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Análise

Olhar do torcedor: Patriots vencem Jets com linha firme, Kiner decisivo e falhas de Brown

Alec Shane analisa a vitória divisional, elogia Henry e Ponder e cobra melhora de Brown e Henderson antes do duelo com os Bears.

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Jogador dos Patriots comemora durante o confronto com os Jets.
Jogador dos Patriots comemora durante o confronto com os Jets.

Vencer o New York Jets continua tendo um gosto especial para quem torce pelo New England Patriots. Nas observações bem-humoradas de Alec Shane sobre o jogo, o resultado mostra que a equipe voltou a um patamar em que é possível comemorar a vitória e, ao mesmo tempo, cobrar um desempenho melhor.

Criado em Connecticut, Shane conta que precisou escolher cedo entre os esportes de Boston e Nova York. Prefere acreditar que, se tivesse seguido outro caminho, ao menos teria escolhido o New York Giants. A provocação aos Jets, que ele considera distantes de seus tempos de relevância com Mark Sanchez, dá o tom de uma coluna escrita do ponto de vista de um torcedor.

Uma vitória feia também revela evolução

O principal aspecto positivo, para Shane, foi os Patriots chegarem a quatro vitórias e duas derrotas sem fazerem sua melhor partida. Drake Maye errou passes e algumas leituras. A defesa cedeu jogadas longas e teve dificuldade para conter as corridas. Drops e turnovers custaram campanhas e pontos.

Ainda assim, New England fez as jogadas necessárias. Na avaliação do autor, Mike Vrabel também levou vantagem sobre Aaron Glenn nas decisões da comissão, e o resultado foi uma vitória divisional pouco vistosa, mas importante.

Não faz tanto tempo que qualquer vitória já seria suficiente para animar a torcida, sem discutir a forma como ela veio. Agora, observa Shane, é possível distinguir os triunfos convincentes daqueles conquistados com dificuldade.

Ele brinca que o próximo estágio seria voltar ao tempo de Bill Belichick e Tom Brady, quando uma vitória apertada sobre os Jets para chegar a 8–0 já bastava para a imprensa de Boston perguntar se o técnico deveria ser demitido e se a janela de títulos do quarterback estava terminando. Quem apenas ouvisse o debate no rádio poderia imaginar uma derrota por 45 a 0.

Os Patriots ainda não estão nesse ponto de exigência, mas Shane considera saudável reconhecer as falhas sem deixar de valorizar o resultado.

O cenário do jogo também lhe agrada: em seu paraíso particular, todas as partidas aconteceriam às 13h de um belo domingo de outubro, com New England escolhendo receber a bola no segundo tempo. Ele as veria numa televisão de 5 mil polegadas, dentro de uma mansão de 50 mil pés quadrados. O inferno futebolístico seria ser escolhido pelos Jets, conseguir sair e acabar de volta à equipe.

Geno jogou bem, mas as decisões custaram aos Jets

Shane diz gostar de Geno Smith e considera que ele teve uma atuação razoável. O que decidiu o confronto, em sua leitura, foram escolhas questionáveis de jogadas e execução ruim em situações específicas.

O autor já não gosta de corridas demoradas saindo do shotgun numa terceira descida curta. Ver os Jets insistirem na mesma ideia em quartas descidas curtas, mais de uma vez, aumentou sua crítica.

New York teve duas campanhas consecutivas de oito jogadas que chegaram ao campo de New England sem produzir pontos. Shane aprova, em geral, a tendência de a NFL ser mais agressiva em quartas descidas, mas lembra que às vezes é preciso aceitar o field goal.

Ele emenda a provocação de que, tratando-se dos Jets, talvez viesse um chute perdido, um snap errado ou uma saída falsa para tirá-los do alcance. A piada não muda a observação central: os visitantes desperdiçaram oportunidades de pontuar.

Na defesa dos Patriots, o plano lhe pareceu aceitar alguns avanços terrestres e obrigar os Jets a sustentar campanhas longas. Fora a falha de cobertura no touchdown de 48 jardas de Omar Cooper Jr., essa estratégia funcionou. Foi a única entrada de New York na end zone.

O lance irritou especialmente o autor porque deixou o placar em 17 a 10, quando, em sua avaliação das oportunidades perdidas no ataque, a diferença poderia ter sido muito maior.

A volta difícil de A.J. Brown

A.J. Brown foi o alvo principal da frustração de Shane. O recebedor teve dez passes lançados em sua direção e apenas três recepções. O autor contou quatro bolas que deveriam ter sido recebidas, incluindo duas possíveis oportunidades de touchdown e duas de primeira descida. Esse é seu levantamento dos lances, não uma contagem oficial de drops.

Shane espera que a explicação seja apenas a falta de ritmo depois de 28 dias sem jogar. Em tom de exagero, escreve que Brown poderia passar as férias de primavera nas ruas de Tijuana sem conseguir “pegar” coisa alguma.

A dificuldade também apareceu no onside kick. O autor questiona a decisão de colocá-lo na formação encarregada de segurar aquela bola depois das falhas anteriores. Ao ver Jason Sanders preparar o chute, brinca que talvez tenha sido a primeira vez em que um kicker pareceu mirar deliberadamente um recebedor.

Para dimensionar a decepção, Shane lembra a passagem de Joey Galloway por New England: havia erros de rota, mas, segundo sua recordação, ele segurava as bolas lançadas por Brady. Também cita Chad Ochocinco, pouco participativo em sua temporada pelos Patriots, mas sem o mesmo custo em oportunidades que o colunista atribui à atuação de Brown.

Houve uma contribuição positiva. Brown executou uma rota cruzada que atraiu o safety e deixou Romeo Doubs livre para receber seu touchdown. Na contabilidade irônica de Shane, essa assistência anularia apenas um dos touchdowns desperdiçados; o saldo continuaria negativo.

Os dez alvos também indicam que Brown conseguiu se desmarcar. O autor viu capacidade de ler as coberturas e encontrar espaços, embora isso não permita concluir, por si só, que os efeitos da lesão no tornozelo desapareceram. Sua esperança é de que as mãos e o ritmo de jogo acompanhem a criação dessas oportunidades.

Douglas e Henry responderam ao chamado

Com um recebedor na reserva de lesionados, Doubs machucado no primeiro quarto e Brown sem aproveitar seus alvos, Maye recorreu a DeMario Douglas e Hunter Henry, que lideraram a equipe em jardas recebidas.

Douglas teve uma de suas melhores partidas pelos Patriots. A ironia, observa Shane, é que justamente quando conseguiu continuar avançando depois de uma recepção, em vez de tropeçar ou cair cedo, acabou sofrendo o golpe que soltou a bola e perdendo um fumble.

A sintonia entre Henry e Maye, que havia faltado em momentos anteriores do ano, reapareceu. Os Jets ajudaram ao deixarem o tight end livre em várias terceiras descidas, mas o autor destaca que Henry sabe onde precisa estar e para onde deve se deslocar.

Shane o coloca entre os cinco melhores tight ends da história da franquia e considera possível discutir um lugar entre os três primeiros. É sua avaliação histórica, assim como o elogio à contratação como uma das melhores de New England na free agency dos anos 2020.

A linha improvisada protegeu Maye

O autor gosta de tentar identificar jogadores pouco conhecidos na pré-temporada, quando vários podem usar o mesmo número. Não gosta de fazer isso em outubro com quem tem a função de proteger o quarterback.

Por isso, valorizou a decisão de Will Campbell de atuar apesar do problema físico e a escolha dos Patriots de investir na linha ofensiva com sua primeira seleção do Draft de 2026. Sem essas opções, brinca, talvez fosse necessário colocar Milton Williams e Christian Barmore para bloquear no ataque.

A unidade improvisada, porém, teve um grande dia. Um jogo sem sacks pode esconder um quarterback fugindo da pressão ou soltando a bola no último instante. Shane não viu isso contra os Jets: Maye teve tempo para lançar e saiu do lugar quando precisava, mesmo com novatos e jogadores do fundo da rotação ocupando três das cinco posições.

O resultado foi ainda mais significativo por acontecer contra uma frente defensiva que o autor considera forte.

Kiner assumiu as corridas decisivas

TreVeyon Henderson continua provocando dúvidas. Shane lembra seu touchdown em uma corrida longa contra o Pittsburgh Steelers, mas considera que o bloqueio abriu um espaço enorme naquele lance. Fora isso, questiona qual foi seu impacto mais marcante na temporada.

O autor reconhece o esforço de atuar com um problema no tornozelo, mas vê muitas corridas pelo meio de uma linha congestionada para deixar uma segunda para oito. Sua esperança é de que a comissão esteja guardando formas mais criativas de utilizá-lo como recebedor para uma etapa posterior.

O jogo terrestre coletivo, por outro lado, cumpriu a função necessária no fim. Rhamondre Stevenson avançou o suficiente para obrigar a defesa a respeitar a ameaça da corrida e manter o play action como possibilidade.

Na hora de encerrar a partida, Corey Kiner recebeu oito corridas consecutivas e somou 42 jardas. Shane ainda não considera o grupo um “monstro de três cabeças”; sua imagem é de um ogro de uma cabeça com dois grandes caroços no pescoço. Se Henderson evoluir e a linha conseguir jogar com mais saúde, vê potencial para controlar melhor o fim dos jogos.

Ponder merece destaque

Elijah Ponder recebe o elogio final da coluna. Não escolhido no Draft de 2025, o defensor está se tornando uma força importante na avaliação de Shane, que tem especial simpatia por jogadores de defesa pouco valorizados no recrutamento e capazes de contrariar as outras 31 equipes.

A combinação de Ponder e Gabe Jacas nas pontas, com Williams e Barmore pelo meio, poderia formar uma das melhores linhas defensivas da NFL, projeta. Robert Spillane atua atrás desse grupo; Harold Landry III ainda pode voltar, e Carlton Davis III também está em recuperação.

Os Patriots chegaram a 4–1 nos confrontos dentro da AFC e 2–0 na divisão. O Buffalo Bills teve dificuldade para superar o Las Vegas Raiders, adversário que New England havia dominado uma semana antes.

Antes de um descanso um pouco maior, virá o difícil jogo de quinta-feira contra um Chicago Bears em alta. Shane não esconde sua antipatia pelas semanas curtas de preparação. Seu desejo imediato é mais simples: que os Patriots tenham jogadores de linha saudáveis em número suficiente para o confronto.

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