 81,1. Exceto pelo jogo de chuva e vento no Tennessee, vinha recebendo avaliações próximas dos 70 pontos ou superiores em todas as apresentações pelos Giants. O autor considera que o contrato de média anual de US$ 13,3 milhões está oferecendo mais valor do que ele previa na contratação.
Charlie Jones teve a terceira maior nota ofensiva, 75,0, depois de duas recepções em três alvos, uma delas de 49 jardas e outra contestada. Isso não apaga o fumble no retorno de kickoff que mudou o rumo da partida: nos times especiais, a avaliação específica foi 41,7. São notas de funções diferentes.
Entre os running backs, somente Tyrone Tracy Jr. ficou na faixa considerada mediana ou superior na avaliação geral. Cam Skattebo participou de poucas jogadas, principalmente para bloquear. A tabela de ataque registra 59,2 para ele, valor utilizado aqui em lugar dos 58,9 mencionados no texto da análise.
Linha protegeu melhor do que abriu caminhos
Andrew Thomas atuou mesmo com uma lesão e liderou a linha ofensiva, com nota 73,9 em 52 dos 77 snaps. Cedeu uma pressão do tipo hurry, que apressa o lançamento sem contato no quarterback, e cometeu uma falta. J.C. Davis o substituiu em 25 jogadas, não permitiu pressão e recebeu 70,5.
Marcus Mbow, substituto do lesionado Jermaine Eluemunor, e Jon Runyan ficaram um pouco abaixo da média. Depois de uma estreia positiva como center titular, Bryan Hudson caiu para 48,1, desempenho que o autor compara às dificuldades vistas anteriormente com John Michael Schmitz.
Francis Mauigoa, chamado de Sisi no texto original, teve sua terceira atuação ruim seguida, especialmente na proteção do passe: 33,0 nesse fundamento e 44,8 no geral. No bloqueio terrestre, todos os integrantes da linha, exceto Thomas, ficaram abaixo da faixa mediana — Davis por margem pequena. Na avaliação de Del Genio, os running backs também não estão recebendo ajuda suficiente dos bloqueadores.
| Jogador | Snaps ofensivos | Nota geral do PFF |
|---|---|---|
| Malik Nabers | 66 | 78,6 |
| Isaiah Likely | 70 | 75,1 |
| Charlie Jones | 20 | 75,0 |
| J.J. McCarthy | 31 | 74,3 |
| Andrew Thomas | 52 | 73,9 |
| J.C. Davis | 25 | 70,5 |
| Tyrone Tracy Jr. | 29 | 67,8 |
| Patrick Ricard | 11 | 59,5 |
| Cam Skattebo | 6 | 59,2 |
| Devin Singletary | 31 | 58,7 |
| Marcus Mbow | 77 | 56,0 |
| Jon Runyan | 77 | 55,9 |
| Malachi Fields | 72 | 54,7 |
| Najee Harris | 11 | 51,4 |
| Chris Manhertz | 12 | 49,6 |
| Bryan Hudson | 77 | 48,1 |
| Darnell Mooney | 28 | 48,0 |
| Francis Mauigoa | 77 | 44,8 |
| Thomas Fidone II | 29 | 41,4 |
| Jameis Winston | 46 | 36,3 |
Defesa: Reader se destacou, mas a secundária sofreu
DJ Reader teve uma avaliação geral de 89,2, com sete tackles classificados como stops — intervenções que impediram uma jogada considerada bem-sucedida para o ataque. Errou um tackle. Foi sua terceira nota acima de 80 em seis partidas, reforçando a sequência de atuações elogiadas pelo autor.
Shelby Harris ficou na faixa mediana, com dois tackles e duas assistências. Darius Alexander foi um pouco abaixo, enquanto Bobby Jamison-Travis recebeu 40,4 em sua estreia na NFL.
Entre os safeties, Ar'Darius Washington recebeu 81,4 e Jason Pinnock, 78,1, apesar de este ter cedido um touchdown de 31 jardas. Jevon Holland ficou em 59,5. O rendimento dos companheiros leva Del Genio a questionar quanto espaço Tyler Nubin terá como titular ou integrante importante da rotação; trata-se de sua leitura, não de uma mudança anunciada.
Nas pontas, Abdul Carter recebeu 73,6, com um contato no quarterback e três pressões sem contato. Kayvon Thibodeaux ficou em 73,5, com um contato e duas pressões desse tipo. Nenhum jogador dos Giants conseguiu derrubar Tyler Shough atrás da linha para um sack. Jihad Ward e Trace Ford tiveram avaliações inferiores.
Arvell Reese e Tremaine Edmunds participaram de todos os snaps defensivos. Reese somou quatro tackles, todos classificados como stops, duas assistências e dois tackles perdidos. Edmunds teve seis tackles, dois stops, três assistências e um erro de tackle.
O grupo de cornerbacks sofreu, sobretudo após novas baixas. Deonte Banks recebeu 56,8; Dru Phillips, 49,5; e Nic Jones, 44,7. Phillips e Jones cederam um touchdown cada. Paulson Adebo e Colton Hood estavam fora, e Greg Newsome II também se lesionou. Newsome, porém, teve nota 71,5 antes de sair: a tabela mostra essa exceção à avaliação negativa geral do setor.
| Jogador | Snaps defensivos | Nota geral do PFF |
|---|---|---|
| DJ Reader | 44 | 89,2 |
| Ar'Darius Washington | 29 | 81,4 |
| Jason Pinnock | 45 | 78,1 |
| Abdul Carter | 47 | 73,6 |
| Kayvon Thibodeaux | 61 | 73,5 |
| Greg Newsome II | 41 | 71,5 |
| Arvell Reese | 72 | 69,2 |
| Shelby Harris | 50 | 65,1 |
| Tremaine Edmunds | 72 | 64,4 |
| Jevon Holland | 72 | 59,5 |
| Darius Alexander | 37 | 58,1 |
| Deonte Banks | 72 | 56,8 |
| Jihad Ward | 18 | 52,9 |
| Dru Phillips | 53 | 49,5 |
| Nic Jones | 31 | 44,7 |
| Bobby Jamison-Travis | 18 | 40,4 |
| Trace Ford | 30 | 39,6 |
DVOA vê problemas além da campanha
O DVOA, métrica de eficiência ajustada pela qualidade do adversário desenvolvida por Aaron Schatz, da FTN Fantasy, não acompanha o otimismo que a liderança da divisão poderia sugerir. Segundo Schatz, os Giants tinham o terceiro pior DVOA já registrado entre equipes com campanha de 3–2–1 ou 4–2 naquele ponto da temporada.
Somente os Miami Dolphins de 2017, que estavam 4–2 e terminaram 6–10, e os Indianapolis Colts de 2022, que começaram 3–2–1 e acabaram 4–12–1, apareciam abaixo. A comparação descreve um histórico da métrica; não determina como a campanha atual terminará.
Os Giants ocupavam o 30º lugar no ataque, o 22º na defesa e o décimo nos times especiais. O DAVE, que combina o DVOA com uma projeção anterior à temporada e reduz gradualmente o peso dessa previsão, ainda lhes atribuía a menor probabilidade de playoffs da NFC East.
| Time | Campanha no recorte | DAVE | Média projetada de vitórias | Chance de playoffs |
|---|---|---|---|---|
| Dallas Cowboys | 2–4 | 2,5% | 8,0 | 46,7% |
| Philadelphia Eagles | 2–4 | −3,2% | 6,7 | 21,5% |
| Washington Commanders | 1–3–1 | −9,1% | 6,6 | 20,0% |
| New York Giants | 3–2–1 | −20,9% | 6,8 | 19,8% |
Esses valores são a fotografia da simulação reproduzida na matéria, antes do Monday Night Football. O modelo incluía hipóteses específicas sobre lesões e retornos, inclusive a ausência de Jaxson Dart pelo restante da temporada e cenários de retorno de Jalen Hurts. Portanto, não devem ser lidos como uma previsão médica ou uma atualização posterior dessas situações.
O que o último quarto mostrou sobre McCarthy
O autor usa o desempenho de McCarthy para brincar com a reputação de Kevin O'Connell como especialista em quarterbacks, mas faz a ressalva: considera o treinador bom, e o Minnesota Vikings estava 5–0, com contribuição importante da defesa de Brian Flores.
Um levantamento de Ian Hartitz mostrava duas recepções em passes lançados a pelo menos 40 jardas de profundidade por McCarthy em 19 recuos, contra duas dos Vikings em 169. A comparação evidencia a agressividade dos lançamentos, com amostras muito diferentes.
Pelo levantamento da SūmerSports, os Giants produziram 289 jardas no quarto período, o maior total em um último quarto desde pelo menos 2016. McCarthy foi responsável por 263 delas após substituir Winston no início do período.
Nas métricas de eficiência por jogada apresentadas por Doug Analytics, McCarthy também se destacou. Antes do jogo de segunda-feira, somente C.J. Stroud, adversário seguinte dos Giants, aparecia acima dele em EPA por jogada naquele recorte. O autor vê resultados positivos também em precisão em relação ao esperado, taxa de sucesso, profundidade dos alvos e participação das jardas após a recepção.
O Total QBR apresentado na análise tinha esta classificação parcial da semana:
| Quarterback | Total QBR |
|---|---|
| C.J. Stroud | 95,6 |
| Drake Maye | 89,2 |
| Tyler Shough | 77,9 |
| J.J. McCarthy | 77,6 |
| Tyler Huntley | 75,5 |
Shough estar imediatamente à frente também expõe o problema da defesa dos Giants durante a construção da vantagem dos Saints.
Velocidade e profundidade exigem contexto
Doug Analytics calculou a velocidade média dos passes em 49,1 milhas por hora para McCarthy, contra 43,1 de Shough e 41,5 de Winston. Del Genio observa que isso pode refletir a seleção de jogadas: passes curtos costumam sair com menos força, e McCarthy entrou quando New York precisava buscar ganhos longos.
Os Saints passaram boa parte desse trecho numa defesa voltada a evitar grandes jogadas e já não tinham todos os titulares em campo. A reação merece crédito, mas esse cenário limita comparações diretas com uma partida inteira equilibrada.
A profundidade média dos alvos de McCarthy foi 15,6 jardas em 21 passes. O texto a compara aos 10,8 de Lamar Jackson, 9,1 de Winston e 8,8 de Dart, ressalvando que a pequena amostra e o contexto são diferentes. Se McCarthy assumir a titularidade, será importante observar como combina os lançamentos fortes com passes de mais toque, uma dúvida que já aparecia em avaliações de sua saída da universidade.
Outro levantamento, limitado às semanas 1 a 5, colocava Winston acima da média em jogadas com risco de turnover e sob pressão considerável. O mesmo gráfico incluía quarterbacks bem-sucedidos, como Drake Maye e Josh Allen. Nesse recorte de análise, Stroud e Jayden Daniels não tinham lançamentos classificados como merecedores de perda de posse, apesar da pressão enfrentada. Essa classificação não equivale simplesmente ao número oficial de interceptações.
Likely sustenta eficiência; Houston promete um teste duro
Até a quinta semana, Likely era o 14º da NFL em primeiras descidas obtidas por rota percorrida e o terceiro entre tight ends, atrás de Brock Bowers e T.J. Hockenson. O levantamento, com mínimo de 50 rotas, tinha Mike Evans, Jaxon Smith-Njigba, Zay Flowers, Drake London e CeeDee Lamb nas cinco primeiras posições gerais.
Likely também aparecia bem na frequência de alvos contestados e nas recepções nessas situações. Nabers recebia menos alvos desse tipo, mas os convertia em proporção semelhante. Como referência do grupo, Nico Collins havia recebido 11 de 12 bolas contestadas, Bowers oito de nove, e Hockenson seis de seis. Tee Higgins liderava em alvos contestados, com 16.
Collins será um problema adicional no próximo compromisso, contra o Houston Texans. A marca de 11 em 12 equivale a aproximadamente 91,7%, indicando por que a secundária dos Giants terá um teste exigente.
Por fim, Del Genio pede uma avaliação mais ampla de Thibodeaux, frequentemente cobrado por ter sido a quinta escolha do draft. Um levantamento baseado na SūmerSports define jogada de impacto como uma execução excepcional para a função e o alinhamento do defensor.
Nesse critério, Carter estava entre os melhores jogadores de ponta para afetar o passe, e Thibodeaux aparecia na parte inferior desse recorte. Contra a corrida, porém, Thibodeaux figurava entre os dez melhores, enquanto Carter estava mais abaixo. O autor reconhece que pressionar o quarterback é a principal tarefa da posição, mas ressalta a importância de parar corridas numa defesa carente desse fundamento.
O próximo adversário também tem um exemplo completo: Will Anderson Jr. aparecia próximo do topo tanto contra o passe quanto contra a corrida. A visita a Houston oferecerá um teste bem mais amplo do que os bons minutos finais contra os Saints.