Opinião: NFL precisa conter brigas, insultos e provocações
Jarrett Bell cobra padrões de conduta para jogadores, técnicos e árbitros após brigas, multas e suspensões nas primeiras semanas da temporada.
Brigas após o apito, explosões contra árbitros e comemorações provocativas se tornaram frequentes demais na NFL. Em coluna de opinião, Jarrett Bell, do USA Today, argumenta que a liga precisa reforçar seus padrões de conduta antes que a falta de respeito dentro de campo saia ainda mais do controle.
Na lista de episódios que não deveriam fazer parte do espetáculo, Bell cita um soco de surpresa após uma partida, um linebacker usando o capacete para atingir um adversário sem proteção, um árbitro repreendendo um jogador que esbarrou nele sem intenção e uma briga no kickoff que terminou com duas expulsões. Também menciona técnicos que xingam árbitros por discordar de uma chamada, um juiz de linha usando palavrões contra um tight end, celebrações que simulam disparos ou o uso de drogas, gestos obscenos e provocações depois de uma recepção rotineira.
O colunista ressalta que não se trata de um problema novo. Suspensões, multas e advertências aplicadas pelo escritório da liga não eliminaram comportamentos que considera desrespeitosos. O futebol americano é um esporte físico e violento, com forte carga emocional, mas, para Bell, os episódios que ultrapassam os limites do respeito vêm se tornando comuns demais.
“Isso depende de todos nós. Temos uma responsabilidade com o jogo. Cada pessoa — jogador, técnico e árbitro — merece dignidade e respeito como profissional”, disse Troy Vincent, vice-presidente executivo da NFL para operações de futebol americano. Vincent afirma que os exemplos dados pela liga, bons ou ruins, também influenciam os níveis inferiores do esporte. “É preciso lembrar constantemente da nossa responsabilidade perante a sociedade.”
Ex-defensive back selecionado para o Pro Bowl, Vincent ocupa o cargo desde 2014 e defende que a liga não reduza a cobrança. “Não importa de onde você veio, mas onde está. Se quer ser um integrante de gangue, volte para casa. Se quer ser um brigador de rua, volte para casa”, afirmou. Ele afirma que a regra é simples: “Aquilo que você tolera, não vai mudar”. O colunista observa que a NFL já vem disciplinando brigas, palavrões dirigidos à arbitragem e algumas comemorações, mas que a aplicação dessas regras varia ao longo do tempo e muitas vezes perde efeito no calor do jogo.
Suspensões e multas após episódios recentes
A NFL suspendeu por uma partida dois jogadores por ações consideradas graves na Semana 5. Dre Greenlaw, linebacker do San Francisco 49ers, deu uma cabeçada em Ernest Jones IV, do Seattle Seahawks, depois que a tensão aumentou quando Greenlaw derrubou o quarterback Sam Darnold na área do banco de reservas de Seattle.
Na noite seguinte, Alaric Jackson, left tackle do Los Angeles Rams, deu um soco em Bradley Chubb, linebacker do Buffalo Bills, enquanto jogadores das duas equipes se cumprimentavam após a vitória de Buffalo na prorrogação. A suspensão inicial de dois jogos de Jackson foi reduzida para um após recurso, mas ele ainda não havia explicado publicamente o que fez.
Chubb contou que a discussão começou com provocações relacionadas ao jogo, mas negou ter falado da mãe de Jackson. “Eu disse que a gente ia se encontrar de novo e que, da próxima vez, aquelas ajudas no bloqueio não iam salvar vocês. Ele perguntou o que eu tinha dito. Repeti que o chip e o guard não iam salvá-lo. E então veio o soco”, relatou.
No sábado, a liga também multou Jeremiah Trotter Jr., linebacker do Philadelphia Eagles, em US$ 4.972, e Bryan Thomas Jr., defensive end do Jacksonville Jaguars, em US$ 6.998. Os dois foram expulsos depois de uma briga no kickoff da partida disputada em Londres.
Árbitros e técnicos também precisam responder
Uma semana antes, a NFL tomou a medida incomum de suspender dois árbitros por comportamento em campo. Adrian Hill recebeu um jogo de suspensão depois de repreender o linebacker Eric Wilson, do Minnesota Vikings, que aparentemente o derrubou sem querer. O juiz de linha Jeff Seeman foi afastado por dois jogos por xingar Trey McBride, tight end do Arizona Cardinals; a troca de palavras foi registrada em vídeo.
Desde 1984, só havia um caso anterior de suspensão de árbitro por conduta em campo. Por isso, duas suspensões no mesmo dia chamaram atenção. A associação dos árbitros da NFL, que neste ano negociou uma extensão do acordo coletivo com medidas mais rígidas de responsabilização, protestou, argumentando que a punição não é aplicada de forma consistente diante de abusos verbais contra oficiais por jogadores e treinadores. Bell reconhece que os árbitros devem cumprir um padrão elevado, mas considera válido o argumento de que técnicos também frequentemente passam do limite ao contestar decisões.
Mike Vrabel, técnico do New England Patriots e integrante do comitê de competição da liga, recebeu de Bill Vinovich uma falta por conduta antidesportiva na Semana 4, depois de reclamar com palavrões de uma chamada de holding defensivo contra Buffalo. “Provavelmente eu não deveria ter xingado”, admitiu. “Mas posso dizer que já falei assim em outros momentos da minha carreira como técnico.” Para Bell, o fato de outros treinadores fazerem o mesmo não torna a atitude aceitável.
O colunista cita Nick Sirianni, do Eagles, e Aaron Glenn, do Jets, como exemplos de técnicos que perderam a compostura com árbitros nesta temporada. Em contraste, aponta Andy Reid, do Kansas City Chiefs, e John Harbaugh, do Giants, como exemplos de conduta respeitosa. Técnicos não controlam cada reação dos atletas, reconhece Bell, mas exercem influência sobre o comportamento do elenco. Se eles próprios não se contêm ao protestar, não deveriam se surpreender quando os jogadores também perdem a calma.
Bell pondera que talvez Sean McVay não pudesse ter feito nada para impedir Jackson de golpear Chubb. Ainda assim, a responsabilidade dos treinadores é cobrar padrões melhores dos jogadores. Vincent diz que incidentes assim podem começar por algo pequeno e lembra um conselho que recebeu do integrante do Hall da Fama Willie Lanier há mais de uma década, pouco depois de assumir a função executiva: a NFL não pode permitir que o esporte se transforme em um “espetáculo de sangue”. “Todo homem merece respeito e dignidade. Todos estão jogando para voltar para casa com suas famílias”, disse Vincent.
Para o colunista, esse deveria ser um padrão básico para jogadores, técnicos e árbitros. A NFL precisa aplicá-lo com consistência, dentro e fora de campo, para que a competição continue intensa sem transformar desrespeito e violência evitável em parte normal do jogo.