Notas do PFF: Bernard produz após a recepção, e Fautanu preocupa nos Steelers
Análise detalha as notas de Bernard, Heyward, Fautanu e Dean na vitória sobre os Buccaneers e seus números ao longo da temporada.
O Pittsburgh Steelers apagou uma desvantagem de 16 a 3 no último quarto e venceu o Tampa Bay Buccaneers por 26 a 19, na prorrogação, em 18 de outubro. A reação teve uma defesa capaz de induzir Jalon Daniels a erros caros e um jogo aéreo que superou um primeiro tempo de pouca produção com Aaron Rodgers.
As notas do Pro Football Focus, que avalia os jogadores a cada snap em uma escala de até 100 pontos, ajudam a explicar a atuação. Na análise de Adam Bittner, quatro casos chamam a atenção: a produção de Germie Bernard depois da recepção, a recuperação de Cameron Heyward, a estagnação de Troy Fautanu e a resposta de Jamel Dean.
Germie Bernard: 67,7
O calouro fez o melhor jogo de sua carreira até aqui, com 11 recepções, 87 jardas e o touchdown da vitória. O dado mais revelador é quanto dessa produção dependeu do que ele fez com a bola nas mãos.
A profundidade média de seus alvos, conhecida pela sigla ADOT, foi de apenas 1,8 jarda. Em condições normais, passes tão curtos limitariam a produção, porque transferem ao recebedor a responsabilidade de conquistar o avanço depois da recepção. Bernard conseguiu esses ganhos repetidamente e terminou com 68 jardas nessa situação.
Os Steelers provavelmente gostariam de vê-lo ameaçar mais a defesa em profundidade. Na temporada, seu ADOT é de 5,1 jardas, um dos fatores que ajudam a explicar a nota geral modesta de 61,2.
Ainda assim, se continuar desenvolvendo o entrosamento com Rodgers, Bernard pode se tornar uma arma valiosa no ataque de Mike McCarthy, cada vez mais apoiado em passes rápidos e curtos.
Cameron Heyward: 85,8
O defensor de 37 anos começou 2026 abaixo do padrão ao qual se acostumou. Nos três primeiros jogos, registrou apenas cinco pressões e três stops — jogadas que, segundo a definição do PFF, representam um resultado malsucedido para o ataque adversário.
Nos três compromissos seguintes, porém, voltou a produzir: foram 11 pressões, cinco stops e duas atuações com nota de pelo menos 85,8.
Heyward encerrou oito das últimas nove temporadas com avaliação geral igual ou superior a 84,4. A sequência recente representa um passo importante de volta ao nível de domínio que, na avaliação do autor, poderá levá-lo ao Hall da Fama.
A ressalva é a dificuldade para transformar a pressão em sacks. Ele tem apenas um na temporada, ritmo que levaria a cerca de três ao fim do calendário. Esse seria seu menor total em uma temporada completa, saudável e como titular durante toda a campanha.
Troy Fautanu: 66,5 na temporada
O tackle de terceiro ano permitiu mais quatro pressões diante de Tampa Bay, entre elas um sack e um contato em Rodgers após o passe. Assim, chegou a 17 pressões cedidas em 2026. Apenas 11 tackles da liga permitiram mais.
Há um contexto relevante: somente dois jogadores da posição participaram de mais snaps de proteção ao passe. Parte dos problemas, portanto, acompanha o grande volume de lançamentos do ataque de McCarthy.
Mesmo com essa ressalva, Fautanu ainda não deu o passo que Pittsburgh esperava quando o escolheu na primeira rodada do Draft de 2024. Isso fica mais evidente na diferença entre a nota de proteção ao passe, de 69,6, e a avaliação nos bloqueios para corrida, de 57,7.
Para Bittner, o jogador praticamente não evoluiu em nenhuma das duas áreas desde a temporada de estreia. Ele oscila menos que Broderick Jones, antigo companheiro selecionado na primeira rodada de 2023, mas ainda é difícil enxergar um potencial proporcional ao investimento feito em sua escolha.
O calouro Max Iheanachor, com nota de 68,9, já aparece à frente na avaliação geral.
Jamel Dean: 84,9
Os Steelers têm enfrentado dificuldades para obter a produção esperada de cornerbacks veteranos contratados ou adquiridos em trocas. Patrick Peterson, Steven Nelson, Donte Jackson e Darius Slay são exemplos citados pelo autor de jogadores que ficaram entre atuações comuns e desempenhos ruins depois de chegar à equipe.
A trajetória de Dean também não parecia animadora antes do domingo. Uma lesão o tirara de grande parte de dois dos três jogos anteriores. No outro, Joe Burrow, do Cincinnati Bengals, explorou sua cobertura. Era pouco para o que Pittsburgh esperava de um contrato de três anos e US$ 36,7 milhões, assinado em março.
Contra Tampa Bay, o cornerback respondeu. Sua interceptação ajudou os Steelers a reagir no último quarto, mas a boa atuação foi além da jogada de destaque.
Daniels o testou 11 vezes na volta de lesão. Dean permitiu apenas quatro recepções para 48 jardas, com somente cinco jardas cedidas depois da recepção.
O desempenho elevou sua nota na temporada a 86,2. Se conseguir se manter saudável, ele pode ser o veterano capaz de encerrar a sequência de apostas frustradas da direção nessa posição.