Prévia: Kittle pode explorar a blitz e as falhas dos Commanders contra tight ends
Kyle Posey analisa o duelo dos 49ers com Jayden Daniels, os espaços para McCaffrey e a eficiência de Purdy contra a pressão.
George Kittle pode ser o principal caminho do San Francisco 49ers para explorar a defesa do Washington Commanders no encerramento da Semana 6. Na prévia de Kyle Posey, a dificuldade de Washington para conter tight ends, o volume de blitzes e as incertezas entre os recebedores dos 49ers criam condições para uma grande atuação do camisa 85.
O histórico recente também favorece San Francisco na leitura do autor. Desde 2022, Washington venceu apenas uma vez na semana seguinte a um confronto com o New York Giants; seis das derrotas nesse recorte foram por pelo menos sete pontos. Os 49ers, por sua vez, ganharam oito dos nove jogos anteriores contra a NFC East. A exceção foi a final da NFC da temporada de 2022, marcada pelas lesões de seus quarterbacks.
Os Commanders chegam permitindo 29,8 pontos por partida, um ponto a menos do que a média marcada pelos 49ers. Posey espera que Washington produza algumas boas jogadas, mas considera que San Francisco tem mais recursos para responder. Os dados e as expectativas a seguir são anteriores ao Monday Night Football.
A defesa terrestre dos 49ers e as corridas de Daniels
Washington ocupa o 12º lugar em EPA por corrida e o 19º em taxa de sucesso terrestre. Está no meio da liga em jardas após contato, mas aparece em quarto nas jardas antes do contato por tentativa, um sinal de que o desenho das jogadas consegue criar espaço inicial.
A ausência do líder terrestre Bill Croskey-Merritt pesa. Ele soma o dobro das corridas de qualquer outro running back do elenco. O outro jogador da posição com uma corrida de pelo menos dez jardas na temporada é Rachaad White, que não ultrapassa 70 jardas terrestres em uma partida desde dezembro de 2024. Mesmo incluindo Croskey-Merritt, os running backs têm taxa de sucesso de 37,6% e EPA médio de −0,159 por corrida.
Jayden Daniels eleva o nível desse jogo terrestre. Foram 103 jardas contra os Giants na rodada anterior e 69 contra Dallas na Semana 2. Ele tem o segundo maior total de jardas em corridas improvisadas após sair do pocket, com média de 12,6 por tentativa, e nove corridas explosivas, empatado com Josh Allen na liderança.
A tarefa de San Francisco será pressioná-lo sem abrir rotas de fuga. Os 49ers permitem o segundo menor total de jardas em scrambles e usam cobertura por zona em 83% das jogadas, a quarta maior frequência da NFL. Dallas e Washington, por comparação, estão entre os dez times que mais utilizam marcação individual, cenário que pode deixar mais espaço para um quarterback correr.
Há uma limitação importante na amostra: San Francisco enfrentou somente cinco scrambles, o menor total da liga. Nessas tentativas, permitiu 5,6 jardas em média, a sexta menor marca. A equipe já conseguiu limitar Malik Willis contra Miami, mas Daniels representa um desafio próprio.
A defesa de Raheem Morris está em sexto tanto na taxa de sucesso terrestre permitida, de 41,5%, quanto em EPA por corrida. O primeiro índice é cerca de cinco pontos percentuais melhor do que o dos cinco jogos iniciais da temporada anterior.
Posey destaca as frentes com cinco defensores na linha: elas fecham espaços entre os bloqueadores, dificultam a vida dos guards e ajudam Fred Warner a chegar à bola sem enfrentar bloqueios diretos. Com Dre Greenlaw suspenso, Jaden Dugger deve começar jogando. Sua intensidade contra Seattle foi um ponto positivo; a expectativa é que repita esse comportamento com disciplina.
Fator decisivo dos 49ers: Mykel Williams disputou 22 snaps na volta ao time, e Seattle produziu somente 3,18 jardas por jogada com ele em campo. Sua capacidade de proteger a extremidade da defesa será importante contra um ataque que usa outside zone na terceira maior frequência da liga.
Daniels também ameaça pelo passe
Forçar Washington a lançar mais não elimina o perigo. Kyle Shanahan elogiou amplamente o quarterback durante a semana:
“Desde que entrou na liga até agora, Jayden tem a chance de ser um dos melhores quarterbacks desta liga, sem dúvida. Se você tirar o elemento da corrida, a forma como ele joga no pocket é muito natural: a precisão, a força do braço, a tranquilidade para passar pelas leituras, a coragem de permanecer ali e receber uma pancada, mantendo os olhos no fundo do campo. Além disso, é assustador correndo com a bola. Ele tem velocidade e coordenação para vencer jogos só com as pernas, o que significa que você quer mantê-lo no pocket e não deixá-lo sair, porque pode vencê-lo correndo. Porém, ele também é muito perigoso no pocket, simplesmente jogando na posição. Tem todas as ferramentas para ser tão bom quanto qualquer um.”
Escolhido na segunda posição geral do draft de 2024, Daniels é, para Posey, o quarterback mais talentoso que os 49ers terão enfrentado até aqui.
Daniels gerou mais EPA do que Matthew Stafford mesmo tendo disputado 235 snaps a menos. Quase 16% de seus passes são longos, a terceira maior proporção da NFL. Ele consegue tanto lançar com força entre linebackers na faixa intermediária quanto colocar a bola em profundidade, aceitando contato para completar a jogada. Na avaliação do autor, as dificuldades de Washington dizem mais sobre seu entorno do que sobre sua capacidade individual.
Os confrontos com os recebedores
Antonio Williams, Terry McLaurin e Stefon Diggs são os principais alvos quando Daniels está em campo. Diggs perdeu a Semana 5 com uma lesão na parte posterior da coxa, mas treinou na sexta-feira.
McLaurin percorre 77,3% de suas rotas pelo lado de fora e recebeu 53,8% dos alvos. Posey considera que o desenho da defesa de Morris costuma limitar esse tipo de recebedor e vê um confronto favorável para Deommodore Lenoir.
Diggs tem a maior participação nos alvos entre os três. Nos dois jogos com Daniels, recebeu nove de 15 passes, com três touchdowns. É também quem mais varia de posição: 39% das rotas saem pelo lado de fora e 59%, pelo slot. O autor defende uma abordagem agressiva para dificultar suas rotas, especialmente diante da lesão recente.
Fator decisivo dos Commanders: o calouro Williams tem velocidade para se afastar da cobertura. Seu melhor jogo veio contra a defesa de Vic Fangio na Semana 1, quando produziu uma recepção de 33 jardas. Os confrontos com Upton Stout ou com os safeties podem oferecer uma vantagem a Washington.
Os 49ers têm a quinta melhor taxa de sucesso defensiva contra o passe e preferem ceder ganhos curtos a permitir bolas longas. Nenhuma defesa permite tantos alvos e jardas recebidas a running backs. Para Posey, aceitar uma eventual linha de seis recepções e 60 jardas de White seria um preço razoável para evitar explosões de McLaurin ou Williams — é um exemplo de cenário, não uma estatística já ocorrida.
Daniels sofre pressão em mais de 45% de seus recuos para lançar. Washington tem alternado formações, com Nick Allegretti atuando entre center e guard direito. Keion White, Osa Odighizuwa e Gracen Halton podem aproveitar esse ponto para gerar problemas pelo interior da linha.
McCaffrey e o espaço pelo meio
Depois do pouco envolvimento de Christian McCaffrey contra Seattle, Posey espera uma correção no plano ofensivo. Ele pondera que Shanahan enfrentou os Seahawks três vezes na temporada anterior e viu sua linha perder confrontos que deixaram o running back sem espaço, contexto que ajuda a explicar a escolha anterior.
Washington é mediano em EPA terrestre permitido, mas está em 27º na taxa de sucesso contra a corrida. Contra outside zone, o rendimento é melhor: cede 2,81 jardas por tentativa, EPA de −0,39 e taxa de sucesso de 36,1%.
Esse ainda é o conceito predominante dos 49ers, utilizado em 40% das corridas, mas o ataque incorporou mais inside zone, em cerca de 20%, e bloqueios com atribuições individuais para variar o desenho. Há uma oportunidade clara pelo meio: os Commanders permitem seis jardas por tentativa contra inside zone e EPA de +0,115 contra conceitos de bloqueio individual.
A combinação de McCaffrey com participações de Kaelon Black pode deixar o quarterback em situações mais administráveis. O dia adicional de preparação também favorece o descanso do titular.
Fator decisivo dos 49ers: Kyle Juszczyk tem retorno esperado. Posey o considera uma peça importante da receita que fez o jogo terrestre funcionar, embora sua presença e a melhora do setor ainda fossem expectativas da prévia.
Purdy contra a blitz: oportunidade para Kittle
No programa de Pat McAfee, Adam Schefter, da ESPN, disse acreditar que Mike Evans jogaria. A equipe ainda avaliaria o recebedor no aquecimento. Além do problema nas costelas, ele apresentou incômodo no tendão de Aquiles no fim da semana.
Evans vinha de sua melhor marca de jardas na temporada, com 113. Washington está em 29º nos indicadores de alvos e jardas cedidos a wide receivers. Mesmo assim, Posey considera possível uma participação limitada do veterano, diante das lesões e da semana curta seguinte; não há garantia de escalação ou de número de snaps.
Isso aumenta a importância de Kittle. Os Commanders mandam blitz em 45% das jogadas, mas essa frequência não deve ser confundida com eficiência para derrubar o quarterback: sua taxa de sacks é apenas a 25ª. Também estão em 26º na taxa de sucesso permitida pelo passe e em 23º em EPA por passe.
Nenhum time permite mais touchdowns a tight ends, inclusive na red zone. Washington também aparece entre os três piores em recepções, alvos e taxa de passe acima do esperado contra a posição, além de ceder o sexto maior total de jardas após a recepção. Na rodada anterior, Likely recebeu 11 de 13 passes contra essa defesa.
Para Posey, direcionar o ataque para o meio do campo contra esse adversário combina com as soluções de Shanahan. Depois de um jogo de pouco uso de Kittle contra Seattle, as condições favorecem uma atuação de destaque no horário nobre.
Brock Purdy completou 28 de 40 passes contra blitzes, com média de 10,9 jardas por tentativa, oito touchdowns e uma interceptação. O autor elogia sua movimentação no pocket, sua capacidade de escapar de sacks e de atacar o espaço deixado por quem avança na pressão. A leitura é que ele consegue responder à agressividade defensiva buscando jogadas grandes.
Washington tem profundidade na linha defensiva e vários jogadores com taxas de pressão de dois dígitos. Ainda assim, uma pressão não impede necessariamente uma conclusão de passe, razão pela qual Posey considera importante observar quantas oportunidades realmente terminam em sack.
Os 49ers deixaram jardas pelo caminho na rodada anterior, e os Commanders permitem o maior total de pontos em segundos tempos da NFL. O autor defende que Shanahan mantenha a agressividade até o fim.
Fator decisivo dos Commanders: Sonny Styles deve estar no centro das ações. Posey prevê corridas em sua direção e movimentos para atrair sua atenção e deslocá-lo da cobertura, num teste exigente para o linebacker calouro.
O palpite de Posey é vitória dos 49ers por 34 a 21. É uma previsão da coluna, não o resultado da partida.