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Análise

Por que o jogo terrestre dos Giants não funciona? Bloqueios, decisões e pistas à defesa

Análise de Chris Pflum detalha falhas da linha, falta de paciência dos corredores e alinhamentos que podem revelar as chamadas ofensivas.

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Najee Harris, running back dos New York Giants, recebe a entrega de bola.
Najee Harris, running back dos New York Giants, recebe a entrega de bola.Crédito: IMAGN IMAGES via Reuters Connect

O jogo terrestre do New York Giants pode ser descrito, em uma palavra, como ruim. A constatação incomoda ainda mais porque correr com a bola faz parte da identidade que John Harbaugh pretende dar ao ataque.

O treinador construiu sua carreira com ataques terrestres fortes e trouxe Greg Roman, especialista nesse setor, para desenhar o sistema. Também contratou o fullback Patrick Ricard, vindo de Baltimore, e investiu no draft no poderoso jogador de linha Francis “Sisi” Mauigoa e no recebedor Malachi Fields, de grande porte e potencial para bloquear.

A composição do elenco se afasta do padrão da NFL: quatro running backs, quatro tight ends, um fullback e apenas quatro recebedores, sendo um deles utilizado principalmente nos retornos.

Apesar da intenção de impor um futebol físico, com muitas corridas e bloqueios de força, a produção tem piorado. As perdas de posse e a baixa eficiência pelo chão continuam comprometendo o ataque.

Na Semana 4, os corredores somaram 28 tentativas: 18 de Cam Skattebo, nove de Najee Harris e uma de Tyrone Tracy Jr. A média conjunta foi de 3,1 jardas, com um fumble.

Na Semana 5, foram 21 corridas, divididas entre Skattebo, com 13, Harris, com cinco, e Tracy, com três. Os três produziram 74 jardas, média de aproximadamente 3,5 por tentativa. Retirando a corrida de 19 jardas de Skattebo, a conta cai para 55 jardas em 20 tentativas, ou 2,75 por corrida.

Na derrota para o New Orleans Saints, o problema chegou a outro nível. Harris começou como titular, enquanto Skattebo teve apenas seis snaps ofensivos e nenhum toque na bola, em meio às consequências de suas perdas de posse anteriores.

“Não esperava terminar sem nenhuma oportunidade, mas esperava jogar menos, como aconteceu. A mensagem é manter a cabeça no lugar e seguir em frente. Eles entendem o tipo de jogador que sou, e preciso continuar fazendo meu trabalho da melhor maneira possível”, disse Skattebo.

“É ruim, mas não posso culpar ninguém além de mim mesmo. Fui eu que provoquei isso. As consequências me deixam na lateral, e entendo o motivo. Vou continuar entrando em campo e dando tudo o que tenho pelo New York Giants, trabalhando duro.”

Os running backs carregaram a bola apenas 14 vezes: seis com Tracy, quatro com Devin Singletary e quatro com Harris. Somaram 34 jardas, média de 2,4. Tracy, ao menos, marcou o primeiro touchdown terrestre da equipe desde a Semana 1.

Depois da partida, Harbaugh atribuiu o baixo volume de corridas e a ausência de Skattebo ao andamento do jogo. De fato, a desvantagem construída no terceiro quarto afastou o time das corridas. Isso, porém, não explica por que o setor foi tão ineficiente enquanto o placar ainda estava equilibrado ou depois da aproximação no fim.

Na análise de Chris Pflum, os problemas estão nos bloqueios, nos próprios corredores e na estrutura do ataque.

Najee Harris recebe a entrega de bola em uma jogada dos Giants.

Bloqueios que não se completam

Os Giants têm permitido penetrações no backfield por bloqueios mal executados e deixado defensores livres, seja por falhas de atribuição, seja por limitações do desenho da jogada.

A primeira corrida de Harris

Na primeira tentativa de Harris contra os Saints, o ataque utilizou bloqueios de zona externa para a direita, com movimentos de Darnell Mooney e Isaiah Likely, este partindo como H-back, para confundir a defesa.

A linha conseguiu deslocar boa parte da frente defensiva e abrir uma faixa inicial. Andrew Thomas, porém, não chegou ao segundo nível, deixando um linebacker livre para fazer o tackle. Ao mesmo tempo, Chase Young hesitou diante dos movimentos de Mooney e Likely, mas ficou completamente sem bloqueio no lado oposto ao destino da corrida.

Se a intenção era que a movimentação atrasasse Young até o corredor alcançar o segundo nível, Pflum vê um problema no desenho. Se um dos dois jogadores deveria ajudá-lo com um bloqueio rápido — responsabilidade que o autor considera mais adequada para Likely —, houve uma falha de execução.

Um bloqueio perdido por Fidone

Em outra jogada, os Giants chamaram uma corrida para a direita, por fora do tackle, novamente com bloqueios de zona externa. O início foi bem executado, mas o bloqueio decisivo ficou a cargo do tight end Thomas Fidone II, que precisava atravessar a formação da esquerda para a direita.

Fidone chegou à posição, mas não acertou o defensor. Harris conseguiu alcançar a extremidade melhor do que parecia possível, enquanto Marcus Mbow e Mauigoa avançaram bem, ficando à frente da corrida no segundo nível.

Havia condições de criar um bom ganho pela lateral direita. O jogador que Fidone não bloqueou, porém, alcançou as pernas de Harris e limitou o avanço a duas jardas.

Runyan perde a vantagem no contato

Na primeira jogada da campanha seguinte, o ataque voltou a tentar estabelecer a corrida com uma formação pesada: Ricard como H-back e Likely como fullback.

Harris recebeu a entrega, mas Jon Runyan Jr. foi superado pelo defensive tackle e empurrado para o fundo do backfield, diretamente contra o corredor.

O defensor ganhou vantagem sobre metade do corpo do bloqueador. Runyan ergueu o tronco cedo demais ao sair de sua postura e não conseguiu estabelecer sua própria alavanca. Em vez de redirecionar o adversário ou firmar novamente a base, acabou recuando sem controle.

Os corredores também deixam jardas pelo caminho

Os bloqueios não são a única explicação. Harris e Tracy também poderiam ter aproveitado melhor algumas oportunidades.

Harbaugh deixou claro que espera que um dos running backs assuma a posição:

“Ninguém realmente tomou as rédeas. Motor, o Devin Singletary, ainda não tinha tido uma chance de fazer isso. Então pensamos em colocá-lo na mistura também. Deixamos os quatro disponíveis para ver se conseguíamos fazer o jogo terrestre funcionar. Essa era a ideia.”

O treinador reconheceu que a divisão do trabalho não é sua solução preferida:

“Você pode dizer: ‘Não gosto disso. Não gosto de dividir os snaps entre quatro corredores’. E posso dizer que também não gosto. Um deles precisa dar um passo à frente e ser o corredor principal. Nenhum fez isso ainda. Quando um deles assumir esse papel, será o titular. Essa é a resposta mais honesta que posso dar, e eles também sabem disso. Acredite, todos estão com fome de conquistar a vaga. Vamos ver quem consegue.”

Os dados de rastreamento do Next Gen Stats reproduzidos por Doug Analytics apontam uma diferença entre as jardas esperadas no momento da entrega e as efetivamente conquistadas:

Jogador Jardas conquistadas Jardas esperadas Diferença
Devin Singletary 14 14 0
Najee Harris 2 16 −14
Tyrone Tracy Jr. 18 35 −17
Cam Skattebo Sem corridas — —

Parte da diferença pode vir de bloqueios que não se sustentam depois da entrega. Para Pflum, também houve falta de paciência atrás da linha de scrimmage.

Nenhum corredor dos Giants recebeu tentativas suficientes nessa partida para entrar na comparação dos líderes de corrida do Next Gen Stats. Na semana anterior, porém, Skattebo aparecera em sexto no indicador de eficiência da plataforma e em segundo no tempo passado atrás da linha.

O autor interpreta o conjunto dos números e das imagens como um sinal de que os principais corredores procuram atacar os espaços depressa e com força, mas poderiam ganhar mais esperando os bloqueios se estabelecerem.

Paciência e visão estão entre as características mais importantes de um running back, às vezes mais do que velocidade e explosão. Nenhum dos corredores do elenco é um especialista em touchdowns longos, mas todos têm agilidade e aceleração curta para aproveitar faixas de corrida.

Harris já recebia, quando saía de Alabama, a crítica de atuar com pressa demais e não dar tempo aos bloqueadores. Skattebo, por sua vez, procura contato, por vezes sacrificando oportunidades de avançar depois dele para atingir o defensor primeiro. O estilo pode energizar o ataque, mas também aumenta o risco de fumbles e de jardas desperdiçadas.

Tracy e Singletary mostram melhor controle de ritmo. Os Giants também costumam utilizá-los em formações mais variadas do que aquelas destinadas a Harris e Skattebo.

Ter habilidades diferentes no grupo é positivo: permite impor força e oferecer ameaças mais dinâmicas. Ainda assim, Pflum defende que o ataque pareça menos diferente conforme o corredor em campo. Isso significa variar as formações com Harris e Skattebo, ensiná-los a esperar um pouco mais e permitir que Tracy e Singletary também executem corridas mais físicas.

As formações podem estar revelando as chamadas

Em vários momentos, a defesa dos Saints reagiu como se soubesse antecipadamente o que viria. A utilização dos jogadores e seu posicionamento podem estar entregando pistas.

Pflum já havia sugerido uma revisão da abordagem ofensiva após a perda de Jaxson Dart. Neste jogo, houve mudanças positivas: mais screens, mais corridas de zona externa e passes a partir de formações pesadas.

Mesmo assim, certos padrões podem permitir que o adversário reaja rápido demais. O último quarto, com J.J. McCarthy, oferece uma comparação útil.

O ataque ficou explosivo e dinâmico na tentativa de reação. Embora o placar praticamente impedisse um grande volume de corridas, os defensores do segundo nível dos Saints passaram a agir com mais hesitação do que durante a participação de Jameis Winston.

O avanço de nove jardas de Singletary

Isso apareceu claramente em uma corrida de nove jardas de Singletary no início do último quarto. Os safeties começaram recuando e precisaram depois interromper o movimento e avançar para a bola. Os linebackers também permaneceram no segundo nível por mais tempo, em vez de atacar imediatamente a linha.

Esse instante permitiu aos bloqueadores dos Giants estabelecer e sustentar seus contatos.

A ameaça de McCarthy ficar com a bola e correr provavelmente influenciou a reação. O alinhamento de Singletary, na mesma altura do quarterback, também teve participação.

Com Winston em shotgun, os running backs tendem a ficar ligeiramente atrás dele nas corridas e na mesma altura, ou à frente, nos passes. Até a chamada de toss para Harris analisada pelo autor começou com esse posicionamento um pouco recuado.

O padrão não é exclusivo dos Giants. Ficar atrás oferece um passo adicional para sincronizar a entrega e acelerar em direção à linha. Estar ao lado ou à frente melhora a visão e a posição para proteger o passe.

Na jogada com McCarthy, porém, a defesa não tinha a mesma certeza: ele poderia lançar, manter a bola ou entregá-la a Singletary. A pequena hesitação fez diferença.

Usar o mesmo alinhamento em corridas e passes pode exigir adaptação do quarterback e do running back, mas ajuda a desacelerar a defesa.

O problema inverso aparece na formação em I. Os Giants tendem a chamar uma corrida ou um play-action. Receber o snap sob o center torna a simulação de corrida mais convincente, mas, quando a ameaça de um passe direto sem essa simulação desaparece, as corridas podem ficar mais fáceis de antecipar.

O ajuste depende de todos

Há muita coisa errada no jogo terrestre dos Giants. Para Pflum, a parte mais frustrante é que o ataque frequentemente fica perto de executar tudo corretamente.

Os bloqueadores precisam acertar suas atribuições e manter os contatos. Os corredores devem esperar os espaços se desenvolverem e procurar as faixas disponíveis, sem priorizar apenas o choque com defensores.

A comissão, por fim, precisa continuar refinando desenhos e chamadas. Muitas corridas já oferecem boas possibilidades, mas ampliar o número de jogadas executadas a partir de uma mesma aparência tornaria o ataque menos previsível.

Independentemente de Winston ou McCarthy assumir a titularidade, esconder melhor a intenção pelo posicionamento do running back em shotgun e variar corridas e passes na formação em I pode ajudar a destravar o setor.

Os Giants querem ser um time fisicamente dominante e têm peças para isso. Fazer essa identidade funcionar, porém, exige a participação de todos.

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