Opinião: Texans deveriam explorar troca por Derrick Henry
Mike Bullock defende investimento no running back dos Ravens e analisa o possível custo para Houston.
Há dois anos, o Houston Texans diz querer jogar um futebol americano físico, com bloqueios diretos e ênfase na corrida. Na opinião de Mike Bullock, do SB Nation, chegou a hora de a equipe agir de acordo com esse discurso e considerar uma troca pelo running back Derrick Henry, do Baltimore Ravens.
O autor avalia que esse estilo agressivo favorece o esquema ofensivo Erhardt-Perkins quando bem executado. Porém, o coordenador ofensivo Nick Caley e o treinador da linha ofensiva e coordenador do jogo terrestre Cole Popovich não conseguiram colocá-lo em prática.
No ano passado, era fácil apontar para o problema no pé de Joe Mixon, cercado de dúvidas sobre lesão, doença ou condição médica. Para corrigir a situação na intertemporada, o gerente geral Nick Caserio trocou pelo então reserva do Detroit Lions David Montgomery, que logo se lesionou.
Agora, na visão de Bullock, tudo parece recair sobre Woody Marks e pacotes pesados com corridas básicas que não enganariam nem uma defesa de ensino médio. Ele considera Marks um ótimo corredor, mas não alguém capaz de compor sozinho todo o grupo de running backs de Houston.
O autor acredita haver muitas evidências de que a comissão técnica tem grande responsabilidade, tanto pelo ensino aos jogadores quanto pelas chamadas de Caley. Para ele, porém, o técnico DeMeco Ryans parece atribuir toda a culpa aos atletas. Se o problema está nos jogadores, sugere Bullock, Henry poderia ser parte da solução.
Uma publicação da conta NFL Talk, em 4 de novembro, informou, citando uma fonte da liga, que equipes procuraram os Ravens sobre uma possível troca pelo running back. Aos 32 anos, Henry se aproxima do fim da carreira, mas, na avaliação do colunista, ainda tem muito a oferecer. Ao lado de Marks e C.J. Stroud, ele não precisaria carregar sozinho o ataque como se espera dele em Baltimore. Sua presença poderia fazer defesas adversárias temerem a corrida.
Até então em 2026, Henry havia corrido 158 vezes para 632 jardas, média de 4,0 por tentativa, e recebido 12 dos 14 passes lançados em sua direção para 75 jardas. Ele somava nove touchdowns, números que o colocavam em sétimo lugar entre os running backs no ranking citado pelo autor. Bullock considera que nove touchdowns adicionais teriam deixado os Texans com campanha de 5–2, se não 6–1 — uma projeção do colunista, não um resultado comprovável.
O custo de uma possível troca
Outras equipes, como o New York Giants, poderiam disputar Henry. Bullock considera que a atual gestão de Houston vive um momento decisivo e critica Caserio, Ryans, Caley, o coordenador defensivo Matt Burke e Popovich por desperdiçarem o entusiasmo da intertemporada e a boa vontade da torcida. Na opinião dele, continuar no mesmo caminho poderia levar a família McNair a demitir parte ou toda a comissão.
Gerentes gerais e técnicos pressionados às vezes fazem trocas ousadas para salvar a temporada. Pelo histórico de negociações de Caserio, o autor considera possível que isso aconteça.
Segundo Dan Graziano, da ESPN, Henry merece atenção até o prazo de trocas: se não estiver nos planos de Baltimore após este ano, os Ravens poderiam receber ofertas. Graziano escreveu que o salário-base do jogador em 2026 era de apenas US$ 1,255 milhão, pois o restante dos US$ 14 milhões já havia sido pago em bônus, facilitando a absorção pelo teto salarial de outro time.
A compensação seria o maior obstáculo. Segundo rumores mencionados por Bullock, seriam necessárias ao menos uma escolha de segunda rodada e um jogador ou outra escolha mais baixa. Houston tinha uma escolha de primeira, uma de terceira, uma de quarta e três de sétima rodada em 2027, além de suas escolhas habituais em 2028. O autor duvida que Baltimore aceite uma terceira rodada para manter Henry na AFC se os Giants puderem oferecer uma segunda.
Os Ravens, porém, precisavam de ajuda na posição de quarterback, e Bullock vê Davis Mills como um dos melhores reservas da liga. Ele propõe considerar uma oferta de Mills e escolhas de terceira e sétima rodada. Reconhece que abrir mão do reserva de Stroud seria arriscado em uma liga marcada por lesões, mas atribui a situação à falta de contratações melhores para a comissão ofensiva.
O peso de Ravens x Jaguars
A análise também dependia do jogo daquela quinta-feira, quando o Jacksonville Jaguars visitaria Baltimore no Thursday Night Football. Bullock projetava que uma vitória dos Ravens tornaria mais provável a permanência de Henry; uma derrota poderia abrir uma oportunidade para Caserio.
Se Jacksonville vencesse, manteria a liderança da AFC South. Se perdesse, Houston poderia se aproximar, desde que derrotasse os Chargers no domingo. O colunista questiona qual resultado seria melhor para os Texans: uma derrota dos Jaguars, que facilitaria o caminho na divisão, ou dos Ravens, que poderia favorecer uma negociação por Henry.
Bullock diz não entender por que Houston não investiu mais em Henry quando ele deixou os Titans. Em 2024, Aaron Wilson havia informado que o jogador estava no radar dos Texans. Para o autor, Henry já demonstrou que consegue correr bem no NRG Stadium e, se a direção realmente quer um jogo terrestre físico com pacotes pesados, precisa ao menos explorar e fazer sacrifícios por uma troca.