FUTEBOL AMERICANO, EM PORTUGUÊS.Dados NFL
fumble.
Análise

De Dyczko a Da Coach: como Mike Ditka se tornou símbolo de Chicago

Eric Edholm relembra a ligação do ex-jogador e técnico com a cidade, dos títulos dos Bears às imitações no Saturday Night Live e ao retorno para casa em 2024.

Compartilhe
Facebook X Telegram
Mike Ditka é carregado por jogadores dos Bears após uma partida.
Mike Ditka é carregado por jogadores dos Bears após uma partida.

Na semana do Thanksgiving de 2024, Mike Ditka voltou discretamente a morar em Chicago. Depois, colocou à venda a casa em Naples, na Flórida.

“Finalmente estou em casa! Esta cidade é meu lar. Eu a amo”, disse a um colunista do Chicago Sun-Times.

Na reflexão de Eric Edholm após a morte de Ditka, anunciada pela família nesta sexta-feira, aos 86 anos, esse retorno completa uma história de identificação entre um homem e sua cidade adotiva.

Um sobrenome que virou Chicago

Neto de imigrantes ucranianos, Michael Dyczko Jr. cresceu nos arredores de Pittsburgh e se destacou no futebol universitário da cidade antes de chegar aos Bears em 1961.

A família já havia trocado Dyczko, de pronúncia mais difícil, por Ditka. O nome adaptado a uma cidade siderúrgica da Pensilvânia acabaria associado à dureza de Chicago: teimosia, orgulho operário e uma presença impossível de ignorar.

Edholm contrapõe a elegância de Walter Payton, a intimidação de Dick Butkus e a projeção mundial de Michael Jordan à familiaridade do nome Ditka, que poderia pertencer a um vizinho, um bartender ou um vereador.

The Hammer, Iron Mike, Da Coach, The Great Grabowski: os apelidos mudavam, mas todos pareciam caber nele.

Os títulos que uniram a cidade

Ditka participou dos dois últimos títulos de liga dos Bears: como tight end em 1963 e como técnico no Super Bowl XX. Chicago não conquistou outro desde então.

O time de 1985 e seu treinador se tornaram lendas de uma cidade dividida no beisebol, mas conectada pelo futebol americano. Edholm brinca que provavelmente não precisaram pagar por uma bebida em Chicago por mais de 40 anos.

O currículo inclui uma carreira de tight end no Hall da Fama, ajudando a redefinir a posição; 106 vitórias como técnico dos Bears; uma equipe de campanha 15–1; dois prêmios de Técnico do Ano; e a camisa 89, último número que a franquia disse que aposentaria.

A caricatura carinhosa do Saturday Night Live

O título o transformou em nome conhecido nacionalmente. Os esquetes do Saturday Night Live ajudaram a consolidar uma versão afetuosa e exagerada de Chicago, com supertorcedores bigodudos, cerveja, salsicha, óculos de aviador, suéter dos Bears e charutos, prevendo novos Super Bowls entre sustos cardíacos.

O próprio Ditka sofreu um infarto em 1988 e retornou 11 dias depois, o que aproximava ainda mais a brincadeira da realidade e reforçava o vínculo com a torcida.

Poucos dias após ser demitido, em 1993, ele participou do esquete dos supertorcedores de Bill Swerski, que escreviam uma carta de protesto aos Bears. Ditka mascava seu chiclete característico; os bastidores também mostraram seu temperamento em uma reação ao operador de câmera.

Ao fim de 1992, a passagem pelo clube havia se esgotado. A cidade, porém, continuou ligada a ele. A teimosia que gerava choques com os donos era a mesma que o público admirava: franqueza, temperamento e recusa em recuar.

“De uma coisa eu sei: sou um Bear”, disse certa vez.

Um visitante recebido como dono da casa

Em 1997, Ditka voltou ao Soldier Field como técnico dos Saints. Mesmo como adversário, recebeu uma acolhida calorosa, algo incomum naquele estádio.

New Orleans venceu por 20 a 17 em um jogo de domingo à noite que Edholm recorda como pouco atraente tecnicamente. Ainda assim, foi um momento que parecia feito para Ditka.

O restaurante principal que levava seu nome no centro de Chicago fechou durante a pandemia de covid-19, mas outras unidades continuaram. Fantasias de Halloween inspiradas no treinador também permaneceram parte da cultura local.

O retorno para casa

Ditka passou seus dois últimos anos de volta a Chicago, mantendo uma vida discreta enquanto enfrentava problemas de saúde. Mesmo depois de morar em outros lugares, nunca deixou de pertencer à cidade.

“São as pessoas de quem sinto falta. Mais do que qualquer outra coisa”, disse ao Sun-Times em 2024.

Para Edholm, Chicago havia guardado um lugar para Da Coach durante todo esse tempo.

Compartilhe
Facebook X Telegram
SUA PRIVACIDADE

O Fumble usa cookies para login e segurança. Quando configurados, Google Analytics e Google AdSense carregam automaticamente para medir visitas e exibir publicidade, incluindo cookies e tecnologias desses serviços.

Este é um aviso informativo. “Entendi e continuar” registra sua leitura. Consulte nossa política de cookies e a política de privacidade para conhecer o uso de dados e os controles disponíveis no navegador e nos serviços Google.

Cookies e privacidade

Usamos cookies para manter sua sessão e proteger os formulários. Analytics e anúncios são carregados automaticamente nas páginas públicas em que estão configurados. Ler ou fechar o aviso não muda esse carregamento.

Você pode gerenciar cookies nas configurações do navegador e os anúncios em Minha Central de Anúncios. Controles adicionais podem ser apresentados pelo Google conforme a região e a configuração de publicidade.

Política de cookies · Política de privacidade

Instale o Fumble

Acesse o portal pela tela inicial do seu dispositivo, como um aplicativo.

O Fumble precisa de conexão com a internet para mostrar informações atualizadas.