Análise: chuva não explica sozinha a derrota dos Falcons para os Buccaneers
Erros de Michael Penix Jr., domínio nas trincheiras e dificuldades em terceiras descidas pesaram na atuação de Atlanta em Tampa Bay.
Após a dura derrota do Atlanta Falcons em Tampa Bay, boa parte da discussão se concentrou no impacto do clima. Uma forte tempestade afeta qualquer equipe: Baker Mayfield, por exemplo, não completou nenhum de seus três passes e sofreu vários fumbles.
Mas, em vez de insistir em um ataque equilibrado, Tampa Bay recorreu ao jogo terrestre e dominou o adversário. Os Buccaneers se adaptaram às condições e usaram seus pontos fortes para vencer a disputa nas trincheiras. Atlanta não conseguiu correr com eficiência nem conter as corridas rivais. O jogo ficou nas mãos de Michael Penix Jr., que teve a pior atuação de sua carreira.
Na avaliação de Allen Strk, da SB Nation, a equipe de Todd Bowles prosperou no ambiente caótico, enquanto a de Kevin Stefanski se desorganizou. A atuação ruim envolveu muito mais do que a chuva: erros cometidos pelo próprio time, falhas de jogadores e da comissão técnica e desempenho individual insuficiente explicam a derrota desigual.
A tarde difícil de Penix
Uma tempestade forte desafia o quarterback no pocket, desde a dificuldade de lançar em profundidade até a necessidade de ajustar o trabalho dos pés. O que não deveria mudar, argumenta Strk, é a leitura do campo e da defesa, sobretudo quando a proteção é sólida. Penix pareceu desorientado e cometeu vários erros caros.
O autor considera intrigante que ele não tenha visto Alex Anzalone nas duas primeiras interceptações. Na primeira, o linebacker recuou da linha de scrimmage para a cobertura curta, sem tentar um blitz pelo espaço C, e recebeu um passe impreciso. Na campanha seguinte, Penix tentou encontrar Jahan Dotson pelo meio, mas lançou novamente direto para Anzalone.
A interceptação de Jacob Parrish em uma quarta descida foi, para Strk, a exceção justificável: um lançamento desesperado com o pocket desmoronando em uma jogada decisiva, sem erro de leitura ou decisão. A última interceptação, porém, voltou a expor um problema: Zyon McCollum não caiu na finta de smoke screen.
Embora o desenho da jogada também mereça críticas, Penix fez uma finta de passe e lançou por antecipação, supondo que o cornerback reagiria a ela. McCollum não se moveu e aproveitou o erro.
Na análise de Strk, três das quatro interceptações foram responsabilidade direta do quarterback, que também errou passes e ainda não lança com regularidade na faixa intermediária do meio do campo. O mau tempo limita um quarterback, mas não deveria destruir sua capacidade de atuar, escreve o autor. Para ele, Penix não superou a adversidade em um importante jogo de divisão.
Dominados nas trincheiras
Nas duas linhas, os Falcons foram dominados por longos períodos. A frente defensiva, sem tanto porte físico, teria dificuldades contra uma das unidades mais imponentes da liga. A linha ofensiva de Tampa Bay causou danos, mas um esforço coletivo também abriu espaços para Bucky Irving e Kenneth Gainwell.
Chris Godwin e Payne Durham fizeram bloqueios importantes para criar espaço no segundo nível. Enquanto Tristan Wirfs e Cody Mauch impunham sua força, jogadores de outras posições também bloqueavam para desorganizar a frente de Atlanta. Os defensive linemen foram neutralizados contra as corridas.
A dupla titular de linebackers calouros também sofreu, especialmente Harold Perkins Jr., que não conseguiu se livrar dos bloqueios e errou alguns tackles. A unidade, já carente de tamanho na frente, recebeu pouco apoio da secundária, que também perdeu tackles.
A linha ofensiva de Atlanta enfrentou dificuldades semelhantes no jogo terrestre. O colega de Strk, Tre'Shon Diaz, observou que Bijan Robinson teve média de 2,6 jardas em 18 corridas se excluído seu avanço de 30 jardas. Boa parte de sua produção veio de um esforço extraordinário para manter o equilíbrio em meio a vários jogadores e conseguir aquela jogada explosiva.
Matthew Bergeron melhorou em alguns momentos, mas, na opinião do autor, ainda não correspondeu à grande extensão contratual assinada no verão. As limitações físicas de Ryan Neuzil se tornaram problemáticas contra linhas maiores. Jake Matthews oferece pouco como bloqueador para corridas neste momento, enquanto Jawan Taylor chegou repetidamente atrasado às suas atribuições. Por mais que Atlanta queira velocidade e atletismo nas trincheiras, a falta de porte e força para deslocar adversários fica evidente em derrotas assim.
Dificuldades em situações de poucas jardas
Segundo Josh Kendall, do The Athletic, os Falcons enfrentaram dez terceiras ou quartas descidas para duas jardas ou menos e avançaram apenas quatro jardas somadas nessas jogadas. Atlanta não converteu nenhuma de suas 12 terceiras descidas.
Para Strk, a equipe não pode depender exclusivamente de sneaks de Penix e Charlie Woerner para conseguir essas conversões. Também precisa ajustar seu plano à força da defesa terrestre dos Buccaneers. Insistir em corridas diretamente na direção de Vita Vea foi uma decisão difícil de entender, diz ele.
Os melhores avanços de Atlanta vieram em corridas com bloqueios em esquema de gaps, nas quais integrantes da linha se deslocavam para bloquear e outros jogadores fechavam espaços. Também houve alguns ganhos em corridas para fora. A produção não se aproximou da de Irving e Gainwell, mas essas chamadas funcionaram em alguns momentos.
Essas jogadas não podem ser usadas com frequência em situações de poucas jardas, porém o ataque precisa variar mais contra uma defesa de nível top 10. No primeiro quarto, quase deu certo em uma terceira para duas jardas: Kyle Pitts ficou livre em uma rota cruzada longa após um play-action. Penix escapou de um blitz de Anzalone e teve espaço para encontrar o tight end, provavelmente para touchdown, mas lançou muito acima dele, sem defensor de Tampa Bay por perto.
Apesar da falha de execução, Strk considera que chamadas criativas e agressivas desse tipo podem ajudar a resolver o problema.
Screens desperdiçados
O que deveria ser um dos pontos fortes do esquema ofensivo virou uma fragilidade. Stefanski e Tommy Rees foram elogiados pela forma como utilizaram screens em Cleveland: o tempo das jogadas, a execução e os bloqueios funcionavam enquanto os defensores perseguiam os jogadores campo abaixo.
Além do touchdown de Bijan Robinson contra Pittsburgh na estreia, é difícil lembrar de muitos screens importantes de Atlanta, segundo o autor. Os adversários identificam essas jogadas assim que a bola é colocada em jogo e chegam ao alvo antes do passe, superando os bloqueios.
Tykee Smith destruiu um screen desenhado para Pitts em uma terceira para duas jardas. Chris Blair falhou em sua atribuição, mas é muito difícil executá-la quando defensive backs como Smith sabem imediatamente para onde a bola vai.
Embora Penix tenha responsabilidade por sua última interceptação, o desenho da finta de smoke screen também foi estranho, na avaliação de Strk. Woerner era o alvo principal em profundidade, correndo uma wheel route. Mesmo que a jogada pudesse enganar a defesa, o passe é feito em uma janela tão estreita que não seria desejável ter ali um tight end especializado em bloqueios, a menos que estivesse completamente livre em uma jogada de infiltração.
A comissão técnica precisa descobrir o que há de errado com os screens: desenho e execução devem melhorar em uma equipe com opções limitadas de recebedores, conclui Strk.