Opinião: caso de Hurts exige explicações sobre a liberação para jogar, diz Schwab
Coluna cobra análise das decisões antes do jogo em Londres; atualização ressalva relato inicial de que o quarterback não teria dormido.
Frank Schwab defende que a NFL investigue como Jalen Hurts recebeu autorização para enfrentar o Jacksonville Jaguars em Londres, em 11 de outubro, depois de ser avaliado por médicos por causa de um coágulo. A coluna questiona o processo de decisão do Philadelphia Eagles e da liga; não informa que uma investigação tenha sido aberta nem apresenta uma conclusão de negligência médica.
Atualização sobre os relatos de sono: a análise original foi escrita com base nas informações iniciais de Tom Pelissero e Ian Rapoport de que Hurts teria jogado após aproximadamente 36 horas sem dormir. Posteriormente, Pelissero corrigiu seu relato: Hurts passou a madrugada em avaliação no hospital, mas conseguiu dormir depois de voltar à equipe, teve um cômodo reservado no estádio e se sentiu descansado o suficiente para jogar. O esclarecimento precisa ser considerado ao avaliar a crítica do autor.
Por que o autor pede uma investigação
Na segunda-feira, os novos detalhes sobre a condição de Hurts trouxeram mais perguntas sobre o que ocorreu antes da partida da Semana 5. A expectativa relatada pela imprensa é de que o tratamento o afaste pelo restante da temporada.
Schwab considera necessário esclarecer quem sabia de cada informação, quando teve acesso a ela e como se chegou à decisão de colocar o quarterback em campo. Segundo o Pro Football Talk, a NFL confirmou que manteve comunicação com os Eagles sobre a saúde de Hurts antes daquele jogo.
Rapoport havia relatado que o jogador permaneceu no hospital até as 4h da madrugada e não dormiu porque isso seria considerado um risco. Pelissero também publicou que os médicos o orientaram a ficar acordado por precaução. A afirmação inicial de ausência total de sono antes do jogo, contudo, recebeu o esclarecimento posterior da agente.
Mesmo supondo que o atleta quisesse jogar e que tivesse recebido liberação, o autor argumenta que a combinação de uma noite de avaliações médicas, pouco descanso e uma condição dessa natureza deveria levar os responsáveis a reexaminar a decisão. É uma cobrança por explicações sobre o caso concreto, não uma orientação médica para situações semelhantes.
Exames adicionais mudaram o diagnóstico inicialmente divulgado de um coágulo superficial na panturrilha para trombose venosa profunda e embolias pulmonares bilaterais. O comunicado conjunto dos Eagles e de Lynn afirma que Hurts está clinicamente estável e que o prognóstico é de recuperação completa. Enquanto usar anticoagulantes, não poderá participar de atividades de contato.
Para Schwab, a sucessão de informações cria questões que precisam ser respondidas por várias partes envolvidas.
A liberação médica e a decisão de escalar
O futebol americano é um ambiente de competição intensa. Na avaliação do colunista, essa pressão pode levar equipes e jogadores a aceitar riscos que mereceriam uma análise mais cuidadosa.
Os Eagles afirmaram na semana anterior que sua equipe médica e os médicos consultados em Londres haviam liberado Hurts para jogar. Ainda assim, Schwab questiona a decisão da comissão de Nick Sirianni de mantê-lo ativo e utilizá-lo. Se o treinador não conhecia a gravidade do quadro, argumenta, seria preciso esclarecer também como as informações circularam dentro da organização.
O autor considera possível que o próprio quarterback tenha insistido em atuar, embora o texto não confirme que isso ocorreu. Jogadores são treinados para competir e frequentemente tentam permanecer em campo apesar de limitações. Para Schwab, os profissionais responsáveis precisam estar dispostos a contrariar esse desejo quando a saúde exige.
Sua comparação entre jogar com uma entorse no tornozelo e enfrentar um problema envolvendo coágulos busca ressaltar a diferença de contexto, sem substituir a avaliação dos especialistas que acompanharam Hurts.
O colunista entende que a disposição do atleta para jogar não deveria ser celebrada sem examinar as circunstâncias da liberação. A ressalva sobre o descanso acrescentada depois reforça a necessidade de trabalhar com a cronologia e as informações completas, em vez de tirar conclusões apenas dos relatos iniciais.
A sequência de acontecimentos
Hurts enfrentou os Jaguars em 11 de outubro, numa derrota decidida na última jogada. Quatro dias depois, foi anunciado que ele não participaria do confronto da Semana 6 por causa de um “coágulo superficial” na panturrilha.
O comunicado divulgado pelos Eagles dizia que seus médicos e os especialistas em Londres haviam concluído que ele poderia atuar. O quarterback também treinou integralmente na quarta-feira depois da volta aos Estados Unidos.
Na sequência, foi afastado do jogo, colocado na reserva de lesionados e submetido a novas avaliações. Na segunda-feira, os Eagles e Lynn divulgaram o diagnóstico atualizado e o plano de tratamento. Os relatos sobre a possível ausência até o fim da temporada vieram da imprensa; o comunicado não fixou um prazo oficial de retorno.
Schwab pede que os Eagles expliquem de forma mais detalhada a decisão de utilizar Hurts. Em sua avaliação, a responsabilidade por uma situação envolvendo o quarterback titular deveria alcançar a organização inteira, incluindo o proprietário Jeffrey Lurie.
A coluna encerra cobrando respostas sobre os critérios adotados e sobre o que era conhecido em cada etapa. O pedido de investigação expressa a posição do autor diante das informações disponíveis, sem estabelecer culpa de médicos, treinadores ou dirigentes.
Santoliquito questiona os efeitos sobre a confiança
Joseph Santoliquito, em outra coluna sobre o caso, examina como a condução do episódio pode afetar a relação de Hurts com os Eagles. O contexto é o de quatro derrotas consecutivas, a primeira sequência desse tamanho sob Nick Sirianni, e uma discussão contratual que já existia antes do afastamento.
O autor chama atenção para o fato de o comunicado médico de segunda-feira ter sido divulgado em conjunto pelo clube e por Nicole Lynn. O texto informa avaliações abrangentes por especialistas, a mudança do diagnóstico e o tratamento com anticoagulantes. Também prevê recuperação completa e a possibilidade de retomar atividades de contato depois do fim do tratamento.
A previsão de ausência até o fim da temporada veio de relatos da imprensa. O comunicado não fixa uma data de retorno nem anuncia o encerramento definitivo da temporada do jogador.
Santoliquito lembra que a cobertura da ESPN no sábado passou de uma informação inicial de que Hurts não seria colocado na IR para a confirmação de sua inclusão, o que exige perder pelo menos quatro jogos. Na versão corrigida, a reportagem dizia que a decisão sobre o retorno seria tomada pela equipe médica do quarterback, com os Eagles dispostos a seguir sua orientação.
O colunista interpreta a referência à equipe médica de Hurts como um sinal de que ele buscou avaliações fora do clube. Ao mesmo tempo, reconhece que segunda e terceira opiniões são comuns na NFL. Isso, isoladamente, não comprova uma ruptura de confiança.
Segundo Santoliquito, pessoas próximas ao quarterback ficaram insatisfeitas com a condução do caso e já consideravam que ele deveria ter recebido um tratamento melhor na offseason, incluindo uma nova extensão contratual. A coluna não identifica essas pessoas. A possibilidade de desgaste é uma avaliação baseada nesse relato, sem confirmação de rompimento ou pedido de saída.
Chao comenta o contexto sem avaliar o paciente
O médico David Chao, ex-responsável médico dos Chargers, disse ao autor que considera a estrutura dos Eagles de alto nível e pressupõe que o clube tenha tomado as precauções habituais numa viagem da equipe. Também afirmou que buscar opiniões adicionais é normal.
“Tenho certeza de que Jalen Hurts, um quarterback titular da NFL, não estava espremido no assento do meio entre duas pessoas num avião. Eu presumiria que os Eagles tomaram as precauções adequadas, como qualquer outra equipe médica da NFL faria nos voos do time. É completamente normal que jogadores busquem segunda e terceira opiniões”, disse.
Chao destacou a importância do diagnóstico e do tratamento e disse entender a preocupação de familiares e amigos. Também afirmou acreditar que a equipe médica não colocaria conscientemente um jogador em perigo.
São comentários de um médico que não foi apresentado como integrante da equipe que tratou Hurts. Suas suposições sobre a viagem e as precauções não constituem comprovação das circunstâncias concretas ou uma conclusão sobre a correção das decisões tomadas.
Contrato e futuro continuam em discussão
Hurts, de 28 anos, assinou uma extensão de cinco anos e US$ 255 milhões que vai até 2028. Santoliquito cita a diminuição das garantias nos anos finais como parte do contexto para uma conversa sobre renovação.
O proprietário Jeffrey Lurie havia elogiado o quarterback nas reuniões da liga em março, destacando sua capacidade nos momentos decisivos, a dedicação e o desempenho nos dois Super Bowls. Disse ser um grande admirador de Hurts e lembrou que assuntos contratuais levam tempo e não seriam discutidos publicamente.
Santoliquito argumenta que o histórico do jogador — cinco classificações consecutivas aos playoffs, três títulos da NFC East, duas participações no Super Bowl, um título e seis vitórias em dez jogos de pós-temporada — deveria pesar nessa relação. O afastamento dificulta a continuidade desse sucesso, mas não elimina matematicamente os Eagles dos playoffs.
A coluna termina imaginando que a saída de Hurts do campo em Londres possa ter sido sua última atuação pela franquia. É uma hipótese do autor sobre o futuro, não uma decisão anunciada pelo jogador ou pelos Eagles.
A resposta de Sirianni
Na atualização da mesma coluna, Schwab acrescentou a resposta de Nick Sirianni aos questionamentos sobre a liberação do quarterback:
“Recebemos informações médicas dos nossos profissionais. A saúde dos nossos jogadores vem em primeiro lugar. Sou treinador de futebol americano. Eu me apoio nos nossos profissionais médicos em todas as situações. Tenho plena confiança neles. Não sou apenas eu que me importo muito com nossos jogadores; eles também”, disse o treinador.
A declaração expressa a posição do técnico sobre o processo de decisão. Não encerra, por si só, as perguntas levantadas pelo colunista nem estabelece uma conclusão independente sobre a avaliação médica.