Raiders: linha ofensiva, jogo terrestre e futuro de Mendoza no debate
Matt Holder responde sobre bloqueios, investimentos no elenco, rotação de cornerbacks e a transição entre Cousins e Mendoza.
Os Raiders estão 3–1, mas a linha ofensiva e a irregularidade do jogo terrestre continuam no centro das perguntas da torcida. Em sua coluna de respostas, Matt Holder avalia o uso dos jovens bloqueadores, o esquema de Klint Kubiak, a defesa e o momento adequado para Fernando Mendoza assumir o ataque.
Jackson Powers-Johnson ainda precisa de consistência
Holder não considera Jackson Powers-Johnson uma escolha definitivamente estabelecida como titular. O jogador oscila, embora Caleb Rogers também tenha tido dificuldades diante de Chris Jones, adversário que o autor vê no caminho para o Hall da Fama.
A expectativa é de que Powers-Johnson trabalhe com a primeira unidade na preparação para New England, mas a posição segue aberta à avaliação do desempenho.
Os investimentos das duas últimas offseasons ainda produziram pouco retorno em campo. Rogers atuou na partida anterior porque o jogador à sua frente estava lesionado. Trey Zuhn III atua como swing tackle e tight end em formações pesadas, com nove snaps nessa função. Charles Grant só teve participação significativa na Semana 18 contra Kansas City, na temporada anterior.
Tyler Linderbaum recebeu um grande contrato na free agency, enquanto Spencer Burford chegou por aproximadamente US$ 3,3 milhões. John Spytek também investiu escolhas de terceira rodada em jogadores como Rogers, Grant, Zuhn, Darien Porter e Keyron Crawford, ainda sem grande contribuição imediata.
Isso não determina que os jovens fracassarão. Holder, porém, espera ao menos uma linha próxima da média, entre as 15 melhores, até o fim da temporada. Caso contrário, considera necessárias mudanças.
Como funcionam os bloqueios em zona e por gap
Rick Dennison conhece o sistema há décadas, desde o trabalho com Gary Kubiak e Mike Shanahan em Denver, iniciado em 1995.
No bloqueio em zona, a linha se desloca de maneira coordenada em uma direção. O running back mira uma área e ajusta a corrida conforme a reação da defesa. Se um defensor corta por dentro, o bloqueador pode acompanhá-lo e permitir que o corredor encontre outra faixa.
Nos conceitos de gap, parte da linha bloqueia para o lado contrário ao da corrida, enquanto um ou dois jogadores puxam para liderar o caminho. O corredor tem um espaço mais definido, embora possa precisar desviar quando a defesa fecha a passagem.
O duo não depende de um bloqueador puxando. Usa bloqueios duplos e participação dos tight ends para criar deslocamento e liberar os jogadores para o segundo nível.
Em termos gerais, zona favorece mobilidade, e gap exige força e massa para deslocar adversários. Nenhum sistema dispensa completamente as outras qualidades.
Quem se encaixa e por que Miller ainda tem espaço
Kolton Miller é, na avaliação de Holder, especialmente adequado à wide zone. Linderbaum, Zuhn e Rogers também oferecem capacidade atlética. Embora Grant não tenha impressionado no combine, suas imagens mostram rapidez para alcançar os bloqueios laterais.
Powers-Johnson parece mais confortável em gap, mas possui o atletismo necessário para a zona. O problema, para o autor, está mais na execução e na procura de um bloqueio devastador antes de garantir a posição correta.
Burford conhece conceitos semelhantes de sua passagem pelos 49ers. DJ Glaze, antes visto pelo colunista como um encaixe duvidoso, vem funcionando melhor do que o esperado.
Miller jogou mal contra Kansas City, mas havia atuado bem nas três primeiras partidas. Ao completar 31 anos na sexta-feira, passa a exigir um plano de sucessão, sem que isso justifique uma mudança precipitada.
Grant quase não jogou e precisa demonstrar que merece o posto em uma disputa real. Se Miller continuar por mais tempo, Grant pode passar três temporadas como reserva antes do fim de seu contrato, em 2028.
Ajustes individuais e leitura das pressões
Zuhn foi left tackle no college e trabalhou como right tackle no camp, mas o bom desempenho de Glaze e as dificuldades dos guards podem abrir uma oportunidade pelo interior.
Burford tem contrato de um ano. Depois de três atuações ruins, melhorou contra Kansas City; Holder prefere esperar antes de concluir que resolveu a posição. Powers-Johnson ainda tem dois anos restantes de contrato, sem que isso torne seu futuro como titular automático.
Glaze permitiu quatro pressões e um sack em 75 situações de passe consideradas reais pelo recorte estatístico, que exclui play-action, passes rápidos e screens. O autor vê mérito individual, além da ajuda do sistema.
Sobre Linderbaum, Holder considera que normalmente chega ao ponto correto do bloqueio. Não avalia uma falha específica mencionada por um leitor sem ter o vídeo da jogada.
Motion nem sempre cria vantagem para a corrida
Contra Kansas City, os deslocamentos pré-snap de Las Vegas provocaram rotações de safeties para perto da linha. Em algumas jogadas, os Raiders tinham seis bloqueadores contra sete defensores, deixando um linebacker ou safety livre para atingir o corredor.
No segundo tempo, Kubiak reduziu o motion e acelerou o ritmo. A corrida melhorou sem que a defesa pudesse se reorganizar da mesma forma.
O autor não dispõe de uma contagem completa para afirmar se Ashton Jeanty foi atingido primeiro mais vezes por jogadores da linha ou por linebackers. Também trata a possível influência do problema no pé ou tornozelo como hipótese, não como diagnóstico.
O caminho sugerido reúne continuidade, maior consistência de Powers-Johnson, ajustes de Kubiak e recuperação física de Jeanty. A estreia contra Miami mostrou um potencial que o time não sustentou nas três rodadas seguintes.
Holder cita o levantamento de Vincent Bonsignore sobre Seattle em 2025: 3,7 jardas por corrida nos primeiros oito jogos, quatro deles abaixo de 100 jardas, contra 4,5 nas últimas 12 partidas, incluindo o Super Bowl, com dez acima de 100. A comparação indica que uma evolução ao longo da temporada é possível, sem garanti-la em Las Vegas.
Formações pesadas dominam o ataque
Segundo os números da SumerSports apresentados na coluna, os Raiders usam pouca formação com três wide receivers e recorrem frequentemente a grupos com mais tight ends ou dois running backs. Na nomenclatura, o primeiro algarismo indica running backs e o segundo, tight ends.
| Grupo de pessoal | Frequência | Posição na NFL |
|---|---|---|
| 12: um RB e dois TEs | 35,07% | 3º |
| 13: um RB e três TEs | 4,85% | 18º |
| 22: dois RBs e dois TEs | 17,54% | 2º |
| 21: dois RBs e um TE | 17,54% | 5º |
| 11: um RB e um TE | 19,40% | Último |
A utilização de 11 personnel fica mais de 12 pontos percentuais abaixo de qualquer outra equipe. Brock Bowers voltou na Semana 3, enquanto a ausência de Jack Bech, bom bloqueador, também influencia as escolhas. Ian Thomas passou de aproximadamente 20% dos snaps na Semana 3 para 31% contra Kansas City. O fullback Connor Heyward participa das formações 22.
Paye, calendário e rotação na secundária
Kwity Paye teve oito pressões, dois sacks e cinco stops contra Miami. Nas três partidas seguintes, somou uma pressão, nenhum sack e um stop, com notas da PFF na faixa dos 40. Holder prefere esperar pelo menos metade da temporada antes de considerar a contratação um fracasso.
Com campanha 3–1, os Raiders enfrentam Patriots, Bills, Rams, Jets e 49ers nas próximas cinco partidas. O autor considera 7–2 otimista e projeta 6–3, supondo uma vitória sobre os Jets e divisão das outras quatro partidas. Chegar a 5–4 ainda permitiria continuar na disputa, mas com menor margem.
New England parece o adversário mais acessível desse grupo, especialmente sem Christian Gonzalez. A vitória dos Patriots sobre Buffalo em um duelo divisional não basta, na avaliação do autor, para tratá-los como superiores a todos os outros rivais.
A presença de Darien Porter acima de Hezekiah Masses em uma lista de profundidade não oficial não confirma mudança de titular. As três interceptações de Masses nas Semanas 2 e 3 esconderam alguns erros de novato. Contra Kansas City, ele permitiu 62 jardas e dois touchdowns, além de falhar em um tackle contra a corrida.
Porter pode receber mais oportunidades. Eric Stokes também não jogou bem, tornando possível uma rotação de três jogadores. Os 11 snaps de Masses no slot nas duas últimas partidas, isoladamente, não demonstram uma alteração permanente.
Quando Mendoza deve substituir Cousins?
Mendoza oferece mais mobilidade e força de braço que Kirk Cousins. Ainda assim, Holder não vê motivo para trocar apenas pela diferença física enquanto o veterano conduz um ataque de 28,8 pontos por jogo, sétimo melhor da liga, e o time está 3–1.
O plano de longo prazo depende da preparação do novato. A vantagem de manter Cousins diminui a cada semana em que Mendoza se aproxima de estar pronto, e uma atuação ruim pode acelerar a transição.
Para o autor, a decisão precisa equilibrar desenvolvimento e desempenho atual. O começo positivo permite fazer isso com mais paciência, sem transformar a escolha do primeiro quarterback do draft em uma obrigação de mudança imediata.